Educador físico ajuda na criação da primeira liga de atletas transplantados

Educador físico Ramon Lima é um dos idealizadores da Liga Nacional de Atletas Transplantados (Foto: Arquivo Pessoal)
Educador físico Ramon Lima é um dos idealizadores da Liga Nacional de Atletas Transplantados (Foto: Arquivo Pessoal)

Por Guilherme Faber (@fabergui) e Matheus Brum (@matheustbrum)

Entre 2010 e 2020, 124.730 brasileiros e brasileiras receberam transplantes de órgãos, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos. Após o transplante, o paciente precisa passar por um processo de acompanhamento para saber se o organismo vai se acostumar com o novo órgão.

Algumas pessoas conseguem se passar tão bem por esse processo que podem retornar a uma vida comum. Ou, até mais: serem esportistas. Para quebrar as barreiras e os mitos que existem em torno de quem é transplantado, foi criada no início de 2022 a Liga Nacional de Atletas Transplantados.

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Um dos idealizadores é o educador físico Ramon Lima, de 40 anos. Em 2020 ele fez o transplante de rim. Este, aliás, é o tipo mais comum de transplante no Brasil, com 68,7% dos procedimentos totais. Após o processo médico, o profissional se recuperou e retomou uma das paixões: a corrida de rua.

“Vi no esporte uma maneira de divulgar a doação de órgãos e desmistificar a ideia de que transplantado é alguém com muitas restrições e que não pode se exercitar", explicou Ramon ao Yahoo Esportes.

No início, conta o educador, foi difícil. “Foi preciso superar limites e medos. Apenas depois de conhecer atletas transplantados percebi que poderia percorrer o caminho do esporte, que já fazia parte de mim", revelou.

Após conhecer outras pessoas transplantadas e que realizam atividades físicas, Ramon e outras pessoas resolveram fundar a Liga. O objetivo é reunir ainda mais atletas que são transplantados.

Para participar das competições que são realizadas no Brasil, a Liga estabelece que podem participar atletas entre 4 e 80 anos, que tenham sido transplantados há pelo menos um ano. Para isso é preciso estar clinicamente apto e ter treinado para os eventos inscritos.

Um dos novos desafios é representar o Brasil no World Transplant Games, uma espécie de Jogos Olímpicos para atletas transplantados. O evento vai ocorrer em abril de 2023, em Perth, na Austrália.

"Sempre pratiquei esportes. A partir da descoberta dos jogos voltados ao público que recebeu um órgão, senti vontade de competir e mostrar que os transplantados têm condições físicas de disputar eventos esportivos. Hoje não vejo meu dia a dia sem atividade física e sem pensar em como melhorar a divulgação da doação de órgãos”

No Mundial serão disputadas as seguintes competições: Atletismo, Badminton, Basquete, Ciclismo, Dardos, Golf, Boliche na grama, Petanca, Corrida de rua, Futebol de Seis, Sprint Triathlon, Squash, Natação, Tênis de mesa, Boliche, Tênis e Vôlei.

A participação no evento depende, exclusivamente, dos atletas. Por isso alguns já começaram campanhas de arrecadação online, para que outras pessoas ajudem nos custos.

Esporte é importante para transplantados

De acordo com o médico nefrologista e coordenador do Serviço de Transplante Renal do Hospital Universitário Cajuru em Curitiba, Alexandre Bignelli, quanto mais atividade física for feita por quem passou pelo procedimento, menor é a chance de uma nova internação.

"Os transplantados, que se exercitam internam menos, voltam mais rápido ao trabalho e à vida social e refletem em mais qualidade de vida", explicou.

Bignelli ainda disse que um estudo da Universidade Nacional Yang-Ming, em Taiwan, mostrou que cientistas coletaram dados sobre a saúde e a frequência de práticas aeróbicas de 4,5 mil pacientes com perda das funções dos rins. Notou-se que ao cruzar as informações a prática de exercícios fez diminuir 17% o risco de evoluir para fases mais graves da doença.

Por isso o médico destaca a importância de aumentar o número de doadores, para que cresça o número de pessoas transplantadas. Atualmente, segundo o Ministério da Saúde, 53,2 mil pessoas aguardam por um órgão.

“Acredito que seja preciso o entendimento da população sobre a importância de se declarar doador de órgãos. Esse gesto pode salvar vidas de pacientes como o Ramon, que ressignificou a vida após receber um novo rim”, finalizou Bignelli.

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