Dois médicos são indiciados por morte de jovem estuprada em UTI

A estudante de arquitetura foi estuprada na UTI (Foto: Reprodução/Instagram)
A estudante de arquitetura foi estuprada na UTI (Foto: Reprodução/Instagram)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Os dois vão responder por homicídio culposo e negligência

  • Técnico em enfermagem é acusado de estupro

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Dois médicos do Hospital Goiânia Leste, em Goiás, foram indiciados pela Polícia Civil pela morte da estudante Susy Nogueira, de 21 anos. Ela estava internada na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) quando foi estuprada, e de acordo com os investigadores, a negligência dos médicos contribuiu para a piora de seu quadro.

Os dois vão responder por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar) e por negligência, imprudência e imperícia. Washington da Conceição, o delegado responsável pelo caso, afirma em entrevista ao G1 que mais de 60 pessoas foram ouvidas para a conclusão do inquérito.

“A nossa conclusão foi de que houve homicídio culposo, que houve negligência na falta de investigação focada na doença que a menina tinha. De tudo que há nos autos, a conclusão foi essa, de indiciar os dois médicos por negligência e imperícia”, relatou o delegado.

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De acordo com o delegado, o técnico em enfermagem acusado de estuprar a estudante enquanto ela estava internada na UTI também vai responder por homicídio.

Em nota, a OGTI, empresa responsável pela UTI do hospital, afirma que “não há na investigação qualquer evidência de que conduta de seus médicos tenha provocado, direta ou indiretamente, a lamentável morte da Paciente Suzy."

"[A OGTI] tem convicção que seu corpo clínico realizou todos os procedimentos possíveis e da maneira adequada no tratamento da paciente e aguarda a manifestação do Ministério Público, que certamente ratificará as conclusões técnicas do IML e solicitará o arquivamento do Inquérito Policial", diz a nota.

Estudante de arquitetura, Susy foi internada após ter uma convulsão no dia 16 de maio. No dia seguinte, foi encaminhada à UTI e entubada. Imagens de câmeras de segurança mostram que ela foi estuprada no dia 17.

O pai da vítima conta que só soube do abuso após a morte da jovem, no dia 26 de maio. Ele lembra que, nos últimos dias de vida, sentia que a filha queria dizer algo mais não conseguia por conta da entubação.

"O sentimento é difícil de cicatrizar. Houve falhas, não entregaram os vídeos completos para a gente, queremos saber o porquê. Se o hospital tivesse avisado dos abusos antes, não teria chegado a essa situação”, lamentou em uma audiência sobre o estupro.


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