Doria anuncia renovação de contrato de São Paulo com a F-1

CARLOS PETROCILO
·3 minuto de leitura
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 17.11.2019 - Público no GP Brasil de F-1 realizado no ano passado em Interlagos. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 17.11.2019 - Público no GP Brasil de F-1 realizado no ano passado em Interlagos. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador de São Paulo, João Doria, anunciou em entrevista coletiva nesta quinta-feira (12) que foi renovado o acordo com a F-1 para o GP Brasil em Interlagos pelos próximos cinco anos. O contrato terá validade de 2021 a 2025.

Procurada pela Folha de S.Paulo, a FOM ainda não se manifestou sobre a extensão do acordo com São Paulo.

Nesta terça, ao apresentar o calendário da temporada de 2021 a categoria incluiu o GP Brasil em Interlagos com um aviso de "sujeito a contrato".

A prova não estava garantida até então porque o vínculo entre e a FOM (Formula One Management), braço comercial da modalidade, e a Interpub, empresa que organiza o evento em Interlagos desde 1990, chegaria ao fim neste ano.

Desde 2018, o prefeito Bruno Covas, candidato à reeleição e líder nas pesquisas de intenção de voto, e o governador João Doria, ambos do PSDB, negociavam a extensão do vínculo com a FOM, mas encontraram dificuldades, ampliadas pela concorrência do Rio de Janeiro.

Chase Carey, chefe da FOM, não abria mão de receber a taxa de promotor, algo em torno de US$ 30 milhões (R$ 162 milhões).

São Paulo, assim como Mônaco, estava isenta de recolher essa verba de acordo com o contrato assinado em 2014, quando Bernie Ecclestone dava as cartas na categoria. Em 2016, Ecclestone vendeu a FOM para o grupo americano Liberty Media.

O empresário JR Pereira, à frente do consórcio Rio Motorsports, chegou a dizer em entrevista ao jornal O Globo que, ao contrário de São Paulo, não teria problemas em realizar o pagamento da taxa.

O consórcio teve conversas avançadas com a FOM para levar a corrida para o Rio de Janeiro a partir do próximo ano, mas não conseguiu até agora aval do Instituto Estadual do Ambiente para começar a construir um autódromo em Deodoro, sobre a floresta de Camboatá, área de mata atlântica na zona oeste da cidade.

O relatório sobre o impacto da obra, elaborado por uma empresa contratada pela própria Rio Motorsports, diz que a edificação, se e quando liberada, deverá durar 23 meses.

A Rio Motorsports, representada pelo empresário JR Pereira, venceu, como única interessada, o processo licitatório feito pela Prefeitura do Rio em maio do ano passado. A empresa prometeu gastar com recursos privados R$ 697 milhões com as obras e terá direito de explorar o local por 35 anos.

No dia 14 de setembro, Chase Carey, chefe da FOM, enviou uma carta para o governador interino Cláudio Castro, na qual diz que há um acordo com a Rio Motorsports para promover, sediar e organizar a F-1 no Rio e que o contrato será firmado somente depois de aprovações das licenças ambientais.

Essa informação foi revelada pelo site Diário Motorsport no início de outubro.

A Folha teve acesso a uma correspondência do dia 30 de outubro, assinada por Castro e endereçada a Carey e a JR Pereira. Nela, o governador carioca reiterava o interesse pela realização da corrida, inclusive em 2021.

"É praticamente 99% a chance de termos a F-1 a partir de 2021 no Rio", afirmou Jair Bolsonaro, após encontro com Carey, em junho do ano passado. Numa disputa política com Doria, o presidente da República havia sido um dos principais incentivadores da transferência do GP para o Rio.

Desde o início, a proposta foi alvo de pressão de grupos ambientalistas. Recentemente, o hexacampeão Lewis Hamilton se disse contrário à derrubada de árvores para construir um autódromo.