Dono da DIS se sente traído e acusa Neymar de corrupção

Delcir Sonda, fundador do grupo de investimentos DIS, se pronunciou pela primeira vez nesta quarta-feira sobre o processo que está sendo conduzido na Espanha de sua empresa contra Neymar. Alegando que o jogador e sua família fraudaram a negociação para se transferir ao Barcelona, omitindo parte da quantia paga pelo clube espanhol, o empresário que foi detentor de 40% dos direitos econômicos do atleta disse se sentir traído.

“Ele frequentou a casa da minha família, cansamos de jantar no apartamento dele no Guarujá após os jogos. Fui traído por Neymar Jr, seu pai e sua mãe. A DIS foi traída por Neymar Jr e seus pais. Houve uma fraude arquitetada entre Neymar, seus pais e o Barcelona com o uso de contratos simulados, pagamentos escondidos, advogados em viagens escondidas. Neymar e sua família receberam 40 milhões de euros escondidos para fraudar a DIS”, afirmou Delcir.

“É lamentável que a carreira de um jovem seja manchada por fatos criminais tão graves. Os esportistas são os exemplos das crianças, vestir uma camisa de Neymar é apoiar a corrupção”, completou.

O empresário, que decidiu investir em Neymar quando ainda era apenas uma promessa das categorias de base do Santos não escondeu a emoção ao relembrar que um dia já teve uma boa relação não só com o jogador, mas também com toda a sua família.

“Quando esse jogador tinha 17 anos, investimos nele, no futuro, mas apostamos no jogador antes de sua estreia como profissional e assumimos o risco. Investimos R$5,5 milhões. A maneira como fizemos uma amizade com a família, a empresa dispôs viagens para Londres, Dubai, Tel Aviv, Jerusalém… Como esse garoto pode dizer que não me conhecia? É muito triste esse sentimento de investir e ser traído, porque isso não se faz”, assegurou o líder do grupo de investidores.

Neymar é acusado pela DIS e pelo Ministério Público Espanhol de dois crimes: corrupção entre particulares e estelionato. Segundo o grupo de investidores, o jogador recebeu 40 milhões de euros em particular que seriam parte do valor imposto pelos envolvidos na negociação para contratá-lo. Com venda fixada oficialmente em 17,1 milhões de euros, a DIS entende que recebeu menos do que deveria na ida do ex-santista para o Barcelona.

Com o processo em última instância, a próxima audiência deverá definir a absolvição ou não do jogador perante a justiça espanhola. Ainda não há uma data exata para a realização do julgamento, no entanto, segundo os advogados do Grupo DIS, deverá acontecer antes do final deste ano.

A DIS exige que todos os envolvidos na negociação para levar Neymar ao Barcelona recebam uma pena de cinco anos de prisão. São eles Neymar Jr, o pai de Neymar, a mãe de Neymar, além do ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell e o atual presidente Josep Maria Bartomeu. Além do tempo atrás das grades, o grupo de investidores espera que a inabilitação profissional de todos seja imposta, o que tiraria a possibilidade de Neymar disputar a Copa do Mundo na Rússia. Uma multa avaliada em três vezes o valor que as partes teriam se beneficiado nas tratativas também faz parte das consequências do processo.

Entenda o caso Neymar x DIS

Capitaneado pelo empresário Delcir Sonda, o grupo de investidores DIS adquiriu 40% dos direitos econômicos de Neymar quando ele ainda tinha apenas 17 anos. Apostando no futuro do jogador, a empresa esperava receber uma boa quantia com uma possível transação, porém, ela alega ter sido passada para trás pela família do ex-santista com a omissão de parte do valor da transferência.

Exigindo participação nos outros 40 milhões de euros recebidos pela empresa do pai de Neymar, a N&N Sports, entendendo que este valor faz parte da negociação, o Grupo DIS espera ganhar a causa na justiça, mas alega que a questão financeira está em segundo plano.

Já o pai de Neymar aponta que os 40 milhões pagos pelo Barcelona à sua empresa correspondem a uma multa por inadimplência contratual gerada pelo Barcelona ao antecipar a negociação de Neymar com o Santos. O clube blaugrana havia acertado a prioridade de compra do brasileiro a partir de 2014, porém levou o jogador um ano antes. Os fiscos espanhóis e brasileiros interpretaram a quantia como salário.

*Especial para a Gazeta Esportiva