Eduardo Baptista: 'Nossa torcida é como mulher bonita. Temos de oferecer uma rosa por dia'

Fellipe Lucena e Thiago Ferri

Eduardo Baptista sempre soube que não teria vida fácil no Palmeiras. Aos 46 anos e com um currículo que ainda está começando a ser preenchido, ele assumiu uma equipe que acabara de sagrar-se campeã brasileira nas mãos de um treinador renomado e identificado com a torcida e que ganhou reforços importantes para 2017. Qualquer coisa que não seja título será um fracasso. Mas, aos poucos, Eduardo está se fazendo respeitar.

- A torcida do Palmeiras é como uma mulher bonita. Todo dia você tem que oferecer uma rosa para ela. Se puder fazer 4 a 0, excelente, a torcida vem fácil. Mas no dia que estiver difícil você tem que mostrar garra, persistência, qualidade, não ficar rifando bola. Nós conquistamos até agora. Hoje, é outra rosa bonita que você tem que dar para eles, para essa mulher bonita. É uma conquista diária - disse.

O jogo de hoje será contra o Audax, às 16h, no Allianz Parque. Uma vitória garante ao Palmeiras o primeiro lugar geral do Campeonato Paulista e mantém o time em uma ótima toada: são seis vitórias e um empate nos últimos sete jogos. A última derrota foi para o Corinthians, jogo que elevou muito o barulho das cornetas, mas que o treinador considera um divisor de águas.

Os 40 minutos de conversa com o LANCE! no início da noite da última quinta-feira revelaram um técnico que está longe de ser centralizador. Eduardo creditou o gol de cabeça que Felipe Melo marcou contra o Mirassol aos analistas de desempenho do Palmeiras, que alertaram para uma fragilidade defensiva do rival em bolas alçadas para o meio da área. Preparadores físicos, fisioterapeutas e fisiologistas foram exaltados quando o tema era o fôlego que o time vem mostrando. Alexandre Mattos, Cícero Souza e o presidente Maurício Galiotte foram elogiados por deixar a imensa pressão da porta para fora.

Mas o comandante também sabe reconhecer os próprios méritos. Nesta conversa, contou o que faz para manter motivados todos os atletas do elenco, alguns experientes e consagrados, mesmo que seja impossível dar sequência a todos. Ele também mostrou-se observador ao citar diversos lances que foram treinados e conversados e que se repetiram, com sucesso, nos jogos.

Veja nas linhas abaixo:

LANCE!: Você é conhecido por ser um treinador bastante estudioso. O que faz para se aperfeiçoar?

Eduardo Baptista: Tem alguns livros muito interessantes. Tem o do Guardiola, o do Simeone. Procuro buscar na literatura e ver jogo. Ver jogo é uma grande ferramenta. Esse curso da CBF é um grande passo, é muito interessante pelas disciplinas que tem, mas quando o dia acaba é que começa aquela que talvez seja a melhor parte. Ele vai das 8h às 18h e depois você pode trocar experiência com mais 50 treinadores. Além de todos os livros que eu li, esses anos que passei na CBF foram muito enriquecedores.

Você estava neste curso em dezembro. Alguma coisa já deu para aplicar aqui?

Você vê coisas que já conhece, mas com um olhar diferente, discute com escolas diferentes. Às vezes, são as mesmas coisas, mas feitas de forma diferente. É o que eu busco, não fazer o mesmo treino sempre. Treino com o mesmo objetivo, mas procuro diversificar. Isso a gente encontra. Por exemplo, formas de marcar, uma pressão diferente. A gente teve aulas com a escola alemã, com a portuguesa, a italiana. Foram muito ricos. Não foge muito do que é feito aqui, mas você vê com métodos diferentes. Eu me formei agora e tem mais o "pró" que eu devo começar esse ano também. A turma tinha eu, Zé Ricardo, Roger, Mancini, Adilson Batista, Moacir Junior... Eram 80% de caras que vão disputar Libertadores, o Brasileiro das Séries A, B e C. Todo dia você tinha troca de informação. Às vezes a gente ficava conversando no jantar e eu ia para o meu quarto às 23h30, meia-noite. Sentava numa roda, conversava, discutia futebol. Para mim foi uma experiência muito boa.

