"A dor ameniza, mas nunca passa", diz campeã olímpica Sandra Pires sobre eliminações em Jogos Olímpicos

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Com as quatro eliminações precoces no vôlei de praia — duas nas oitavas de final e duas nas quartas —, o Brasil ficará sem medalha na modalidade pela primeira vez nos Jogos Olímpicos. É de longe o pior desempenho do país, recordista de conquistas com 13 medalhas. Segundo Sandra Pires, ouro em Atlanta-1996, na estreia do esporte no programa olímpico, e bronze em Sydney-2000, a dor desta perda permanecerá por muito tempo no coração dos atletas. Principalmente para os mais experientes caso de Rebecca, Ágatha, prata na Rio-2016, e Alison (que jogou com Álvaro) e Bruno Schmidt (que esteve ao lado de Evandro), ambos campeões olímpicos. É que por mais que tenham conquistas importantes, a experiência da eliminação também marca. E diferentemente de Ana Patrícia, Duda, Álvaro e Evandro, os mais novatos do Time Brasil, eles poderão ter caminho mais árduo para buscar uma nova Olimpíada.

— Eu participei de três edições, Atlanta, Sidney e Atenas e não ganhei medalha na terceira. A dor ameniza, mas nunca passa. Alguns atletas novos ainda terão chances de conquistar medalhas, mas para os mais experientes já complica um pouco mais. Ao menos, Ágatha, Alison e Bruno já garantiram as suas medalhas e nos representaram muito bem — fala Sandra.

Para Sandra, as eliminações em Tóquio foram surpresa, pois, na sua avaliação, as duplas brasileiras estavam bem preparadas e vinham tendo bons resultados nos torneios durante o ciclo. Ágatha e Duda, por exemplo, chegaram aos Jogos como a melhor dupla do mundo, segundo a Federação Internacional de Vôlei. No ranking olímpico, estavam em segundo. Rebecca e Ana Patrícia ficaram, em quarto no ranking olímpico e são 15.º do mundo.

No caso do masculino, Alison e Álvaro ficaram em quarto no ranking olímpico e são 12.º do mundo. E Bruno Schmidt e Evandro se classificaram como a sétima dupla do mundo e estão em 31.º no ranking mundial (tiveram de abrir mão de algumas competições por causa da doença de Bruno).

— Bateu uma tristeza profunda, porque o vôlei de praia tem muita tradição e trouxe medalha em todas as edições. A gente estava muito bem representado, apesar de toda essa pandemia, as pessoas se viraram do jeito que podiam, treinaram em casa. O Alison e o Álvaro vinham numa crescente (dentro da Olimpíada), Ágatha e Duda vencendo torneios, jogando muito bem, assim como a Ana Patrícia e Rebecca. Eu apostava em quatro medalhas, sem exagero — disse a campeã em 1996 ao lado de Jackie Silva, admitindo que, embora tivessem muita qualidade, Evandro e Bruno estavam um pouco atrás: — A dupla que realmente ficou para trás, foi Evandro e Bruno. É que o Bruno teve Covid. Foi muito sério... Não sabia nem se ia conseguir voltar. Primeiro, se ia viver. No caso deles, imaginei que iam ganhar ritmo dentro dos Jogos Olímpicos mesmo. Mas as outras duplas estavam muito bem. O que pesou mais foi o nervosismo para encarar os Jogos, manter o ritmo forte a cada ponto.

Ela aponta também que atualmente as duplas tem jogado menos, se comparado à sua época. Acredita que é preciso olhar com cuidado "o todo", o retrato da modalidade.

— Agora é preciso olhar o todo... o número de etapas de torneios importantes vem diminuindo... Na minha época eu jogava muitas, mas muita etapas. Tano no Brasil quanto no Circuito Mundial. Jogava muito, muito mesmo. Hoje eu acho que hoje se treina mais do que se joga.

Desde que entrou no programa olímpico, o vôlei de praia teve pelo menos duas duplas brasileiras no pódio, entre homens e mulheres, em todas as edições. Além disso, essa será apenas a segunda vez na história que nenhuma dupla masculina chega ao pódio. A primeira vez que isso aconteceu foi justamente na edição que Sandra conquistou o ouro. As também brasileiras Adriana Samuel e Mônica Rodrigues ficaram com a prata.

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