É preciso tirar o microfone dos jogadores antivacina da NBA

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
·7 minuto de leitura
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Kyrie Irving durante jogo da última temporada da NBA (Foto: Steven Ryan/Getty Images)
Kyrie Irving durante jogo da última temporada da NBA (Foto: Steven Ryan/Getty Images)

*Originalmente publicado no Yahoo Sports, em 27 de setembro

Infelizmente, algumas estrelas da NBA têm tido palco para proferir, em alto e bom som, muita desinformação e ideias sem sentido, no que se parece um resquício das últimas campanhas presidenciais dos Estados Unidos.

Kyrie Irving, Bradley Beal e Andrew Wiggins deram declarações indigestas, que soaram incoerentes, incompletas e impensadas e tiraram temporariamente o foco do aumento drástico do número de casos de COVID-19 na Filadélfia.

Em função de decretos das cidades de Nova York e São Francisco, Irving e Wiggins não poderão jogar nos seus respectivos ginásios se não estiverem vacinados. Beal foi infectado com COVID-19 alguns meses atrás e, felizmente, se recuperou. No entanto, a experiência só serviu para fortalecer sua decisão de não se vacinar, já que não há essa obrigação em Washington, D.C.

Leia também:

As declarações desses jogadores ganharam tanta atenção que deixaram em segundo plano o fato de que 90% dos jogadores da NBA receberam a vacina contra a COVID-19. Essa é uma porcentagem mais alta do que a verificada na população geral dos Estados Unidos, mas menor do que a porcentagem de 99% da WNBA.

Cabe a nós parar de amplificar esse tipo de declaração.

Os hospitais dos estados americanos estão ficando cada vez mais cheios com predominância de pessoas não vacinadas, levando ao limite as equipes, os recursos e o moral dos trabalhadores da saúde que estão na linha de frente. Com isso em mente, a NBA não deveria usar a taxa geral de vacinação como referência.

A maioria dos jogadores tomou a decisão certa, especialmente à luz da obrigatoriedade da vacinação dos funcionários instituída pelo comando da liga e pelas equipes. Quando jogadores importantes são tão contundentes em suas objeções, fica parecendo que a maioria deles está nadando contra a corrente, quando a realidade é exatamente o oposto.

A associação dos jogadores não fechou questão quanto à obrigatoriedade. É fácil imaginar os prováveis grandes nomes, já conhecidos, e outros ainda desconhecidos que estão envolvidos nisso.

Como essa é uma liga de estrelas, existe uma forte inclinação a apresentar uma visão que não é exatamente verdadeira, mas que deve ser levada a sério pela NBA e pela NBPA. As maiores vozes são aquelas que sentem que tem o capital — literal e simbólico — para falar.

Não pode ser uma mera coincidência que Irving receba US$ 34 milhões nesta temporada; Beal, US$ 34 milhões; e Wiggins, US$ 31 milhões.

"Por favor, respeite minha privacidade", disse Irving pelo Zoom, como se ser infectado pelo coronavírus fosse um assunto privado, não algo que pode vir a matar outro ser humano.

Irving não pôde participar presencialmente do Dia da Mídia, e fontes da liga acreditam que Irving vai acabar tomando a vacina, citando a influência de Kevin Durant, seu amigo próximo e colega de equipe.

"Isso não significa que eu estou colocando condições para estar com a equipe", disse Irving mais tarde.

É quase irresistível dar destaque aos contrários à vacinação, mas essas pessoas deveriam ser ignoradas, mais do que ridicularizadas. Os rebeldes sem causa parecem estar encantados com o som de sua própria voz, de forma podem chamar de "gado" o resto do mundo por tomar uma vacina que salva vidas.

Qualquer coisa que se pareça remotamente com seguir regras virou sinônimo de gado para os anarquistas, que jogam coquetéis molotov em prédios cheios, mas se escondem na hora de responder pelos seus atos.

"Definitivamente, estou encurralado", declarou Wiggins a repórteres no Dia da Mídia dos Warriors. "Mas vou continuar lutando pelo que acredito. Aconteça o que acontecer, seja tomar vacina, seja não tomar vacina, quem sabe? Eu vou continuar lutando pelo que eu acredito e pelo que considero ser certo. O que é certo para uma pessoa não é certo para outra e vice-versa."

