Dura punição a Messi complica Argentina nas Eliminatórias

Por Liliana SAMUEL
O atacante Lionel Messi durante partida contra o Chile, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, em Buenos Aires, em 23 de março de 2017

A Fifa deu duro golpe na Argentina, nesta terça-feira, e deixou em cheque a reta final das Eliminatórias Sul-americanas para a Copa do Mundo de 2018, depois de suspender o astro Lionel Messi por quatro partidas, em razão de um insulto ao árbitro assistente.

A Argentina perdeu sua peça chave, o capitão do time, para enfrentar a Bolívia ainda nesta terça-feira. Messi será substituído por Angel Correa, do Atlético de Madri.

Mas a equipe também não vai poder contar com a estrela do Barcelona para os jogos decisivos contra o Uruguai, em Montevidéu, dia 31 de agosto, a Venezuela, dia 5 de setembro, nem o Peru, dia 5 de outubro.

O treinador Edgardo Bauza, que viu o esquema da equipe desmoronar com a notícia, só vai poder contar com Messi para a última partida das eliminatórias, dia 9 de outubro, contra o Equador em Quito.

Na quinta-feira passada (23), a Argentina jogou mal contra o Chile, mas o gol de pênalti de Messi garantiu a vitória do time. A seleção respirou e voltou à zona de classificação direta para o Mundial.

Vice-campeão do Mundo no Brasil, em 2014, e recheada de estrelas que brilham no futebol europeu, a equipe de Bauza não consegue encontrar o rumo que pode entusiasmar seus torcedores. Os argentinos mudam de humor repentinamente a cada jogo do time.

Bronca e tristeza

"Messi está triste, está com bronca", afirmou Jorge Miadosqui, secretário de seleções nacionais. "Cortaram as pernas de Messi e da seleção", acrescentou o dirigente, que está na Bolívia junto com a equipe e espera a hora do jogo contra os anfitriões.

Miadosqui parafraseou o ídolo Diego Maradona, depois de ser punido por doping na Copa do Mundo dos Estados Unidos, em 1994.

O árbitro brasileiro Sandro Ricci não se pronunciou nem puniu o jogador durante a partida. Ricci não viu nem ouviu nada.

O juiz de linha também não pediu represália, mas o ofício da Fifa depois de ver as imagens que repetem o insulto "Tomátela, la c.. de tu madre".

A Fifa assumiu as rédeas do assunto e puniu o atacante quatro dias depois da partida, por pronunciar "palavras injuriosas".

"O suspenderam porque leram seus lábios", lamentou o presidente interino da federação argentina, Armando Pérez, ao anunciar que a AFA vai apelar a decisão.

Pérez admitiu que o jogador "se equivocou ao insultar" o árbitro, mas avaliou que a punição foi desproporcional e atribuiu a "algo mais político do que outra coisa".

Na Argentina, já é especulado que a sansão seja reduzida pela metade.

Represália ou justiça

"Nos mataram. Argentina sem Messi é um desastre. É uma conta da Fifa pela época de Grondona", falou à AFP Miguel Caliva, ambulante de 45 anos, lembrando do poderoso ex-presidente da AFA e vice-presidente da Fifa, que morreu em 2014.

Caliva, que vende suas guloseimas na zona bancária de Buenos Aires, se mostra incrédulo com as quatro partidas de suspensão. "Tinham falado de uma punição econômica", lamenta, acrescentando que Bauza "escolhe mal e não sabe o que quer fazer".

A saída obrigatória de Messi gerou dúvidas e especulações em um país onde o futebol é uma paixão das multidões e as teorias da conspiração estão na ordem do dia.

"Muitas datas e tudo muito esquisito. Os árbitros não informaram nada, tudo feito do escritório...", falou Nicolás Goldstejn, de 26 anos e fã do camisa 10.

"Para mim, Messi fez de propósito", polemizou Yamila Morales, torcedora de futebol que não se interessa pela seleção. Para ela, o jogador não se cuidou na frente das câmeras, o que sempre faz quando está no Barcelona.

Carlos Bazan, enfermeiro de Córdoba que trabalha na capital, avaliou que a punição é justa e argumentou que a "reação de Messi chamou a atenção", já que normalmente é mais calmo.

"Está boa (a punição). Messi tem que respeitar as autoridades, não pode insultar, mas é um desfalque importante", afirmou Bazan.

Depois de 13 rodadas disputadas, o Brasil lidera as Eliminatórias com 30 pontos, seguido do Uruguai, com 23, e da Argentina, com 22 pontos. A Colômbia é a quarta colocada com 21 pontos, enquanto Equador e Chile somam 20.

As quatro primeiras seleções se classificam diretamente para o Mundial. A quinta disputa repescagem contra uma seleção da Oceania.