Efeito Baggio: por que Marquinhos errou último pênalti de Brasil x Croácia

"Se errar, acabou". A frase, repetida nas transmissões a cada vez que um jogador tem uma penalidade a bater e tem que acertar o gol para que sua equipe siga viva na disputa de pênaltis, apareceu no jogo da eliminação do Brasil contra a Croácia, na sexta. O zagueiro Marquinhos era quem não podia errar... e errou. E o "efeito Baggio" é um dos responsáveis pelo erro do brasileiro.

Roberto Baggio é o famoso camisa 10 italiano do fim da década de 80 e começo da de 90. O pênalti que ele não podia errar foi o da final da Copa de 1994, contra o Brasil. Ele isolou por cima da trave e o Brasil foi tetracampeão. Um levantamento do GLOBO em todas as disputas de pênalti da história das Copas até 2018 mostra que essa situação é a pior possível para o batedor.

A história das Copas mostra que de fato bater uma penalidade que vale a sobrevivência de sua seleção é tarefa complicada. Nesta situação, só 42% dos batedores conseguiram fazer o gol, com Baggio pertencente à maioria que errou. No geral, o índice de acerto em penalidades em disputas como a de Brasil x Croácia é de 70%.

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NAS COPAS

Índice de acerto de pênaltis até 2018:

Disputa de pênaltis: 70%

Quando se perder, acaba: 42%

Quando se fizer, acaba: 95%

Mas ainda que Marquinhos superasse a estatística e marcasse o gol, a vaga dificilmente mudaria de mão. Bastava o quinto cobrador croata acertar a cobrança que nunca aconteceu. Os dados coletados em jogos de Mundiais mostram que nas 19 vezes que um jogador precisou bater um pênalti para classificar ou dar um título a seu time, 18 vezes a bola entrou no gol antes da celebração. A grosso modo, seguindo esses dados, o batedor croata teria 95% de probabilidade de vencer Alisson, o goleiro brasileiro. A explicação é científica:

— Quando o jogador acumula um nível muito alto de energia de ativação, ou seja, o aumento da ansiedade, tende a acontecer uma queda da concentração e um prejuízo nas ações neuromotoras. Portanto, quando você está sob um forte impacto emocional, existe uma tendência da gente não reproduzir movimentos que a gente treinou em condições normais. Esses desvios podem ser cruciais em momentos decisivos para o acerto e para o erro — explica João Ricardo Cozac, psicólogo do esporte.

Nas três primeiras disputas de pênalti na Copa de 2022, a tendência se mostrou certo. Em Japão x Croácia, pelas oitavas de final, o japonês Yoshida desperdiçou a primeira cobrança na situação de "se perder acabou". Em Espanha x Marrocos, a cavadinha certeira do marroquino Hakimi foi na situação mais confortável, de que fizesse, a fatura estaria liquidada.

A exceção foi em Argentina x Holanda, onde o "efeito Baggio" não deu as caras. Weghorst e de Jong acertaram as cobrança quando poderiam errar e dar adeus, e Enzo Fernández, o jovem argentino, errou quando podia decidir a vaga. Coube a Lautaro Martínez cobrar a quinta e última cobrança para os argentinos.