E dura quanto tempo?

Esse curso leva dois anos. Mas você faz em dezembro, por 15 dias. Fiz em dezembro de 2015 e 2016. Aí você tem que cumprir mais 200 horas por internet. Tem algumas matérias obrigatórias que você vai fazendo durante o ano.

Dá tempo para se dedicar a isso em meio a treinos e jogos?
É difícil, mas algumas matérias são lances de jogos. Eu tinha um trabalho para desenvolver sobre a montagem de uma pré-temporada. E eu estava dentro de uma pré-temporada (risos). O meu planejamento eu só transferi para aquilo e entreguei. Me ajudou bastante também. Não são coisas muito complexas. São coisas do dia a dia, ficou mais fácil.

Esses trabalhos são avaliados por alguém?

Tem nota, sim. O curso é da CBF, mas a organização é da Universidade de Viçosa, então tem professores. O curso é muito interessante mesmo, tudo organizado. Agora eu tenho que entregar a minha tese e no meio do ano recebo minha carteirinha da licença A. E nesse ano mesmo eu começo a categoria pró.

Já sabe qual foi a nota da sua pré-temporada?

Espero que seja 10, né? Não recebi ainda (risos). Esse curso já não é mais só da CBF, já virou da Conmebol, e estão brigando para unificar com a Uefa. A ideia é que a partir de 2019 nenhum treinador que não tenha pelo menos a licença A possa trabalhar. Vai obrigar todo mundo a se especializar.

Qual será o tema da sua tese?
Sistema defensivo. Eles sortearam na hora, não era optativo. Eu tinha que pegar um sistema defensivo e discorrer sobre ele, por onde você começa, métodos de treino, onde esse sistema é vulnerável e as correções, onde é mais forte... Bem legal.

Você citou os livros do Simeone e do Guardiola. São dois estilos diferentes. Você gosta mais de ver o time de qual deles?

Quando a gente fala de sistema defensivo, eu gosto do Atlético de Madrid. A compactação das duas linhas, o comprometimento, a agressão. No sistema ofensivo, é o Guardiola, ele tem coisas diferentes e a gente tenta buscar. Estamos acompanhando a dificuldade dele na Inglaterra agora, é diferente do futebol alemão, do espanhol, e ele está tentando quebrar alguns paradigmas. A gente vai acompanhando e vai vendo como ele vai fazendo isso, está sofrendo, você vê que o time ora tem a cara dele ora não tem. Ele está tentando mudar.

Dá para montar um time com a defesa do Simeone e o ataque do Guardiola?

Dá para fazer. Treinando, dá. Você precisa ter um time comprometido. Na época do Guardiola, qual era o sistema defensivo do Barcelona? Não tinha. Era um time que não errava passe, todo mundo jogava. Perdeu a bola? Pressão. Roubava a bola rápido e ia jogar de novo, então não tinha um sistema definido, ao meu ver. Não é que marcava no 4-4-2, no 4-3-3. No Atlético de Madrid, você tem jogadores que talvez não tenham a mesma qualidade daqueles do Barcelona, mas têm comprometimento, força. Equilibrar as características é um pouco difícil, mas dá para você ter um sistema bem sólido como é o de um e com qualidade como o de outro.

Mas aqui no Brasil é um pouco complicado tentar impor ideias como essas, certo? Pelos jogadores disponíveis, pelo calendário, a impaciência...
Para você fazer um trabalho ofensivo como o do Guardiola você precisa de tempo. Você vai sofrer no início. No Barcelona, não era o Guardiola. Lá o menino de oito anos já é formado para ter essa qualidade. Para fazer no Brasil você tem de correr alguns riscos, pode ter maus resultados no início. E no Brasil, com maus resultados, você é punido e perde o emprego. Essa impaciência em tudo, aquela pressa pelos resultados, talvez impeça um futebol assim. O que eu penso? Organiza primeiro a parte defensiva, ajusta, e aí você parte para a ofensiva.

























