E(L!)eições-RJ - Clarissa Garotinho: 'Incentivar os esportes também é uma forma de cuidar das pessoas'

Jonas Moura e Vinícius Faustini
·10 minuto de leitura


Abrir caminhos para que o esporte seja transformador na rotina da população do Rio de Janeiro é uma das plataformas de Clarissa Garotinho. Candidata a prefeita pelo Partido Republicano da Ordem Social (PROS), ela propõe frentes de trabalho, como incentivo a projetos sociais e fomento ao desporto de alto rendimento nos centros esportivos.

Segunda entrevistada do especial do LANCE! de eleições municipais do Rio de Janeiro, Clarissa vê o Rio com "condições de construir uma nova história" em relação à forma como a Prefeitura utiliza as instalações olímpicas e fala em diálogo para definir a situação do autódromo em Deodoro.

Para realizar esta série, o L! enviou dez perguntas - iguais, para todos os concorrentes que vêm fazendo campanha - a respeito dos seus projetos e desafios com os quais se depararão no esporte na Cidade Maravilhosa.

A publicação será diária e em ordem alfabética. Nesta quarta-feira, será a vez do candidato Cyro Garcia (PSTU) discorrer sobre os desafios em torno do esporte no Rio e suas propostas para o setor.

LANCE!: Por que deseja se candidatar à Prefeitura do Rio de Janeiro?

Clarissa Garotinho: Quando disse aos meus amigos mais próximos que eu seria candidata a prefeita, muita gente falou: “Clarissa, isso é loucura! O Rio de Janeiro é hoje uma cidade cheia de dívidas, cheia de máfias”... Olha, vou falar a verdade: loucura é a gente continuar com o que está aí e esperar resultados diferentes.

Eu sou candidata a prefeita do Rio porque, assim como a maioria dos cariocas, estou cansada de viver em um lugar em que nada funciona. Me diga aí um hospital de referência na cidade, uma escola da rede pública municipal que seja de excelência. Não tem. No Rio, o transporte é caro e ineficiente. No Rio, esta Cidade Maravilhosa cheia de encantos, não se vive mais... A gente sobrevive todos os dias.

É por isso que eu quero ser prefeita. Para colocar essa cidade para funcionar. Não para fazer grandes obras que só servem para negociatas, não para inventar a roda, mas para fazê-la girar com eficiência. Quero ser prefeita para que a gente possa construir uma nova história para o Rio de Janeiro. Quero ser a alternativa que o carioca não teve em 2016.

L!: Qual será a relevância do esporte em seu plano de governo? Haverá alguma preocupação com o desenvolvimento do setor nas categorias de base e de alto rendimento?

Olha, sempre digo que perdemos uma grande oportunidade, nas Olimpíadas, de transformar a vida de muitas pessoas por meio do esporte. O ex-prefeito Eduardo Paes preferiu, à época, investir em obras faraônicas. Cadê o legado olímpico? Mas ainda temos tempo de reverter isso, de construir uma nova história. O placar está adverso, mas podemos revertê-lo.

Para isso, quero que o esporte no Rio seja desenvolvido em três frentes: vamos intensificar o lado educativo e social em escolas, projetos sociais e vilas olímpicas; queremos fomentar o desporto de alto rendimento nos centros esportivos; e vamos implantar um programa de base para iniciação do desporto de alto rendimento olímpico e paralímpico.

E mais: o eleitor pode ter certeza que, na minha gestão, a Prefeitura vai estimular a prática esportiva em todas as faixas etárias, promovendo o bem-estar físico, mental e social. Precisamos combater o sedentarismo, estimulando estratégias de iniciação à prática esportiva para idosos, jovens, crianças, pessoas com deficiência, etc. Isso terá reflexos nas filas dos hospitais também, com menos gente doente. Incentivar o esporte também é uma forma de cuidar verdadeiramente das pessoas.

L!: Qual será o critério para a escolha do seu secretário de esportes, se houver?

