Edmundo relembra relação com Eurico: 'O tinha como pai e ele me tinha como mercadoria'


A relação entre Edmundo e Eurico Miranda sempre foi a das mais intensas nos tempos de Vasco, tanto de forma positiva como negativa. Anos depois, o ídolo do Vasco relembrou a convivência com o ex-presidente do clube, afirmou que o respeita, mas cita uma pequena decepção.

- Eu o tenho com o maior respeito, carinho e consideração. O tenho como um pai. Eu tenho um filho chamado Edmundo Júnior que só não se chamou Eurico porque a minha esposa na época não deixou. Tinha uma verdadeira admiração e respeito por ele. Ele não está mais aqui para se defender, é chato, mas ao longo do tempo eu vi que ele fazia por conveniência. O tinha como pai e acho que ele me tinha como mercadoria - afirmou em entrevista ao canal "Atenção Vascaínos".

Edmundo também relembrou da polêmica com Romário, quando voltou ao Vasco em 1999 e, pouco depois, o baixinho se juntou ao clube. O ex-jogador afirma que Eurico mentiu sobre a duração do contrato do camisa 11 e ainda lhe deu a faixa de capitão.

- Quando voltei da Itália, ele me chamou em 1999. Ele me fez uma proposta idêntica à que eu ganhava na Itália, me fez um contrato de cinco anos. Logo em seguida que voltei, ele trouxe o Romário e me enganou dizendo que era um contrato de três meses. E não era. Deu a faixa de capitão. Parece vaidade, as pessoas podem pensar que é coisa de criança, mas não é. Fui convencido a voltar. Teve o Mundial, perdi o pênalti, tive oportunidade de voltar para a Itália, para a Lazio (...) Porque eu quis ir embora, não queria conviver com o Romário, me senti traído. E tinha também o jeitão do Romário, que pegou a faixa de capitão e pegou a bola para bater o pênalti. Enfim, besteira de que hoje faria completamente diferente, mas minha mágoa ficou no fato de ter voltado da Itália e ter ficado 11 meses - desabafou.

O ex-jogador também relembra sua saída para o Santos, por empréstimo, revelando que Eurico teria lhe obrigado a assinar um documento e desistir da dívida que o Vasco tinha com ele. Entretanto, Edmundo ressalta que sente apenas gratidão pelo dirigente, que faleceu em 2019.

- Ele me levou ao Calabouço para me emprestar ao Santos e me obrigou a assinar um documento que tenho até hoje abrindo mão dos salários que eu tinha para receber. Eu tive uma relação sentimental e me senti tratado como uma mercadoria. Acho que o ponto é esse. Não tenho mágoa, gostaria muito de ter reatado a amizade com ele. Você vê uma pessoa morrer e não poder se despedir é muito ruim. Não guardo coisas ruins no meu coração, só tenho gratidão. Você passa a entender que é mercadoria mesmo. Que o sentimento você tem que ter pelos seus filhos, por sua família e alguns amigos. Me perco nas palavras porque de maneira nenhuma eu quero ser leviano ou desonesto. Tinha uma relação que achava que era mútua e não era - encerrou.








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