Então você priorizou o sistema defensivo nesses primeiros meses de Palmeiras? Sabemos que uma das suas primeiras medidas foi mudar o tipo de marcação: era individual com o Cuca e passou a ser por zona com você.
Quando você chega em um clube, principalmente em um que foi campeão, você precisa conquistar a confiança dos atletas. E você não vai conquistar essa confiança se tomar muito gol. Se começa a tomar muito gol, gera desconfiança no trabalho, desconfiança individual. Eu vejo que o sistema defensivo é um caminho para você ter confiança. Mesmo no dia em que você jogar mal você não vai tomar gol, aí você não vai perder. Eu coloquei a preocupação de dar um padrão defensivo à frente, sim. Compactar as linhas, ser agressivo. Mesmo sem ter aquela agressividade de uma marcação individual, agredir por setor, trabalhar com as linhas mais altas. Estamos tendo uma resposta boa, para aí então você ir para a parte ofensiva, soltar um pouquinho mais, porque aí você vai ter o jogador confiante. E sistema defensivo não é só quando você não tem a bola. Mesmo jogando, você já está armando uma defesa por trás pra prever uma perda de bola e já estar próximo, o que a gente chama de transição defensiva.

Você acha que essa prioridade ao sistema defensivo pode ter sido a causa das dificuldades criativas que o time teve contra Corinthians e Jorge Wilstermann, times que se fecharam muito? O ataque ainda precisa de mais tempo de treino?

A gente vai ter que buscar. Mas principalmente no jogo do Wilstermann a gente teve uma maturidade muito grande. Você vai encontrar times que se fecham, a bola não entra. Às vezes não é falha ofensiva, é mérito do seu adversário que monta uma linha de oito ali e você não consegue ultrapassar. Ou, quando consegue, não faz o gol. Contra o Jorge Wilstermann nós tivemos três chances reais de gol na pequena área e não fizemos. Mas em nenhum momento nos desesperamos. Aquele desespero de quando dá 20 minutos do segundo tempo, a bola não está entrando e você começa a alongar, jogar na área para os caras tirarem. Tivemos essa maturidade. Lógico que precisa de algumas movimentações, algumas diagonais, acelerar um pouco. Não sei se vocês acompanharam, no treinamento de hoje (quinta) tinha uma linha de cinco marcando a gente lá atrás. Ficar com a bola e ter paciência não significa morosidade. Vamos ficar com a bola aqui atrás? Vamos, mas acelera a bola, faz ela chegar de um lado e do outro. Chegou do lado direito, fechou? Gira rápido e vamos para o lado esquerdo. Você precisa movimentar as linhas para abrir espaço e conseguir entrar. Isso a gente busca no treinamento para evoluir. Estamos aqui há três meses já, mas para esse tipo de maturação ainda é pouco tempo. A gente está caminhando.

Duas situações nos chamaram a atenção nos últimos jogos. Na Vila, o Palmeiras sai perdendo, mas não apela para os chutões, põe a bola no chão e vira o jogo. Contra o Mirassol, o Prass optou sempre por sair jogando pelo chão. É o seu trabalho dando resultado?

É trabalho nosso, conversa do dia a dia. Para o Prass fazer esse passe, se você observar, teve um lance (contra o Mirassol) bem nítido. Quando a bola volta para o Antônio Carlos, o Edu já está quase no pau da bandeirinha lá atrás. Então o Prass recebe a bola com opção. Se não tiver opção, vai acabar quebrando. Nós temos zagueiros que conseguem sair, então a ideia é sair com ela jogando. Contra o Santos também. Tomamos o gol? Calma. O momento era do Santos, mas mantivemos a calma, fizemos o nosso gol, o Santos deu uma recuada, deu campo para a gente e nós tentamos jogar. No nosso primeiro gol, nós estávamos com os dois zagueiros e uma linha de três homens por trás. O Jean era o terceiro homem nessa linha. A bola vem para o Bruno Henrique, o Jean está encaixado nele, rouba, faz a transição e faz o gol. No gol do Willian, a bola está do lado esquerdo, a gente faz ela girar para o outro lado, cria uma situação de um contra um e o Róger faz a jogada. Isso é uma cobrança que a gente tem feito. Situação de um contra um próximo da área não tem que tocar para ninguém mais. Nós temos jogador para tentar enfrentar. É uma coisa que a gente bate e fizeram. Então você vai trabalhando e já, já dá o conjunto. Aí não vai precisar cobrar mais, as coisas acontecem naturalmente.

