E(L!)eições-SP - Marina Helou: 'Quero levar o esporte principalmente às regiões mais precárias da cidade'

Gabriel Santos*
·7 minuto de leitura


Com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas, Marina Helou, candidata da Rede à Prefeitura de São Paulo, diz que, se eleita, quer levar o esporte para várias regiões da cidade e integrar as práticas esportivas juntamente com a educação, saúde, assistência social e acessibilidade. A deputada estadual de 33 anos, eleita em 2018 com 39.839 votos, é formada em administração pública.

Marina Helou é a terceira entrevistada do LANCE! no especial de eleições municipais de São Paulo. As entrevistas começaram na última sexta-feira (30) e vão até 12 de novembro. Para realizar a série, o L! enviou oito perguntas iguais para todos os concorrentes que vêm fazendo campanha a respeito dos seus projetos e desafios com os quais se depararão no esporte na capital paulista. A ordem de publicação será de acordo com o recebimento das respostas pelo L!.

Confira abaixo a entrevista com a candidata da Rede:

LANCE! - Por que deseja se candidatar à Prefeitura de São Paulo?
Marina Helou - Em uma cidade com o tamanho e a importância de São Paulo, seja para seus habitantes, seja para o país e até para o mundo, eu considero que precisamos de uma candidatura que esteja preocupada com a população, sem deixar de lado os impactos ambientais e a preocupação com a sustentabilidade. Estamos diante de uma realidade incontestável sobre a finitude dos recursos ambientais. Então, é necessário encontrar novas formas de gerar valor para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Precisamos de uma candidatura que se preocupe em buscar um novo modelo de desenvolvimento para a cidade. Mas não só isso. É preciso que a cidade reconheça seus erros de planejamento que nos trouxeram até aqui, com um crescimento desordenado, pautado em uma lógica machista, elitista e racista. Isso resultou em uma oferta extremamente desigual dos serviços públicos. Precisamos reconhecer esses erros e corrigi-los com esse novo modelo de desenvolvimento, possibilitando que a cidade seja mais inclusiva, participativa, democrática, saudável e menos desigual. Finalmente, acredito que precisamos de mais mulheres na política, pois somente assim vamos conseguir enfrentar a lógica da desigualdade de gênero presente em toda sociedade, principalmente nos espaços de poder.
Percebi que nenhuma das candidaturas colocadas representava esse conjunto de necessidades. Resolvi então aceitar o desafio e me lançar candidata a prefeita. Porque acredito que é desse projeto que São Paulo precisa.

L! - Qual será a relevância do esporte em seu plano de governo? Haverá alguma preocupação que o desenvolvimento do setor nas categorias de base e de alto rendimento?
O esporte é fonte de saúde, resgata a dignidade, contribui na formação das crianças e dos adolescentes, reduz o stress e o sedentarismo, melhora a qualidade de vida dos idosos e propicia o encontro entre as pessoas e das pessoas com a cidade e a natureza. Todo espaço público pode ser um equipamento de esporte recreativo e de lazer, desde que preparado com infraestrutura e logística necessárias. Essa é minha proposta: levar o esporte principalmente às regiões mais precárias, de forma integrada com a educação, a saúde, a assistência social e a acessibilidade. O esporte de alto rendimento será incentivado principalmente pelo fortalecimento e melhoria do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, para que os jovens e as categorias de base tenham as condições necessárias para evoluir na prática esportiva.

L! - Qual será o critério para a escolha do seu secretário de esportes?
O(a) Secretário(a) de esportes será escolhido(a) a partir de critérios técnicos, sendo alguém que já tenha experiência na área e que esteja alinhado(a) com a visão que eu tenho para o esporte e lazer na cidade.

