E(L!)eições-RJ - Delegada Martha Rocha: 'Bolsa Atleta Rio estimulará a profissionalização de atletas'

Jonas Moura e Vinícius Faustini
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Candidata do PDT à Prefeitura do Rio de Janeiro, a Delegada Martha Rocha propõe utilizar o esporte como uma ponte entre os setores de educação e a saúde, e projeta parcerias que garantam atividades esportivas e culturais para estudantes da rede municipal de ensino, com atenção especial sobre o legado dos Jogos Rio-2016.

Décima-primeira entrevistada da série do LANCE! sobre as eleições na capital fluminense, a atual deputada estadual falou sobre os planos para a Bolsa Atleta Rio. Segundo ela, este projeto permitirá que os bolsistas desenvolvam, em paralelo aos treinamentos, atividades educativas e participação em eventos esportivos promovidos pela Prefeitura.

Para realizar esta série, o L! enviou dez perguntas - iguais, para todos os concorrentes que vêm fazendo campanha - a respeito dos seus projetos e desafios com os quais se depararão no esporte na Cidade Maravilhosa. A divulgação das entrevistas ocorre em ordem alfabética. Nesta terça-feira, será a vez de Paulo Messina (MDB) expor seus projetos.

LANCE!: Por que deseja se candidatar à Prefeitura do Rio de Janeiro?

Delegada Martha Rocha: Primeiro, porque amo minha cidade. Eu sempre trabalhei no setor público, servindo à população do Rio e atenta à qualidade desse atendimento. Comecei como professora primária, depois passei em dois concursos públicos, um para escrivã e outro para delegada. Me aposentei após mais de trinta anos de trabalho como policial civil e depois de chefiar mais de uma dezena de delegacias na cidade do Rio.

Como parlamentar, estou no segundo mandato. São experiências que serviram para que eu conhecesse profundamente cada canto da minha cidade, seus problemas, seus anseios, suas características, vocações e potenciais. Me preparei e me sinto capacitada para administrar a cidade do Rio de Janeiro. E represento, com muito orgulho, 2.654.315 mulheres que correspondem a 54,7% do eleitorado carioca nesta eleição histórica que elegerá a primeira prefeita da cidade do Rio de Janeiro.

L!: Qual será a relevância do esporte em seu plano de governo? Haverá alguma preocupação com o desenvolvimento do setor nas categorias de base e de alto rendimento?

O ciclo de grandes eventos esportivos não foi capaz de colocar o esporte no ponto mais alto do pódio. Foram rios de recursos públicos e privados, mas não houve o tal legado nem para a educação e muito menos para a saúde com a qualidade que o carioca merece. E ambos direitos fundamentais: educação e saúde têm no esporte uma intersecção. Para piorar, a atual administração reduziu em mais de 60% o custeio de atividades esportivas e recreativas. No nosso governo, o esporte terá esse papel fundamental de unir a educação e a saúde. Vamos ter parcerias com os clubes da inserção esportiva ao alto rendimento.

L!: Qual será o critério para a escolha do seu secretário de Esportes, se houver?

Terá um perfil técnico. Vai ser uma pessoa da área esportiva com a percepção de que a atividade, além de saúde e educação, é uma mola para o desenvolvimento econômico e social da nossa cidade.

L!: Caso eleita, a senhora lidará com os impactos da pandemia de Covid-19. Qual é o seu planejamento para assegurar que a população possa gradativamente retomar suas atividades físicas com segurança em relação aos índices do vírus?

Sou atualmente a presidente da Comissão de Saúde da Alerj e da Comissão Especial de acompanhamento da Covid-19. Na Prefeitura, seguiremos as orientações da ciência para que a cidade possa gradativamente retomar as atividades com segurança, até que tenhamos uma vacina que possa garantir a imunização de boa parte da população.

L!: Pensa em promover campanhas de incentivo para que as pessoas do "grupo de risco" façam exercícios físicos em suas residências?

O nosso programa integrado vai fazer o mapeamento das populações de idosos nas Unidades Básicas e realizar a capacitação de profissionais para um atendimento eficaz e humanizado à terceira idade. Claro que dentro da realidade sanitária numa ainda futura pós-pandemia. O programa contará com a formação permanente de cuidadores e agentes de saúde e incluirá a criação de uma agenda de conscientização e estímulo ao envelhecimento saudável. São eixos da nossa proposta para reforçar a atenção básica. A educação física tem que fazer parte ativa do programa Saúde da Família Carioca.

L!: A pandemia afetou sensivelmente a rotina dos grandes clubes cariocas. Acredita que a Prefeitura possa contribuir de alguma forma para que as agremiações se recuperem economicamente? Como?