Dá para dizer que hoje o Edu Dracena é titular?

Difícil falar. Você tem o Vitor Hugo com uma velocidade imensa, bola parada boa, Seleção Brasileira. Não dá para cravar um titular. Nós começamos o ano com Mina e Vitor, mas o Edu está jogando. Eu não posso falar que um é titular, porque aí vou estar freando os caras que estão trabalhando. O Edu está em uma fase física e técnica muito boa. Temos o Mina, o Vitor, o Antônio Carlos ainda está crescendo. Ele é mais, está um pouquinho tímido, ainda se adaptando. Ele tem 23 anos, vejo um espaço muito grande para evoluir. Nessa posição estamos muito bem servidos.

Na recente sequência de quatro pedreiras, o Palmeiras jogou quase o tempo todo com um a menos contra o Tucumán e não perdeu, além de ter feito gols em cima da hora contra Wilstermann e Santos. O time parece estar voando fisicamente. Está acima da média?
Não sei avaliar os outros, mas estamos em uma condição física muito boa. Esse é um upgrade que essa estrutura e os profissionais que estão nela nos trazem. Fisicamente vivemos um grande momento. O Rafael não tinha jogado nenhuma partida oficial, jogou contra o Mirassol e foi bem, correu, marcou. Olhando a parte defensiva, toda vez que nós perdíamos a bola, a gente conseguia roubar de novo. É roubar a bola roubada, como a gente chama. Os caras roubaram da gente? Nós roubamos deles também. Para isso você precisa ter condição física, explosão. É um trabalho que a gente tem feito, no comando do Omar (Feitosa, preparador físico), do pessoal da fisiologia e da fisioterapia que dá o feedback para a gente. O Tchê Tchê treinou em um dia, no outro dia eles nos disseram que não estava em um grau legal e nós seguramos. Tivemos uma lesão muscular no ano, do Fabiano. As outras foram de joelho, tornozelo, traumas que fogem do seu controle. Esse é um trabalho importante. Você mantém o cara jogando. Se o cara se machuca muito ele nunca vai estar bem fisicamente. Se ele não se machuca, você pode tirar quando aparecer um grau diferente de cansaço, mas ele vai estar sempre em uma crescente.

Você já disse que um de seus méritos é conseguir manter o elenco todo preparado e motivado. É o que te deixa mais satisfeito no trabalho até agora?

Eu fico muito feliz por ter todo mundo brigando. Eu reparo em alguns detalhes: em todos os nossos gols o banco inteiro sai para comemorar. Temos 23 jogadores no campo, 11 jogando e 12 fora, e os 12 correm para comemorar. Isso prova que está todo mundo competindo. Não é só um trabalho meu. O Alexandre (Mattos) tem muito nisso, a parte da fisioterapia, da fisiologia. Todo mundo cuida desse ambiente, os próprios jogadores. E a gente dá oportunidade a todos. Nós fizemos um treinamento aqui e posicionams o time sub-17 da maneira que vai jogar o Audax. Nem todos que estavam aqui vão jogar contra o Audax, mas a atenção foi dada. Quem entrar, sabe o que tem de fazer. A gente procura ser justo. Vai errar, vai acertar, tem jogo que a substituição não vai dar certo, mas estou tentando fazer tudo da melhor maneira.

Antes do jogo contra o Santos isso também aconteceu. Mesmo com vários titulares fora do treino, você simulou o que o time encontraria na Vila. É para manter a motivação de todos em alta?

A ideia é essa. "Pô, aquele jogador entrou e cumpriu bem a função". É porque ele treinou. Não é mágica, não é sorte. O Guedes começou como titular, perdeu um pouquinho, o Keno subiu. Mas ficamos brigando com ele, pegando no pé dele, "vamos, vamos". O Guedes voltou, deu assistência contra o Wilstermann, contra o Santos deu duas assistências, fez um grande segundo tempo contra o Mirassol. Aí você vai escolher o melhor.











