Eleição do São Paulo tem volta do equilíbrio, mas Leco é favorito

Marcio Porto

O São Paulo elege nesta terça-feira no Morumbi o presidente que comandará o clube até o fim de 2020. O pleito colocará frente a frente os candidatos Carlos Augusto de Barros e Silva, atual mandatário, e José Eduardo de Mesquita Pimenta, que presidiu o clube entre 1990 e 1994. A eleição promete mais equilíbrio do que as anteriores, mas tem o candidato da situação como favorito.

Leco tenta a reeleição depois de ser escolhido em outubro de 2015 para suceder Carlos Miguel Aidar, que renunciara após denúncias de irregularidades no mandato. Enfrenta o nome que estava à frente na época mais vitoriosa da história do clube, com as conquistas do bicampeonato da Libertadores e do Mundial em 1992/93, com a consagrada era Telê Santana.

Leco, de 79 anos, e Pimenta, 78 anos, adotaram postura semelhante na reta final antes da eleição. Ambos foram blindados na estratégia de comunicação. Evitaram ao máximo contato com a imprensa, com o risco de que declarações pesassem contra a campanha. Nos bastidores, porém, as partes trocaram farpas e acusações.

Na semana passada, conselheiros ligados a Pimenta utilizaram a campanha de Leco em 2015 na tentativa de uma denúncia. O atual presidente teria recebido ajuda financeira do empresário Abílio Diniz, que foi peça importante no processo de renúncia de Aidar como aliado de Leco. Meses depois, no entanto, o presidente rompeu com Abílio, que hoje apoia Pimenta. Leco não nega que tenha recebido dinheiro do empresário como financiamento de campanha.

Abílio Diniz, aliás, é considerado por membros da situação como o mentor da candidatura de Pimenta. Creditam a ele parte do apoio recebido pelo ex-presidente, mas também fazem críticas. Argumentam que o empresário quer mandar no clube sem colocar dinheiro nem sua reputação em jogo.

É atribuído também ao histórico de Pimenta o maior equilíbrio dessa eleição, se comparado aos pleitos anteriores. Uma projeção pela união dos grupos que demonstraram apoio antes do pleito aponta vitória de Leco com uma diferença de cerca de 30 votos, pelo número de conselheiros dos partidos que o apoiam. Para se ter uma ideia, quando Leco foi eleito em 2015 recebeu 138 votos contra 36 de Newton do Chapéu no total de 193 conselheiros: houve 19 em branco.

O último pleito com equilíbrio, e que baita equilíbrio, foi em 2002. Na ocasião, o falecido Marcelo Portugal Gouvêa derrotou Paulo Amaral e colocou fim à hegemonia do grupo da situação, que durava desde 1990, iniciado com Pimenta. Dois anos antes, outra eleição acirradíssima: Leco perdeu para Paulo Amaral por cinco votos.

Desde a vitória de Portugal Gouvêia em 2002, o grupo que era comandado pelo falecido Juvenal Juvêncio dominou o Conselho até pouco tempo. Juvenal, que morreu em 2015, chegou a ser soberano, vencendo eleição com a oposição tendo apenas sete votos. Ele conseguiu emplacar um terceiro mandato, tamanha era seu poder no clube.

A eleição de hoje está marcada para acontecer a partir das 19h. No São Paulo, o pleito é decidido pelos conselheiros vitalícios, que ocupam 240 cadeiras. Com a morte de Brasil Vita este ano, no entanto, uma vaga está aberta. São 239 conselheiros aptos a votar, mas pelo menos dez não devem comparecer por questões de saúde. O resultado deve sair ainda nesta noite e o vencedor toma posse de imediato.
















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