L! - Caso eleita, como lidará com os impactos da pandemia de Covid-19. Qual é o seu planejamento para assegurar que a população possa gradativamente retomar suas atividades físicas com segurança em relação aos índices do vírus?
A atual gestão da prefeitura poderia ter lidado melhor com o controle da pandemia. Uma atuação descentralizada na área da saúde e próxima da população teria sido melhor, sendo capaz de diagnosticar os casos, monitorar e rastrear as pessoas contaminadas, encaminhando para os hospitais somente os casos graves. Além disso, a atuação da prefeitura não está sendo boa quanto à flexibilização e retomada de algumas atividades (como shoppings e bares), enquanto os parques e áreas de esporte e lazer continuam fechados. Com o controle adequado da pandemia, por meio de uma atuação descentralizada na saúde, é possível que a população retome suas atividades físicas nos locais abertos, sem correr riscos.

L! - Pensa em promover campanhas de incentivo para que as pessoas do "grupo de risco" façam exercícios físicos em suas residências?

A importância do esporte é ainda maior para as pessoas do chamado grupo de risco da pandemia, principalmente os idosos. Para esse grupo de pessoas, a prática de atividade física é essencial para a manutenção da saúde e da qualidade de vida. Enquanto houver restrição para a realização de atividades em ambiente públicos, deve sim haver estímulo para que elas sejam realizadas com segurança, inclusive dentro de casa. Portanto, essa iniciativa receberá minha atenção, enquanto durar as medidas de isolamento social.

L! - A pandemia afetou sensivelmente a rotina dos grandes clubes da cidade. Acredita que a Prefeitura possa contribuir de alguma forma para que as agremiações se recuperem economicamente? Como?
Assim como a Prefeitura pode ajudar as empresas e comércios que tiveram queda na suas arrecadações, é possível repensar a forma a cobrança do IPTU, bem como utilizar de outras formas de benefício fiscal, enquanto a situação não for totalmente normalizada, com relação às empresas e clubes que foram atingidos pela pandemia. Isso seria uma forma do poder público estimular o distanciamento social (para que as empresas também estimulem seus funcionários a ficar em casa), enquanto a situação não for totalmente controlada, bem como de buscar melhorar a situação de quem está sofrendo com as quedas de arrecadação. Essa medida vai reforçar a necessidade da prefeitura ter uma atuação firme no incentivo ao distanciamento e às boas práticas sanitárias, como forma de atuar pela saúde de toda população.

L! - Como pretende traçar o planejamento para a volta de público aos estádios e ginásios na cidade?
A volta do público aos estádios e ginásios deve observar as recomendações da área de saúde e somente deverá ser autorizada quando os índices de contaminação da doença estiverem controlados a ponto dessa reabertura ser segura para os frequentadores, atletas e equipes técnicas. Como dito anteriormente, pretendo desenvolver uma atuação descentralizada na área da saúde e próxima da população para de diagnosticar os casos, monitorar e rastrear as pessoas contaminadas, pois considero que essa é a medida mais efetiva de controlar a pandemia. Essa será a minha atuação, de modo a permitir que a situação em breve se normalize e o público possa voltar a frequentar os centros esportivos.

L! - Caso eleita, o autódromo de Interlagos seguirá sendo gerenciado pela Prefeitura ou haverá concessão à iniciativa privada?
Alguns aparelhos públicos na cidade de São Paulo representam um alto custo para a Prefeitura e muitas vezes não têm um uso coerente para a população de uma forma geral. Acredito que o Autódromo de Interlagos seja um ótimo exemplo sobre isso. Com alto custo de manutenção, ele é utilizado poucas vezes por ano e majoritariamente para eventos caros e que excluem boa parte da população. Não tenho amarras em reconhecer que a iniciativa privada pode desempenhar um bom papel na administração desses espaços, desde que a concessão seja feita de modo a garantir o interesse público e a preservação do meio ambiente. No caso do autódromo, é possível fazer a concessão, liberar o caixa da prefeitura do seu alto custo de manutenção e ainda estipular condições que garantam que a população da cidade possa utilizar partes da sua estrutura para atividades de esporte e lazer de forma gratuita.

QUEM É ELA
Nome completo:
Marina Medeiros Helou (Rede)
Número na eleição: 18
Data e local de nascimento: 25/08/1987, São Paulo (SP)
Vice: Marco Dipreto

* Sob supervisão de Vinícius Perazzini