O quanto é importante já ter uma ideia de como o adversário vai se portar diante do Palmeiras?
Nós vamos pegar um Audax um pouquinho diferente do time do ano passado, que se fecha em uma linha de cinco, é bem compacto, difícil de passar. Criamos algumas situações para quebrar isso. Na hora que você consegue induzir o adversário a uma movimentação e tem sucesso é prazeroso demais. Contra o Mirassol isso aconteceu, mérito da análise de desempenho, que estuda os gols do adversário. Eles falaram: "Olha, eles têm uma dificuldade com bolas no meio da área". Foi onde o Felipe fez o gol. As bolas eram metidas ali. Tinha uma movimentação no primeiro pau para induzi-los, e sempre alguém entrando pelo meio. Isso foi trabalhado. Aquela bola deveria ir no meio, onde eles tinham tomado alguns gols. Você vê o gol e, na hora, você dá risada. Pô, que legal.

Você já teve que ouvir a torcida gritando o nome do Cuca e te cobrando. Nos últimos jogos, percebe-se que está conquistando a arquibancada. Concorda?
Essa conquista é jogo a jogo. A torcida do Palmeiras é como uma mulher bonita. Todo dia você tem que oferecer uma rosa para ela. Contra o Wilstermann, a torcida entendeu que estava todo mundo brigando, sem desistir, buscando o resultado. Eles vieram junto com a gente. É lógico que se você puder fazer 3 a 0, 4 a 0, excelente, a torcida vem fácil. Mas no dia que estiver difícil você tem que mostrar garra, persistência, qualidade, não ficar rifando bola. Nós conquistamos até agora. Sábado, é outra rosa bonita que você tem que dar para eles, para essa mulher bonita. É uma conquista diária.


Os clássicos contra o Corinthians, em que nada deu certo, e contra o São Paulo, em que tudo funcionou, são divisores de águas até agora?
O divisor de águas é o jogo do Corinthians. As coisas estão acontecendo tão bem para a gente neste início que até a derrota acaba sendo boa no contexto geral. Nós tiramos muitas lições. Você ser um time paciente não quer dizer ser moroso. A bola tem de rodar rápido, isso a gente tomou de lição. A grande virtude do Palmeiras foi não abandonar as convicções no momento difícil, não achar que estava tudo errado. Continuamos trabalhando e contra o São Paulo chegamos preparados, sabíamos que seria um jogo difícil, eles vinham em grande momento, fazendo muitos gols, com futebol envolvente. Conseguimos jogar e marcar o São Paulo, provamos que estamos no caminho certo com nossas convicções.

Quem vive o dia a dia percebeu que a derrota para o Corinthians não mudou em praticamente nada a rotina de vocês, mesmo que externamente a pressão estivesse enorme. Como conseguir isso?
O Alexandre, o Cícero e o presidente fazem um trabalho incrível aqui. A pressão que está lá fora não entra aqui. Eu procuro não escutar os comentários, nem na hora boa e nem na ruim. Procuro focar aqui. Vocês que estão aqui diariamente viram que o trabalho continuou. E veem que agora ninguém está empolgando soltando rojão. Estamos felizes, claro, mas na mesma batida de trabalho. Essa blindagem é fundamental. Hoje, o clube que não tem essa blindagem não consegue se manter. Se essa pressão vem aqui para dentro, quebra tudo. Você não consegue segurar, troca jogador, troca comando... É importantíssimo o trabalho do Alexandre nesse momento. "Faz o que vocês pensam que a gente segura". E foi assim, estamos evoluindo, e graças também a esse trabalho.

Sua outra experiência em time grande, no Fluminense, não foi boa. Por que?