Os jogadores da NBA têm se posicionado como líderes em pautas cívicas. Por isso, não é possível separar algumas de suas declarações entre privadas e públicas em meio a uma situação como essa. Irving pode ser elogiado pelo seu bom trabalho até agora e pelas intenções, mas isso não quer dizer que ele deve ser seguido cegamente — ou mesmo escutado sempre que quiser falar.

"Os jovens continuam digerindo um excesso de informações. Eles acessam o Google e pensam que encontram todas as respostas ali. É confuso, eu entendo isso", disse um treinador para o Yahoo Sports. "Nem tudo é uma conspiração ou uma armação. Nem tudo tem a ver com 'eu, eu, eu'. E as outras pessoas ao redor, você não pensa nelas?".

O técnico afirmou que a taxa de vacinação da sua equipe está próxima da média da liga. Se tivesse que aconselhar um jogador ainda não vacinado e indeciso sobre o que fazer, segundo ele: "Eu diria o que sei. Quando nós éramos jovens, a vacina da gripe estava começando a ser aplicada, e nós tomamos. E eu perguntaria: 'Como eu posso ajudar na sua segurança e das pessoas próximas a você?' Eu tenho que confiar que você vai fazer a coisa certa. Mas isso exige muita confiança".

Os graduados pela Universidade do YouTube e os brilhantes historiadores que transitam entre frases favoritas, como "Estudo de Tuskegee" e "Estou pesquisando por conta própria", parecem não entender muito bem de nenhum desses assuntos — usam essas frases feitas só para calar os contrários, como se estivessem se preparando para retomar suas pesquisas de laboratório altamente qualificadas.

No entanto, ao dar espaço a eles, estamos entregando o que eles buscam. Eles têm acesso aos melhores médicos do mundo a quem recorrem para qualquer coisa, de um simples resfriado a uma contusão no joelho, mas aparentemente descobriram algo que os maiores cientistas do mundo não conseguiram.

Os jogadores que afirmam que "blogueiros que nunca pegaram numa bola de basquete" não sabem o que estão fazendo ao criticá-los agora usam a mesma tática com ciência, mas dessa vez a situação envolve vida ou morte.

Ah, a ironia.

É difícil encontrar uma pessoa que não tenha sido afetada pela COVID-19, que não conheça alguém que ficou gravemente doente ou morreu por causa desse vírus cruel. Ele não discrimina ninguém, então, é difícil entender que alguém como Wiggins seja capaz de olhar nos olhos do ex-colega de equipe Karl-Anthony Towns com prepotência e dizer: "Eu sei mais do que você", quando Towns perdeu a mãe e vários familiares nos primeiros dias da pandemia.

As desculpas são bem variadas, desde uma declaração de Beal voltada para jogadores que tiveram efeitos colaterais negativos após tomar a vacina até uma minimização da sua própria experiência com a COVID-19, como se perder o olfato não fosse punição suficiente.

Dar voz a essas pessoas é o nosso erro. A crença de que podemos envergonhar homens assim para que eles façam a coisa certa para si mesmos e seus colegas de equipe é uma tolice. Eles escolheram um lado no ringue e estão prontos para lutar, mesmo que não tenham grandes golpes para dar.

Podemos jogar toneladas de fatos e evidências incontestáveis sobre eles, mas parece que isso não surte efeito.

Essa situação se parece com um exercício que fizemos alguns anos atrás, quando alguém pegava o microfone de qualquer um que oferecesse e inundava o mercado com uma retórica perigosa para depois surfar na onda gerada até chegar à Casa Branca, em vez de ser tratado como alguém sem legitimidade e descartado como um palhaço que é.

Fomos ensinados a documentar sempre que uma pessoa pública se dirige aos gritos para uma multidão e preservar esse conteúdo, mesmo que seja para rir.

Mas os tempos mudaram e as pessoas estão mais vulneráveis a acreditar em informações desqualificadas. Então, temos que parar de dar importância a esses que estão gritando no microfone. Mesmo que não seja possível mudar a cabeça dessas pessoas, é possível reduzir os danos.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos