E(L!)eições-SP - Antonio Carlos: 'Propomos a luta contra as privatizações'

Marina Bufon*
·6 minuto de leitura


Participante da militância política por mais de 40 anos, Antonio Carlos Silva, de 58 anos, é o candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PCO (Partido da Causa Operária). Natural de Petrópolis, no Rio de Janeiro, mora há mais de três décadas na capital paulista e é professor da rede pública estadual.

O candidato ainda participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), é membro da executiva nacional do PCO e um dos responsáveis pela Corrente Sindical Causa Operária. Entre as defesas de seu plano estão a luta por investimentos públicos no esporte a partir das escolas e universidades públicas e a proposta de “privatizar” clubes de futebol, que seriam colocados sob o controle de torcedores e sócios.

Antonio Carlos é o quarto entrevistado do LANCE! no especial de eleições municipais de São Paulo. As entrevistas começaram na última sexta-feira (30) e vão até 12 de novembro. Para realizar a série, o L! enviou oito perguntas iguais para todos os concorrentes que vêm fazendo campanha a respeito dos seus projetos e desafios com os quais se depararão no esporte na capital paulista. A ordem de publicação será de acordo com o recebimento das respostas pelo L!.

Confira abaixo a entrevista com o candidato do PCO:

LANCE! - Por que deseja se candidatar à Prefeitura de São Paulo?
Antonio Carlos - Para nós do PCO, a candidatura não é uma escolha pessoal. Trata-se de uma tarefa militante, como muitas outras, na qual companheiros são destacados para representar o Partido e defender sua política (e não os planos individuais). Somos candidatos de partido e não um partido de candidatos. Minha indicação pelo partido está ligada à minha militância de quase 40 anos, nos quais, entre outras coisas, fui fundador do PT, na década de 80 (de onde fomos expulsos em 90), fundador e membro da Executiva do PCO por mais de duas décadas e um dos organizadores da luta contra o golpe de 2016 (referindo-se ao impeachment da presidente Dilma Rousseff), contra a prisão e pela liberdade de Lula e por Fora Bolsonaro.

L! - Qual será a relevância do esporte em seu plano de governo? Haverá alguma preocupação que o desenvolvimento do setor nas categorias de base e de alto rendimento?
O programa do PCO defende a luta por pesados investimentos públicos no esporte a partir das escolas e universidades públicas, no momento em que há um enorme retrocesso nesse setor, uma vez que nada que seja de interesse da população trabalhadora é visto como uma prioridade. Para que a elevação no nível esportivo brasileiro não seja algo artificial, é preciso massificar a prática esportiva, criando-se condições para tanto, com pesados investimentos, a partir das escolas. A quantidade, como acontece no futebol, onde temos milhões de praticantes no esporte, gera qualidade. E uma qualidade de verdade e não apenas um “negócio” para os ganhos e deleite de uma pequena minoria.

L! - Qual será o critério para a escolha do seu secretário de esportes?
Defendemos um governo dos trabalhadores, o que significa um governo dos conselhos operários e populares, no qual os cargos de secretários (ou equivalentes), diretores etc. devem ser escolhidos pelos setores dos trabalhadores envolvidos. No caso, pelos jogadores, trabalhadores do esporte, torcedores etc. e suas organizações próprias.

L! - Caso eleito, como lidará com os impactos da pandemia de Covid-19. Qual é o seu planejamento para assegurar que a população possa gradativamente retomar suas atividades físicas com segurança em relação aos índices do vírus?
O tratamento dado pelos governos da direita nas três esferas é criminoso, estamos diante de um genocídio, com mais de 153 mil mortos “oficiais”. Não há testes em massa, não há atendimento adequado para a população; precisamos de pesados investimentos na saúde, de melhoria das condições de trabalho e salários dos trabalhadores da saúde. É preciso reverter, por meio da mobilização popular, com conselhos populares da saúde e outras organizações de luta, esse quadro em que os recursos públicos vão parar nos cofres dos banqueiros sanguessugas e outros especuladores. A pressão pela reabertura nos esportes, escolas etc. não leva em consideração os reais interesses da população, mas apenas os interesses dos grupos empresariais que controlam o esporte e isso precisa ser revertido. Colocando tudo sobre o controle de que trabalha e constrói a riqueza d nossa cidade e do País.

L! - Pensa em promover campanhas de incentivo para que as pessoas do "grupo de risco" façam exercícios físicos em suas residências?
O poder público não só deve promover tais campanhas, como criar condições adequadas para que isso seja possível. Assim, é preciso mobilizar a população e os conselhos populares para exigir essas condições, principalmente nos bairros operários e populares, por meio da criação de espaço públicos adequados, academias públicas, contratação de milhares de profissionais que tem nas escolas públicas, que devem ser abertas à comunidade.

L! - A pandemia afetou sensivelmente a rotina dos grandes clubes da cidade. Acredita que a Prefeitura possa contribuir de alguma forma para que as agremiações se recuperem economicamente? Como?
Defendemos a “privatização” dos clubes, que eles sejam colocados sob o controle dos torcedores e sócios dos clubes, e não das máfias de cartolas e patrocinadores que os controlam em defesa de seus interesses. Os clubes não devem sofrer intervenção do Estado e da Justiça, e menos ainda estarem sob o controle dos grandes monopólios das comunicações (como é o caso da TV Globo), dos materiais esportivos, etc, que ganham bilhões e mantém, cada vez mais, o esporte longe do acesso do povo e das torcidas.

L! - Como pretende traçar o planejamento para a volta de público aos estádios e ginásios na cidade?
Isso e tudo mais que diga respeito ao esporte precisa ser decidido pelos conselhos populares do setor, com a participação e deliberação das torcidas, sindicatos dos atletas, funcionários dos clubes, etc. Colocar os interesses da população acima dos interesses dos bancos e grandes monopólios que pressionam pela reabertura.

L! - Caso eleito, o autódromo de Interlagos seguirá sendo gerenciado pela Prefeitura ou haverá concessão à iniciativa privada?
O PCO se opõe e denuncia a política criminosa de entrega do patrimônio público, construído pelo trabalho e recursos do povo paulistano, para a iniciativa privada, a fim de garantir seus lucros. Propomos a luta contra as privatizações e pelo cancelamento das já realizadas (Nota da redação: A gestão do Complexo Esportivo do Pacaembu foi repassada para a iniciativa privada em setembro de 2019, em medida assinada pelo prefeito Bruno Covas (PSDB).

QUEM É ELE

Nome completo:
Antonio Carlos Silva (PCO)
Número na eleição: 29
Data e local de nascimento: 11/11/1962, em Petrópolis (RJ)
Vice: Henrique Áreas

* Sob supervisão de Vinícius Perazzini