Compreendemos a situação dos clubes e sua importância para a cidade. Financeiramente, a Prefeitura, infelizmente, está com dificuldades parecidas com as de alguns clubes devido às seguidas más gestões e suas irresponsabilidades fiscais recorrentes. Mas vamos usar a criatividade para superar essas crises juntos.

Faremos o mapeamento da capacidade instalada e ociosa dos clubes e outros lugares com instalações esportivas para termos parcerias que garantam atividades esportivas e culturais para alunas e alunos da rede municipal de ensino. Já que a volta do conceito dos Cieps, com escola em tempo integral e muito esporte no contraturno, é uma das nossas principais propostas para o Rio a partir de 2021.

L!: Como pretende traçar o planejamento para a volta de público aos estádios e ginásios na cidade?

Primeiro, que essa decisão não cabe apenas à Prefeitura. Há vários atores nesse contexto do retorno do público aos eventos esportivos. A CBF, por exemplo, já determinou que uma eventual volta da torcida no Brasileirão só acontecerá se ocorrer simultaneamente em todas as cidades que têm times disputando a competição. E, como disse antes, vamos respeitar as orientações das autoridades sanitárias.

L!: Qual é a opinião da senhora sobre a construção de um autódromo na Floresta do Camboatá, considerada o último remanescente de Mata Atlântica em terras planas na cidade, para receber grandes eventos do automobilismo, como a Fórmula 1?

Sou totalmente contra. Isto é um crime ambiental. É um escândalo como a situação vem sendo encaminhada pelo atual prefeito. Com tanta área na cidade, destruir uma floresta de Mata Atlântica é simplesmente abominável e criminoso.

L!: Como a senhora avalia a gestão do legado olímpico? Se eleita, quais os planos para uso das instalações olímpicas que estão sob gestão da Prefeitura, como a Arena Carioca 3 e o Parque Radical de Deodoro?

O legado olímpico foi mais um fiasco do ex-prefeito que agora é candidato de novo. Os equipamentos públicos estão se deteriorando porque o prefeito seguinte também não soube gerir direito esse patrimônio.

Depois de muito vai e vem e jogo de empurra, ficou para a Prefeitura gerir a Arena 3 e o Parque Radical. Em junho de 2018, chegou a haver uma parceria com o sistema S para a utilização de ambos, mas o acordo foi encerrado em outubro de 2019. A pista de BMX está abandonada, sem utilização pelos atletas brasileiros. O Parque Radical chegou a ser interditado após solicitação do Ministério Público Federal. Uma lástima. Vamos priorizar o uso desses equipamentos públicos também em conjunto com a nossa proposta de educação em tempo integral, com a volta dos Cieps, e com muita atividade esportiva para a criançada e os jovens cariocas.

L!: Qual deve ser o modelo de gestão do Maracanã e dos equipamentos esportivos no seu entorno?

O Maracanã é um equipamento estadual, mas defendo a utilização de modelos de parceria público-privada, desde que haja transparência e uma contrapartida social importante, com atividades ligadas às escolas públicas, tanto estaduais como as municipais.

BATE-BOLA

Pratica ou praticou algum esporte?

Faço caminhada. Agora na campanha, em um ritmo ainda mais intenso! (risos).

Time de coração: como boa filha de imigrantes portugueses, donos de padaria no Rio de Janeiro, sou Vasco da Gama!

Ídolo no esporte: Fernandão do Vôlei. Além de ser um atleta incrível, um excelente exemplo, é meu amigo pessoal.

Qual é sua lembrança mais forte ligada ao esporte?

A lembrança mais forte que tenho é a da Marta, a nossa craque da camisa 10 canarinho. Vê-la receber a medalha de melhor jogadora do mundo pela sexta vez foi incrível. Ela nos representa.

Qual legado pretende deixar à cidade do Rio de Janeiro na área do esporte?

A Bolsa Atleta Rio, que vai estimular a profissionalização de atletas que tenham se destacado. Os atletas bolsistas terão que desenvolver, em paralelo aos treinamentos, atividades educativas na rede municipal de ensino e participar de eventos esportivos promovidos pela prefeitura. Vamos reforçar a nossa vocação natural para o esporte, com coragem para fazer diferente, e melhor!

QUEM É ELA

Nome completo: Martha Mesquita da Rocha (PDT)
Data e local de nascimento: 30/04/1959 - Rio de Janeiro (RJ)
Vice: Anderson Quack (PSB)
Coligação: Unidos Pelo Rio (PDT / PSB)
Ocupação declarada: Deputada
Valor total em bens declarados: R$1.308.793,28