Quero formar, em todas as áreas, uma equipe que tenha alguns atributos que considero essenciais para enfrentar os problemas da cidade, e, na Secretaria de Esportes, não será diferente. Tem que ter coragem e inteligência, tem que trazer soluções inovadoras. Estou com 38 anos, ainda me considero jovem, mas acredito que a escolha dos meus secretários seja menos uma questão de idade do que uma forma de encarar os desafios da cidade. Se optarmos pelas mesmas pessoas que estiveram na Prefeitura nas últimas gestões, se não tivermos na equipe gestores pensando diferente, nada vai mudar.

Além disso, vou escolher um secretário de Esportes ligado à área esportiva, com especialização em gestão. Essa pessoa precisará seguir o lema que eu quero implementar em toda a Prefeitura: tem que colocar para funcionar o que não está funcionando! As Vilas Olímpicas estão largadas, os equipamentos públicos de esporte precisam se modernizar... Temos muito trabalho pela frente.

L!: Caso eleita, a senhora lidará com os impactos da pandemia de Covid-19. Qual é o seu planejamento para assegurar que a população possa gradativamente retomar suas atividades físicas com segurança em relação aos índices do vírus?

Meu compromisso é de que as decisões relacionadas à Covid-19 sejam tomadas sob orientação de um grupo formado por especialistas da área de saúde. Esse é um tema que merece decisões técnicas, não achismos. Agora, é claro que temos que seguir as nossas vidas. Em algum momento, precisaremos retomar uma certa normalidade. Solicitarei a esse grupo o desenvolvimento de um protocolo seguro para a retomada de atividades físicas. Se a vacina demorar mais um ano, por exemplo, precisaremos de soluções alternativas, mas seguras. A vida está sempre em primeiro lugar.

L!: Pensa em promover campanhas de incentivo para que as pessoas do "grupo de risco" façam exercícios físicos em suas residências?

Sim. Esse é o papel da Prefeitura. Vamos orientar a população, por meio de campanhas, sobre as melhores práticas, seja no convívio social, no transporte público, na área de saúde ou no esporte. É fundamental que as pessoas continuem se exercitando, mesmo que precisem adaptar suas casas para isso.

Por sinal, acho que o próprio prefeito deveria se exercitar mais, não ficar só sentado na cadeira do gabinete. Ele precisa trazer soluções que melhorem a vida do carioca durante a pandemia. O cidadão pode ter certeza: não serei uma prefeita que fica apenas atrás da mesas tomando decisões e assinando documentos. Quero estar na rua fiscalizando, cobrando da minha equipe, colocando as coisas pra frente. Chega de gestão "banho-maria".

L!: A pandemia afetou sensivelmente a rotina dos grandes clubes cariocas. Acredita que a prefeitura possa contribuir de alguma forma para que as agremiações se recuperem economicamente? Como?

A Prefeitura tem o dever de ajudar. Quando voltarmos à normalidade, quero utilizar espaços ociosos dos clubes para oferecer práticas esportivas à população, com contrapartidas do governo municipal. Podemos até licenciar temporariamente a execução de algumas atividades que auxiliem na arrecadação de impostos.

L!: Como pretende traçar o planejamento para a volta de público aos estádios e ginásios na cidade?

Repito: todas decisões relacionadas à Covid-19 serão tomadas sob orientação de um grupo de especialistas. Porém, a volta integral de público aos eventos só acontecerá após a vacinação em massa. Infelizmente, porque eu também queria ir com meu filho ao Maracanã, também gostaria de ir a uma quadra acompanhar as meninas do vôlei, mas não podemos nos colocar em risco nem colocar os outros em risco. Quando o momento permitir taxas de ocupações parciais, a autorização será decidida por esse grupo de especialistas.

L!: Qual é a opinião da senhora sobre a construção de um autódromo na Floresta do Camboatá, considerada o último remanescente de Mata Atlântica em terras planas na cidade, para receber grandes eventos do automobilismo, como a Fórmula 1?

Olha, essa questão é muito complicada de responder neste momento porque todo processo está sob análise da Justiça. Não abro mão de trazer a Fórmula 1 para a Zona Oeste do Rio. Esse evento representa, por corrida, R$ 361 milhões de impacto na economia. Quero que seja em Deodoro, onde é necessário criar mais oportunidades de emprego. Mas precisamos estudar com calma se não existe outra alternativa a não ser a que a atual gestão apresenta, de derrubar a Floresta do Camboatá.

