Do ‘dream team’ ao fim da linha: os 526 dias antes do adeus de Lorenzo

JULIANA TESSER


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Não é raro ver pilotos abandonando uma posição consolidada em busca de uma nova motivação. Ao deixar a Yamaha em 2016 e partir para uma aventura com a Ducati, era exatamente isso que Jorge Lorenzo estava tentando. Mas, o plano não saiu como o esperado e, assim, o #99 tratou de encontrar um novo caminho. 

Em 6 de junho do ano passado, Lorenzo foi anunciado com pompa e circunstância na Honda, formando um ‘dream team’ com Marc Márquez. No papel, nada poderia ser mais perfeito que o duo espanhol. Afinal, o cara do momento dividiria a RC213V com um dos chamados ‘aliens’. 

Mas a história de conto de fadas se transformou em um filme de terror nos 526 dias que se seguiram. Longe ― muito longe ― de ser aquele Lorenzo que conquistou três títulos na MotoGP, o espanhol de Palma de Maiorca anunciou a aposentadoria na última quinta-feira e não fez segredo da razão: faltou paciência. Faltou motivação.

Jorge Lorenzo e Carmelo Ezpeleta (Foto: Divulgação/MotoGP)


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Falta de paciência, aliás, também marcou a saída de Jorge da Ducati. Claro, Claudio Domenicali e suas criticas públicas também não ajudaram, mas, tivesse dado mais tempo ao projeto da Desmosedici, Lorenzo poderia estar vivendo dias mais gloriosos. Chefe da Ducati Corse, Gigi Dall’Igna nunca escondeu a vontade de manter o tricampeão.

Mas, para o bem ou para o mal, a história não é essa. Jorge se ofereceu à Honda após a decisão de Dani Pedrosa de pendurar o capacete e acabou convencendo Alberto Puig de que era o cara certo para o desafio. Não era.

Nas 18 corridas que fez com a Honda até aqui, Jorge esteve irreconhecível. Não foi sequer uma sombra do piloto que conquistou 44 vitórias na MotoGP e galgou seus lugar entre os grandes.

É claro que a falta de química com a RC213V teve seu peso, mas é preciso lembrar que Lorenzo nunca esteve em plena forma em 2019. A pior lesão, claro, veio em Assen, mas, no restante do ano, o espanhol não esteve em plenas condições.

Mas foi só isso? Tal qual tinha feito com a Ducati, Lorenzo tentou adaptar à RCV, especialmente em termos de ergonometria. Foram idas e vindas com o banco da moto, mas nada foi suficiente para deixá-lo confortável. Não foi por falta de tentativas.

Entretanto, faltou paciência. Como o próprio Lorenzo admitiu ao anunciar sua retirada. A mesma paciência que faltou para esperar resultados melhores na Ducati. O acerto com a Honda aconteceu justamente no intervalo entre duas das três vitórias que conseguiu com a esquadra de Bolonha. 

É perfeitamente compreensível que Lorenzo tenha buscado uma nova motivação, mas, ciente das particularidades da Yamaha ― que é amplamente reconhecida como uma moto fácil, doce ―, o #99 tinha de ter previsto que a adaptação às motos rivais não seria um passeio no parque. Paciência, justamente, seria a palavra de ordem. E não foi. 

“Admito que, quando eu estava rolando na brita [em Assen] e parei, eu pensei comigo mesmo: ‘Ok, Jorge, vale realmente a pena? Depois do que eu conquistei, continuar sofrendo... chega, não quero mais correr’. Mas aí eu voltei e decidi tentar”, contou Lorenzo. “Não queria tomar nenhuma decisão precipitada. Então eu continuei. Mas a verdade é que, a partir daquele momento, a montanha ficou alta e grande demais para mim e eu não consegui encontrar a motivação, a paciência, para seguir tentando escalar”, assumiu.

“Eu amo pilotar, amo a competição, amo esse esporte e, acima de tudo, eu amo vencer. Eu percebi em algum ponto que isso não era possível nesse curto período com a Honda. Neste ponto da minha carreira, era impossível manter a motivação e a meta que eu coloquei em mente no início da temporada não era realista”, completou.

Teria o tempo sido o suficiente para sanar as dificuldades de Lorenzo com a Honda? Ninguém nunca vai saber. O que é claro é que a carreira de Jorge merecia um final melhor. Do jeito que foi, o ponto final chega em um capítulo amargurado.


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