Dupla alemã de vôlei de praia boicota torneio no Catar por proibição de biquíni

·2 minuto de leitura
Karla Borger compete pela Alemanha nas Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro

As estrelas alemãs do vôlei de praia Karla Borger e Julia Sude anunciaram que estão boicotando um torneio no Catar devido à proibição de jogar de biquíni, uma medida que os organizadores do Catar garantem que não solicitaram.

"Nós vamos lá para fazer nosso trabalho, mas eles nos impedem de usar nossas roupas de trabalho", justificou Karla Borger no domingo na rádio pública alemã Deutschlandfunk.

Leia também:

"É realmente o único país e o único torneio em que o governo nos diz como fazer o nosso trabalho. Nós criticamos isso", acrescentou a atleta, vice-campeã mundial.

O Catar é o país anfitrião de um torneio da Federação Internacional de Vôlei de Praia (FIVB) em março. Será a primeira vez que o pequeno Estado do golfo sediará uma competição feminina da FIVB após sediar uma competição masculina por sete anos e em 2019 os Jogos Mundiais de Praia, onde as atletas foram autorizadas a usar maiôs.

As jogadoras foram convidadas a usar camisetas e calças compridas em vez dos habituais trajes de banho, decisão motivada pela federação pelo "respeito à cultura e às tradições do país-sede".

A Federação de Voleibol do Catar (QVA), organizadora do torneio, disse em nota enviada à AFP que não havia feito nenhum pedido nesse sentido.

- Esportistas 'bem-vindas' -

“Queremos deixar claro que não especificamos de forma alguma o que as atletas femininas devem vestir neste evento. Respeitamos totalmente o código de conduta decretado pela Federação Internacional e demonstramos no passado em eventos organizados no Catar que as atletas femininas são livres para usar os mesmos uniformes que usam em outros países", disse a entidade.

"Queremos que todos as atletas se sintam bem-vindas e confortáveis neste torneio que será histórico para o Catar", insistiu a QVA.

Na revista Spiegel, Karla Borger insistiu que normalmente se contenta em "se adaptar a um país", mas que o calor extremo do Catar exige o uso de biquíni.

Sua parceira, Sude, lembrou que o Catar já havia aberto exceções, como no Mundial de Atletismo de Doha 2019 para as participantes mulheres.

No Deutschlandfunk, Borger questionou a relevância de nomear o Catar como o anfitrião desta competição.

"Nós nos perguntamos se é realmente necessário que um torneio seja disputado lá", disse ele.

O Catar, sede da Copa do Mundo de futebol de 2022, vem organizando competições esportivas cada vez mais importantes nos últimos anos, apesar de várias polêmicas, principalmente devido ao calor extremo e às condições de trabalho dos funcionários que constroem as instalações.