Num momento tão delicado como o que estamos vivendo, quando sustentabilidade virou uma palavra de ordem, chega a ser um contrassenso a derrubada de milhares de árvores. Tem um espaço ali no Campo dos Afonsos, que é colado a Deodoro? Não podemos conversar sobre o terreno do Exército ali em Deodoro? Precisamos sentar e dialogar, mas com certa urgência. A cidade não pode esperar mais pelo seu autódromo.

L!: Como a senhora avalia a gestão do legado olímpico? Se eleita, quais os planos para uso das instalações olímpicas que estão sob gestão da Prefeitura, como a Arena Carioca 3 e o Parque Radical de Deodoro?

O legado olímpico foi tão mal planejado pelo Eduardo Paes que ganhou até o apelido de "largado olímpico". As arenas que virariam quatro escolas nem foram desmontadas até hoje. Vamos liderar esse processo. Convidaremos a iniciativa privada a participar, com o compromisso de que tanto o Parque Radical de Deodoro quanto a Arena Carioca 3 sejam espaços de desenvolvimento do esporte de alto rendimento, sem precisarmos fechá-los para utilização da população do entorno.

Mas a crítica mais contundente que eu faço ao legado olímpico é o fato de 51% das escolas públicas municipais não terem hoje quadra esportiva. Ou seja: a população ficou de lado dessa festa cara!

L!: Qual deve ser o modelo de gestão do Maracanã e dos equipamentos esportivos no seu entorno?

O Complexo do Maracanã pertence ao governo do estado. Então, o prefeito que for eleito não terá muita ingerência sobre esse tema. A minha opinião sincera é que o estádio tem que ser administrado por um clube de futebol. Não tem motivo para criar um intermediário nessa relação. Isso só encarece os custos. O Célio de Barros (estádio de atletismo) tem que ser reaberto imediatamente e entregue ao desporto de base. O Parque Aquático Julio Delamare também tem que voltar a ser espaço para treinamento e competições.

BATE-BOLA

Pratica ou praticou algum esporte?


Gosto de pedalar pela cidade. E, nessas ocasiões, sempre constato que o Rio é a Cidade Maravilhosa por excelência.

Time de coração: Fluminense. Mas estou tendo que dividir o meu coração com o Flamengo, porque meu filho, Vicente, de quatro anos, é torcedor roxo do Rubro-Negro. E filho, sabe como é?

Ídolos no esporte: a dupla de vôlei de praia Jackie e Sandra. Duas mulheres que admiro muito.

Qual é sua lembrança mais forte ligada ao esporte?

A final da Copa do Mundo de 1994.

Qual legado pretende deixar à cidade do Rio de Janeiro na área do esporte?

Resumidamente, posso dizer que quero deixar na área de esporte o mesmo legado que quero deixar para a saúde, para a educação, para o transporte. Quero que os serviços estejam funcionando. Nós, mulheres, temos muito essa visão. Cuidamos das pessoas, queremos as coisas ajeitadas nas nossas casas.

No esporte, pretendo que, ao final da minha gestão, todo carioca, seja ele criança, idoso ou pessoa com deficiência, esteja praticando uma atividade esportiva com a consciência de que o esporte contribui significativamente para o bem-estar físico, mental e social. Que os jovens que queiram encontrar no esporte uma carreira tenham local adequado e orientação técnica para desenvolver suas habilidades e que os atletas de alto rendimento que treinem em nossa cidade encontrem as melhores condições possíveis para as conquistas dos seus objetivos.

No fundo, o que eu quero é o que deseja aquele time que está perdendo no primeiro tempo e volta pro segundo com sangue nos olhos: quero virar esse jogo, construindo uma nova história para o Rio. E vamos conseguir!

QUEM É ELA

Nome completo: Clarissa Garotinho Barros Assed Matheus de Oliveira (PROS)
Data e local de nascimento: 02/07/1982 - Campos dos Goytacazes (RJ)
Vice: Jorge Coutinho (PROS)
Ocupação declarada: Jornalista e redatora
Valor total em bens declarados: R$ 151.485,37