Doria diz contrariar Bolsonaro ao realizar GP de São Paulo de F1

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*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  21-10-2020, 12h00: O governador de São Paulo João Dória (PSDB). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 21-10-2020, 12h00: O governador de São Paulo João Dória (PSDB). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), não perdeu a chance de provocar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), seu desafeto, com a realização do GP de São Paulo de F1, neste final de semana em Interlagos.

O político concedeu entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes ao lado do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e de Alan Adler, responsável pela organização da corrida na capital paulista.

"Temos mais dez anos de Grande Prêmio de São Paulo. Lá atrás eu disse que não perderíamos a F1, o Bruno Covas [prefeito morto em maio deste ano] era vivo e estava sempre ao meu lado. Contrariei o presidente da República, e a F1 estará em São Paulo", afirmou Doria durante coletiva na tarde desta quarta (10).

A cidade de São Paulo tentava estender o vínculo com a categoria desde 2018 -o contrato anterior era válido até 2020-, enquanto Bolsonaro articulava, inclusive com a assinatura de um termo de cooperação, para levar o evento ao Rio de Janeiro. Em junho de 2019, o presidente chegou a dizer que o GP tinha "99% de chance" ser realizado na capital fluminense.

Segundo Doria, o impacto financeiro da F1 será de R$ 810 milhões e gerará 8.500 empregos temporários na cidade de São Paulo.

"A expectativa é ainda superior, e os dados serão auditados pela Fundação Getúlio Vargas", afirmou Doria. "O Grande Prêmio durante o feriado aumenta a geração de receitas. Todos os ingressos foram vendidos antecipadamente, desses, 77% para residentes fora de São Paulo, o que faz o evento ainda mais importante para nossa economia."

São esperadas mais de 170 mil pessoas ao longo dos três dias de evento. Entre as novidades deste ano, haverá no sábado (13), às 16h30, a realização da sprint race, uma corrida mais curta, com 24 voltas e duração de 30 minutos, que definirá o grid de largada.

Já a prova, no domingo, terá largada às 14h -71 voltas. O holandês Max Verstappen, da Red Bull, defende a liderança do Mundial diante do heptacampeão Lewis Hamilton, da Mercedes, em uma temporada repleta de emoção. Verstappen contabiliza 312,5 pontos, e Hamilton, 293,5.

Doria garantiu que haverá reforço do policiamento nas áreas de compras e lazer próximas ao autódromo, na zona sul da capital paulista.

Cerca de 5.000 policiais militares serão destacados para os arredores de Interlagos de sexta (12) a domingo, além de parte do efetivo da Polícia Civil e da Guarda Civil Metropolitana (GCM). "São 1.900 viaturas, 50 cães, 250 cavalos, 40 drones e 3 helicópteros especificamente para vigilância do autódromo", diz o general João Camilo Pires de Campos, secretário da Segurança Pública (SSP).

A realização do evento em São Paulo, como o jornal Folha de S.Paulo mostrou nesta terça, é considerado um trunfo pela gestão Doria. Casa da F1 desde 1990, Interlagos sofreu com a concorrência do Rio de Janeiro na hora de renovar o contrato com a FOM (Formula One Management), braço comercial da categoria.

O contrato anterior foi assinado em 2014, válido até o final de 2020. Neste último ano, em decorrência da pandemia de Covid-19, a corrida foi cancelada no Brasil.

Pela F1 na capital fluminense, o consórcio Rio Motorsports fez proposta à FOM para pagar US$ 65 milhões (R$ 360 milhões) -sendo US$ 35 milhões (R$ 194 milhões) pela taxa da prova no Rio de Janeiro e US$ 30 milhões (R$ 166 milhões) para adquirir os direitos de transmissão da F1 no Brasil.

O consórcio, que havia vencido licitação para construção e operação por 35 anos de um autódromo na região de Deodoro, no Rio, não conseguiu aprovação do estudo de impacto ambiental (EIA) para poder dar início à construção do autódromo.

O acordo atual contempla as temporadas de 2021 a 2025 -e é prorrogável por mais cinco anos-, e São Paulo deverá pagar US$ 25 milhões (R$ 138 milhões) anualmente. Desse montante, a Prefeitura é responsável por US$ 15 milhões (R$ 83 milhões), e o governo estadual arcará com os outros US$ 10 milhões (R$ 55 milhões).

Em contrapartida ao pagamento da taxa, a Prefeitura de São Paulo ganhou espaço para publicidade na corrida e repassou quatro cotas à gestão Doria, no valor estimado de R$ 8 milhões cada uma.

Nesta quarta, Vinicius Lummertz, secretário de Turismo do estado, disse que o estado paulista negociou três cotas, no total de R$ 18 milhões, para grupos empresariais.

A prefeitura também repassará R$ 20 milhões anuais à MC Brazil Motorsport Holding, que se compromete com a montagem da estrutura e organização do evento na capital paulista.

Além da taxa paga à FOM, a prefeitura repassará à MC Brazil Motorsport Holding, que assumiu o papel que era da Interpub, R$ 100 milhões (R$ 20 milhões por cinco anos). A empresa ficará responsável pela montagem de toda a estrutura do evento e a sua organização. O município garante que fez um bom negócio. Somente esses gastos eram de, pelo menos, R$ 40 milhões por etapa.

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