Sem medo do ‘efeito Grécia’, Brasil sinaliza manter em Tóquio patamar da última Olimpíada

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Nathalie Moellhausen foi campeã mundial de esgrima em 2019. No Rio-2016, ela não obteve medalha. Foto: Balazs Czagany/MTI via AP
Nathalie Moellhausen foi campeã mundial de esgrima em 2019. No Rio-2016, ela não obteve medalha. Foto: Balazs Czagany/MTI via AP

Por Marcelo Laguna (@MarceloLaguna)

O encerramento da temporada dos esportes olímpicos em 2019, ao menos nos números, mostrou um quadro positivo para o Brasil. No último ano do ciclo olímpico antes dos Jogos de Tóquio-2020, a despeito dos problemas com a queda de investimentos nas confederações em comparação com o ciclo da Rio-2016, o desempenho dos atletas brasileiros não decepcionou. E deixa ainda uma sinalização importante: a possibilidade de no mínimo repetir o resultado alcançado na última Olimpíada é bastante real.

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Em 2019, o COB (Comitê Olímpico do Brasil) contabilizou um total de 22 medalhas de modalidades brasileiras em seus respectivos campeonatos mundiais ou competições de referência. Este levantamento é feito pelo COB como um dos parâmetros para mapear o estágio de evolução de cada esporte. Este hipotético quadro de medalhas de 2019 foi o melhor resultado do Brasil neste ciclo. Nas temporadas anteriores, foram 18 pódios no ano passado e 21 em 2017, totalizando 61 medalhas obtidas por atletas e equipes do Brasil nos últimos três anos.

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“Se chegássemos a 20 medalhas neste ano, já entenderia como um bom parâmetro de avaliação. O resultado deste ano nos colocaria em um top 15 na próxima Olimpíada, pelos nossos cálculos”, analisa Jorge Bichara, diretor de esportes do COB (Comitê Olímpico do Brasil). “Mas o que importa é que após 31 de dezembro, esta conta zera. Os números são apenas uma referência, mas claro que ficamos satisfeitos com a avaliação do ano”, completou Bichara.

Um ponto que deixa os dirigentes mais otimistas é que o quadro desenhado nos últimos três anos demostra que é praticamente nula a chance do Brasil sofrer o chamado “efeito Grécia” em Tóquio, embora não seja possível assegurar que conseguirá superar aquela que foi até hoje sua melhor campanha em uma Olimpíada, justamente em 2016, quando foi a sede do evento: 19 no total, sendo sete de ouro, seis de prata e seis de bronze.

Mas o que seria o tal “efeito Grécia”?

Os Jogos de Atenas-2004 se transformaram, infelizmente, em um parâmetro para tudo o que não se deve fazer para uma cidade receber a Olimpíada. Contas superfaturadas, dívidas impagáveis e arenas legadas às moscas, Atenas deu uma aula de como não se organizar uma Olimpíada. E obviamente que o desastre também refletiria no desempenho esportivo.

Pegando como base os Jogos realizados a partir dos anos 2000 – quando não tivemos boicotes e a nova geopolítica internacional já estava estabelecida, após o fim da União Soviética – nenhuma outra nação que recebeu a Olimpíada teve uma queda tão brusca de rendimento do que a Grécia. Confira os números:


Austrália

Atlanta-1996

Sydney-2000

Atenas-2004

41 (5º)

58 (4º)

50 (4º)






Grécia

Sydney-2000

Atenas-2004

Pequim-2008

13 (20º)

16 (17º)

4 (48º)






China

Atenas-2004

Pequim-2008

Londres-2012

63 (3º)

100 (2º)

88 (2º)






Brasil

Pequim-2008

Londres-2012

Rio-2016

15 (18º)

17 (16º)

19 (13º)

Neste quadro, é possível fazer uma análise sobre o desempenho de Austrália, Grécia, China e Brasil, na edição anterior, quando foi sede e nos Jogos seguintes. Se a China, que já era uma potência olímpica antes de Pequim-2008, consolidou-se ainda mais como o segundo gigante do esporte olímpico mundial, atrás apenas dos Estados Unidos, tendo uma leve queda no total de medalhas entre 2008 e Londres-2012

Uma situação semelhante acontece com a Austrália, que na última década manteve no top 5 do quadro de medalhas, embora tenha sofrido uma queda de rendimento nos últimos anos, tanto que terminou em oitavo na Rio-2016, quando obteve 29 pódios.

Já o caso da Grécia demonstra em números uma visível decadência esportiva. Caiu de um 17º lugar nos Jogos de 2004, com 16 medalhas, para um sofrível 48º, com apenas quatro pódios. Na Rio-2016, melhorou um pouquinho só (subiu para seis medalhas), ao ficar em 39º no quadro geral.

A curva do Brasil, pelo contrário, é ascendente. Saiu de um 18º em Pequim (15 medalhas) para o 16º em Londres (17) e atingiu o ápice no Rio de Janeiro, com o 13º lugar e 19 medalhas conquistadas. 

Embora seja natural esperar uma queda de rendimento nos Jogos de Tóquio, um aspecto joga a favor dos brasileiros: a entrada das novas modalidades no programa olímpico. A conhecida supremacia brasileira no skate e no surfe, dois destes novos esportes, poderá ser fundamental para confirmar a tendência do ciclo olímpico e alcançar uma campanha no Japão mínimo igual a do Rio de Janeiro.

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