São times diferentes. No Fluminense a gente tinha um time muito jovem, com meninos subindo. Começamos com uma proposta de dar oportunidades aos meninos. Perdemos jogadores importantes, como o Jean, que saiu de 2015 para 2016. Se ele é importante aqui, imagine lá. Nós começamos uma renovação, e toda renovação requer tempo. Aqui, eu já tinha um time pronto. Se não estava totalmente pronto, já tinha um esqueleto para começar. Lá eu tinha que remontar uma equipe com jovens, que era a proposta. O Fluminense tinha uma dificuldade, como tem hoje com o Abel, tinha que lançar os meninos porque financeiramente tem alguns problemas. O resultado não veio e eles acabaram optando pela troca. Acabei saindo no início de março, com dois meses só de trabalho.

O torcedor do Palmeiras está ansioso para ver aquele Guerra do Atlético Nacional. Em qual estágio ele está?

O Guerra jogou no futebol colombiano, onde se faz 50 jogos por ano. Aqui, falei para ele, podemos fazer 82. É muito jogo. Às vezes o jogador faz grandes jogos, e no seguinte começa bem e depois do intervalo acaba caindo. Vai muito dessa adaptação. Nosso calendário é uma loucura. Nessas últimas semanas, fizemos um jogo com tudo que você possa imaginar na Argentina, três dias depois fizemos um clássico contra o São Paulo, depois pegamos um time da Bolívia em casa, com pressão para ganhar, três dias depois um clássico contra o Santos. Para um jogador que não está acostumado a vivenciar isso é muito difícil manter uma regularidade. Mesmo assim, ele faz grandes jogos. Contra o Santos ele teve momentos importantes na parte defensiva. Na frente estava errando um pouquinho, porque sentiu, um campo pesado. Ele está evoluindo ainda, mas já é muito importante para a equipe. Ele faz a equipe andar, aparece nos espaços. A gente tem que ter paciência para ele evoluir.





Fala-se muito sobre as entrevistas e o jeitão do Felipe Melo. Acha que isso acaba ofuscando a boa fase que ele vive?
O Felipe Melo vive um grande momento. Às vezes as pessoas estão mais preocupadas com o grito que ele dá, com o carrinho que ele dá. E todo mundo dá. As faltas que eu vejo as pessoas mostrando, muito jogador faz pior. Mas ninguém fala, porque criou-se isso em volta dele. Talvez isso ofusque um pouco o bom momento dele. Estamos jogando só com ele de volante, e ele dá conta, consegue marcar e consegue ser um dos articuladores. Vive grande momento, e acho que esse gol será importante para ele. Mas ele é desse jeito, ele chama para ele. É um cara do bem, que gosta de futebol. Dentro do vestiário ele é sensacional, os caras gostam dele. Na hora que coloquei o Vitinho, não sei se vocês viram, foi o primeiro cara a chegar nele, dar a mão. É legal ver isso em um cara experiente, dando confiança para um menino de 18 anos. Ele é muito importante para nós, mais um líder que o Palmeiras tem.

Outro jogador que os torcedores querem muito ver é o Vitinho. O que falta para ele começar a jogar com frequência? E como você trabalha a base? O Alan Guimarães, por exemplo, logo vai estar gerando ansiedade também.

O Vitinho começou a pré-temporada muito bem, teve oportunidades, respondeu bem. Mas o elenco do Palmeiras é muito qualificado, tem jogadores experientes. À medida que esses jogadores foram ganhando condição, equiparou um pouquinho. A gente tem um pouquinho de cuidado com o Vitinho para que ele possa evoluir. Fisicamente ele já evoluiu bastante, taticamente também, tecnicamente tem evoluído, e vai começar a ganhar oportunidades em breve. Quanto à base, é diário. Hoje (quinta) treinamos com o Vitão. O Alan ainda tem 17 anos, é uma criança ainda, tem que tomar cuidado. Ele vai estar com a gente aqui, a gente olha diariamente. A gente fica um pouquinho chateado com o regulamento (limite de 28 inscritos). Não pude levar nenhum menino da base contra o Mirassol. O Paulista é dos melhores estaduais que tem, mas na hora de levar um Vitão você fica amarrado. O Alan conheço da Copa São Paulo, acompanhei bem, tanto ele quanto o Artur, que está no Novorizontino. A gente observa.


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