‘É grave o que o presidente fez’, afirma jornalista e ativista negra acusada por Bolsonaro de disseminar fake news

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Somente em 2020, o presidente já fez 179 ataques à imprensa, segundo monitoramento da Fenaj. Foto: Reprodução
Somente em 2020, o presidente já fez 179 ataques à imprensa, segundo monitoramento da Fenaj. Foto: Reprodução

Texto: Flávia Ribeiro | Edição: Nataly Simões

Jornalista, escritora, ativista e pesquisadora, Bianca Santana foi surpreendida ao ser citada e acusada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, de disseminar fake news. “Sou jornalista desde 2003 e nunca vivi nenhuma acusação desse tipo”, revela Bianca, em entrevista ao Alma Preta.

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Bianca soube que o seu nome havia sido citado ainda durante a live por duas pessoas diferentes e pensou que seria algo relacionado aos seus textos. “Isso foi um dia após o julgamento da federalização do caso de Marielle. Um dia antes, eu havia escrito sobre as relações da família dele com a milícia acusada de assassinar Marielle. Tenho escrito sobre isso com frequência” comenta a jornalista, mencionando o assassinado da vereadora Marielle Franco.

“Tem uma tal de Bianca Santana aqui, uma blogueira, né? ‘PT tem propaganda barrada pelo TSE, fake news’, dizendo que era mentira. Na verdade é que foi proibido, né, pelo TSE, uma campanha do Haddad, dizendo que Bolsonaro votou contra lei brasileira de inclusão de pessoas com deficiência. A minha esposa tem um trabalho nesse sentido. Qual o objetivo? Na teoria é uma coisa, na prática é outra. Fake news”, disse Jair Bolsonaro, em uma live realizada nas redes sociais na quinta-feira, 28 de maio.

Além de colunista de várias revistas, Bianca Santana é doutora em Ciência da Informação, integrante da Uneafro Brasil e colaborou com a articulação da Coalizão Negra Por Direitos. Atualmente, se dedica à estruturação do Instituto de Referência Negra Peregum. “Fica uma sensação de que o momento que vivemos no Brasil é muito grave. É gravíssimo que o presidente da República fale em um pronunciamento das redes dele o nome e sobrenome de uma jornalista acusando de fake news, atribuindo a manchete de algo que eu nunca escrevi. Este país ainda tem leis, e estou estudando quais medidas eu posso tomar”, desabafa Bianca.

Ataques à imprensa

Há um mês, no dia Mundial de Liberdade da Imprensa, celebrado em 3 de maio, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) informou que Bolsonaro proferiu 179 ataques à imprensa somente em 2020. Desse total, 28 ocorrências foram de agressões diretas a jornalistas, duas ocorrências direcionadas à Fenaj e 149 tentativas de descredibilização da imprensa.

Já ao longo de 2019, a imprensa brasileira sofreu quase 11 mil ataques diários pelas redes sociais, o que representa, em média, sete agressões por minuto. Segundo o Relatório sobre Violações à Liberdade de Expressão, divulgado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, em março passado.

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