Dólar a R$5? Professora não crava, mas projeta câmbio "balançando bastante" em março

Yahoo Brasil
Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

A cotação do dólar foi ao seu décimo recorde nominal (sem contar a inflação) consecutivo na última quarta-feira (04). A moeda fechou a R$ 4,5810, alta de 1,50%. O turismo chegou a R$ 4,76 na venda.

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

E nos siga no Google News:

Yahoo Notícias | Yahoo Finanças | Yahoo Esportes | Yahoo Vida e Estilo

Com essa sequência de altas, muito se especula sobre a taxa de câmbio atingir R$ 5,00 ainda no mês de março. Para a professora de Economia do Insper Juliana Inhasz, é praticamente impossível garantir esse acontecimento.

Leia também

“Não dá para cravar. É uma variável que depende de muita coisas. O que todo mundo concorda é que até o final do mês de março a gente continuará vendo uma taxa de câmbio instável, balançando bastante”.

Até pelos temores gerados pelas altas sucessivas, o Banco Central vem intervindo para amenizar a situação. Segundo a professora, essa prática deve ser mais recorrente nas próximas semanas.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

“Intervenções sempre aconteceram, mas agora podem ser uma prática mais comum em relação ao passado recente. Quando o Banco Central faz essa intervenção, ele tenta reduzir a sensação de desconforto com a taxa de câmbio tão alta", explica Juliana, que vê as intervenções apenas como medidas paliativas.

Diante do cenário de incerteza causado pela epidemia de Coronavírus ao redor do planeta, Juliana projeta um 2020 desanimador para o Brasil em termos de crescimento. O IBGE divulgou que o crescimento do país foi de 1.1% no ano de 2019.

“[Com o Coronavírus] a China vai ter uma queda no PIB. Assim, o crescimento brasileiro, que já é pequeno, também será prejudicado em 2020. Então o investidor começa a olhar para essa economia e não tem muita segurança para por o dinheiro dele aqui. Os investidores começam a tirar dinheiro de economias como o Brasil e começam a colocar em economias mais fortes, que sofrem menos”, avalia a professora que afirma que a solução não está nas mãos do Banco Central brasileiro já que se trata de um problema externo.

Na visão dela, além do Coronavírus, que tem prejudicado a economia global nas últimas semanas, o Brasil ainda sobre com outros dois fatores: taxa de juros baixa e cenário de instabilidade política. Ainda assim, a professora vê um setor favorecido pela taxa de câmbio alta: o Agronegócio.

“De fato, a taxa de câmbio mais alta é mais realista para um país que cresce pouco, que precisa lutar pelo investimento externo como o Brasil, mas favorece os exportadores que vendem commodities [produtos que funcionam como matéria-prima]. Por outro lado, somos um país que demanda manufaturados que precisam ser importados. Esse produtos acabam muito mais caros com a taxa de câmbio mais alta”.

Leia também