Dorival Jr. diz que Fernando Diniz só precisa de um título para deslanchar e defende Petraglia no Athletico

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Dorival Jr. projeta bons resultados a curto prazo para o Athletico, mesmo com a perda de jogadores. Foto: Gabriel Machado/AGIF
Dorival Jr. projeta bons resultados a curto prazo para o Athletico, mesmo com a perda de jogadores. Foto: Gabriel Machado/AGIF

Dorival Jr. chegou ao Athletico-PR com a missão de dar sequência ao bom trabalho estabelecido por Tiago Nunes. Após três meses, Dorival acredita que o Athletico começa a encorpar, mesmo com a perda de jogadores importantes como Léo Pereira, Bruno Guimarães, Rony e Marco Ruben.

Em entrevista exclusiva ao blog, Dorival rasga elogios ao clube e projeta bons resultados a curto prazo, com o elenco atual. Leiam abaixo.

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Dá para ganhar títulos com o Athletico?

Nós perdemos 16 jogadores daquela equipe campeã. Nós teremos que refazê-la. Contra o Colo-Colo, só tínhamos Thiago Heleno, Wellington e Márcio Azevedo do grupo anterior. Os demais jogadores têm poucos jogos com a camisa do time. São garotos que estão começando, buscando uma oportunidade. Os que chegaram com uma vivência maior, como Marquinhos Gabriel, estão em fase de adaptação. O grande problema é que perdemos muitos jogadores no mesmo momento e isso é um complicador para uma nova formação. Agora, não tenho dúvida de que teremos uma equipe competitiva rapidamente.Estamos começando a adquirir isso e não tenho dúvidas de uma equipe ajustada e forte, num curto espaço.

Você terá reforços ou a realidade é com esse elenco atual?

Em todos os clubes que eu fui trabalhar, não me preocupei muito com contratações. Em todos eles, formatei as minhas equipes com os grupos que estavam ao meu alcance. Tenho confiança neste grupo. Lógico, se você me falar, precisa de reforços? Preciso, claro, mas não fico aqui lamentando. Se a diretoria me apresentar mais dois, três ou cinco jogadores, ótimo. Caso não consigam, não vejo problemas. Não tenho dúvidas de que eu vou encontrar um caminho com este elenco, com time forte e competitivo.

Carlos Eduardo sofreu muito no Palmeiras pelo preço que ele custou. Ele tem talento e futebol?

Eu o acompanho desde os tempos do Goiás, até um pouquinho antes. Ele tem qualidades. Todo jogador que vem de fora, tem um tempo de readaptação, porque o ritmo de trabalho lá fora não é igual ao nosso. Talvez num primeiro momento, teve esta recaída por ter chegado no meio da temporada. Com um pouco mais de tempo e paciência, Carlos vai encontrando seu caminho, mas não tenho dúvida de que ele será muito importante, principalmente pela saída do Rony. É um caminho que está em disputa.

O Athletico hoje é o clube mais promissor para se trabalhar?

É uma equipe altamente preparada. Não conquistou títulos importantes por acaso. O principal foi evoluir na transição de saber preparar, aproveitar e vender. O Athletico está fazendo uma escola e se trabalha e pensa futebol 24 horas por dia. Há uma equipe por trás de pessoas altamente competentes, que buscam novidades. Os garotos são abastecidos com informações, diariamente. O Athletico se preocupa em preparar seus profissionais. Já fiz dois cursos internos em dois meses e meio. Esse trabalho deveria ser mais observado pelo mundo do futebol.

É bom e fácil trabalhar com o presidente Petraglia?

Eu gosto de trabalhar com pessoas assim. Cara a cara, o que fala, sustenta. Sou sincero com você, eu não queria nem assinar contrato com o Athletico, para mim não precisava. O que eu falei com o Petraglia, já o conheço há algum tempo, não em contato direto. Gosto deste tipo de profissional, como foi o Alexandre Kalil(Galo) e alguns outros. São pessoas que têm visão do que é o nosso meio. Em termos de dignidade e lealdade, confio nessas pessoas que não se escondem.

Tu és admirador do Fernando Diniz. Por que há tanta resistência a ele?

Fernando só precisa ganhar um campeonato. Quando ele tiver um campeonato e as pessoas passarem a respeitá-lo um pouquinho mais, pode ter certeza que ele irá deslanchar. Falo isso há algum tempo. São Paulo está próximo de uma conquista muito pelo trabalho que ele está desenvolvendo. As pessoas não têm noção do que é. Torcia que as análises fossem feitas com mais paciência e visão, mas a hora que descobrirem o potencial do Fernando, podem ter certeza de que ele tem um caminho longo pela frente. Fernando sabe o que faz e tem consciência disso. O trabalho dele é muito bom. Espero que outros profissionais sigam o seu exemplo.

Você se sentiu injustiçado pelo São Paulo, após trabalhar no clube?

Não é injustiçado. Infelizmente, a nossa forma de ver futebol é assim. Quando cheguei ao SP, faltavam sete jogos para a virada do turno no Brasileiro, em 2017. Não consegui treinar com o time. Na virada do turno, ficamos com quatro semanas abertas. Quando terminou o campeonato, se nós ganhássemos do Bahia, seria a melhor campanha do segundo turno. Na virada do ano, perco o Hernanes e o Pratto. Falei para o presidente Leco, a partir da nossa estreia, só iríamos parar na Copa do Mundo. Eu teria dificuldades porque queria mudar a característica do time, dando mais jovialidade. Se ele pensasse em alguma alteração, que fizesse naquele momento, mas ele disse que não estava pensando nisso. Começamos o ano e na primeira derrota em Sorocaba, com time alternativo, parece que desmoronou tudo que foi feito no ano anterior. Saí do SP e estávamos classificados para a quarta fase da Copa do Brasil, para o mata-mata do Paulista mesmo com uma campanha pífia. Chegaram contratações como Diego Souza, Nenê e Anderson Martins e estreamos correndo, sem muita preparação. O futebol é assim, mas para quem estava na zona de rebaixamento do Brasileiro e teve apenas duas contratações como Marcos Guilherme e Bruno Alves, futebol é assim.

O Athletico está disputando a Libertadores da América com uma vitória e uma derrota em dois jogos. No Campeonato Paranaense, o time está classificado para as quartas-de-final.

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