E(L!)eições-SP - Joice Hasselmann: ‘Nenhum setor público tem vocação para tomar conta de autódromo’

Marina Bufon*
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Joice Hasselmann quer fazer em quatro anos o que os prefeitos não fizeram por São Paulo em 40. Uma das figuras mais presentes a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Roussef, do PT, em 2016, a deputada federal também tem grande influência nas redes sociais, tendo sido eleita pelo instituto ePoliticSchool (2017) uma das personalidades mais influentes e notórias da internet no âmbito da política.

Jornalista de formação, ela é autora do livro “Sérgio Moro: A História do Homem Por Trás da Operação que Mudou o Brasil”, sobre a Lava-Jato, e declarou apoio ao atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na época daquele pleito, com quem afirma não ter rompido relações, mesmo com problemas recentes, em outras entrevistas.

Joice Hasselmann é a oitava entrevistada do LANCE! no especial de eleições municipais de São Paulo. As entrevistas com os candidatos começaram a ser publicadas no dia 30 de outubro e têm previsão para seguir até 12 de novembro. Para realizar a série, o L! enviou oito perguntas iguais para todos os concorrentes que vêm fazendo campanha a respeito dos seus projetos e desafios com os quais se depararão no esporte na capital paulista. A ordem de publicação será de acordo com o recebimento das respostas pelo L!.

Confira abaixo a entrevista com a candidata do PSL:

LANCE!: Por que deseja se candidatar à Prefeitura de São Paulo?
Joice Hasselmann -
Decidi me colocar à disposição dos moradores de São Paulo porque há muito tempo eles não têm um prefeito com vontade de ser prefeito, com energia e coragem para fazer as mudanças que a cidade precisa. São Paulo está minada pela corrupção, temos máfias instaladas por toda a parte, até nos setores mais improváveis, como creches. Como alguém tem coragem de roubar dinheiro de creches? Os administradores não primam pelo interesse da sociedade, a sociedade mais carente, só ficam vendo os grandes negócios que a cidade pode propiciar. Estou disposta a trabalhar dia e noite para resolver em quatro anos o que ninguém fez nos últimos quarenta.

L!: Qual será a relevância do esporte em seu plano de governo? Haverá alguma preocupação que o desenvolvimento do setor nas categorias de base e de alto rendimento?
A prefeitura deve estimular a prática esportiva e já tem uma rede de apoio significativa, com centros esportivos municipais importantes em toda a cidade e em escolas. Porém ela é muito mal tratada. Está decadente, com pouca manutenção, com equipamentos quebrados, com uso precário e sujo. É hora de dar uma polida em toda essa área de esporte e em todos os equipamentos públicos, para que funcionem bem. É desta forma que se estimula, tanto as categorias de base, que são os jovens, e entre eles há grandes talentos, como também na área de alto rendimento. Nesse caso, já é uma dedicação mais especializada, e os clubes podem desempenhar um papel até mais importante do que a prefeitura. Os clubes têm papel muito forte na preparação de atletas para competições, e é importante a prefeitura ter um bom relacionamento com os clubes, estimulando, oferecendo prêmios e até quem sabe incentivos fiscais para que pratiquem e capacitem o esporte de alto rendimento.

L!: Qual será o critério para a escolha do seu secretário de esportes?
Os critérios serão competência e experiência. As duas coisas fundamentais. Tem que ser competente porque precisa ser uma pessoa que conheça. Não adianta por lá uma pessoa muito bem intencionada, um grande esportista, mas que não tenha nenhuma competência administrativa ou do ponto de vista de liderança. E ao mesmo tempo tem que ter experiência. Tem que ser uma pessoa que signifique alguma coisa ele mesmo, do ponto de vista do esporte. Que ele estimule as pessoas a se interessarem pelo esporte. E, sobretudo, um amor muito forte pela área e vontade de trabalhar. Aliás, esses são critérios que vou usar em todas as secretarias: competência, experiência e vontade de trabalhar.

L!: Caso eleito, como lidará com os impactos da pandemia de Covid-19. Qual é o seu planejamento para assegurar que a população possa gradativamente retomar suas atividades físicas com segurança em relação aos índices do vírus?
Logicamente, isso foge à área esportiva propriamente dita, está mais ligada à regulamentação federal, estadual e à Secretaria de Saúde do município, mas o fundamental é respeitar os protocolos, é fazer com que a sociedade tenha um nível educacional de entender bem que essas coisas, apesar de chatas, são muito necessárias, para evitar contaminação e danos maiores. É uma questão sobretudo de seguir as regras e estimular as pessoas a respeitar essas regras. Por isso o esporte é muito interessante. Eles vão respeitar as regras do jogo e as regras da prefeitura e da vida. Fundamental que o lado educativo do esporte seja aprimorado. E campanhas educacionais que garantam que a sociedade entenda o que está sendo exigido delas.

L!: Pensa em promover campanhas de incentivo para que as pessoas do "grupo de risco" façam exercícios físicos em suas residências?
A partir do momento que se pede que essas pessoas fiquem em casa, devem sim ser estimuladas a fazer exercícios em casa. Hoje há aulas on-line de todo o tipo, até educação física. Ainda que hoje para grupos de risco a grande solução é a caminhada, que efetivamente permite que o idoso possa praticar, a não ser em caso de restrição severa, mas isso é algo que não precisa de nenhum grande programa, oneroso, para estimular a pessoa, devidamente paramentada com máscaras, a praticar exercícios em parques e arredores da sua residência.

L!: A pandemia afetou sensivelmente a rotina dos grandes clubes da cidade. Acredita que a Prefeitura possa contribuir de alguma forma para que as agremiações se recuperem economicamente? Como?
A pandemia afetou, sim, a rotina dos grandes clubes da cidade, e eu acho que vão se recuperar naturalmente. Os clubes são muito importantes na cultura de São Paulo, seja clube esportivo ou social. Eu acho que não vai haver necessidade de nenhum apoio financeiro específico da prefeitura, basta que haja uma certa tolerância em relação à estrutura de pagamento de dívidas que as vezes os clubes têm. Com um pouco de tolerância e um pouco de paciência, acho que os clubes vão sair das dificuldades pelos seus próprios méritos, mas o que a prefeitura puder fazer para ajudar, vai fazer.

L!: Como pretende traçar o planejamento para a volta de público aos estádios e ginásios na cidade?
Somente com a superação da pandemia. O respeito aos protocolos e fazer com que o ambiente esportivo não seja excludente, do ponto de vista de custo, de preço, de acesso, de segurança. E essas coisas a prefeitura tem que fazer e sabe fazer.

L!: Caso eleita, o autódromo de Interlagos seguirá sendo gerenciado pela Prefeitura ou haverá concessão à iniciativa privada?
Não tenho a menor dúvida de que deve ser concedido à iniciativa privada. É um equipamento que se bem gerido pode dar um grande retorno para o concessionário, para o investidor. Nenhum setor público tem vocação para tomar conta de autódromo. A prefeitura tem que fazer a superestrutura. Temos que ter competência para educação, saúde, segurança, oferecer bem-estar para a sociedade em todos os níveis. O dinheiro originado da privatização será aplicado em saúde para a população, convertê-lo em medicina integral para sociedade paulistana, um uso nobre e de responsabilidade específica do município.

QUEM É ELA
Nome completo:
Joice Cristina Hasselmann (PSL)
Número na eleição: 17
Data e local de nascimento: 29 de janeiro de 1978, em Ponta Grossa (Paraná)
Vice: Ivan Sayeg

*Sob supervisão de Vinícius Perazzini