Dois fatores deixaram a seleção de Tite com ‘um pé e meio’ na Copa da Rússia

Paulinho comemora o seu terceiro gol diante do Uruguai. (AP Photo/Natacha Pisarenko)

O erro de Marcelo, aos 10 minutos do primeiro tempo, não condizia com a calma apresentada pela Seleção início da partida em Montevidéu. De pênalti, Cavani abriu o placar e pela primeira vez na ‘era Tite’, o Brasil estava atrás no placar. Porém, com total controle e solidez em todas as áreas do campo, o time virou o jogo e chegou a 30 pontos na classificação das Eliminatórias para a Copa da Rússia. A vaga para a competição deverá ser confirmada diante do Paraguai, terça-feira (28), na Arena Corinthians.

Os três gols de Paulinho e o de Neymar mostram como a Seleção caminha para chegar no próximo mundial como favorita a conquista. Lembra que no título comentamos que dois fatores foram essenciais para a vitória diante da Celeste? Vamos ao primeiro deles: controle.

Brasil apresentou 53% de posse bola nos 90 minutos, mas grande parte desse tempo foi rodando a bola no campo ofensivo e buscando rápidas triangulações e passes na diagonal – marcas de Tite no Corinthians de 2012 e 2015. O segundo e quarto gols surgiram de jogadas trabalhadas com esses conceitos. A infiltração de Roberto Firmino, resultou em um chute de Coutinho e a conclusão de Paulinho, após rebote do goleiro Martín Silva.

Outro ponto do controle da partida é a marcação alta, que inúmeras vezes dentro da partida deixou atletas uruguaios sem opção de passe e sendo obrigados a apostar no lançamento longo ou no chutão para qualquer parte do campo. O time Celeste gosta de atuar esperando o adversário pressionar, para contra-atacar, mas com um meio-campo povoado e a defesa brasileira sempre em número superior, essa estratégia de Óscar Tabarez foi derrubada.

Tite cumprimenta Neymar após o terceiro gol da Seleção na vitória por 4 a 1 diante do Uruguai (AP)

Segundo fator: solidez. Ataque, meio-campo e defesa funcionaram de forma excepcional no estádio Centenário. Apesar da falha individual no começo da partida, a retaguarda nacional sempre que pressionada respondeu com firmeza. Desde uma defesa de Alisson, a evitar a fortíssima bola aérea dos uruguaios. Mesmo sem aparecer para a torcida, Renato Augusto fez uma boa partida e viu o seu companheiro de meio-campo brilhar.

O ataque não esteve no nível alto como em outras partidas sobre o comando do treinador. Além do belo gol de Neymar, Firmino e Coutinho participaram ativamente da construção da jogada do segundo gol. No entanto, a marcação alta começa com os homens de frente e os zagueiros uruguaios tiveram graves problemas para sairem jogando.

O comandante garante não ter encontrado o real potencial da equipe nessas 8 partidas – 7 pelas eliminatórias e um amistoso diante da Colômbia. “É o oitavo jogo e ainda não tenho a real dimensão do potencial de crescimento dessa equipe. O que mais me deixou feliz foi o desempenho nos 90 minutos, a capacidade de absorver o gol e continuar jogando em cima da nossa proposta. A ideia está muito presente. Triangulação, bola de velocidade”, afirmou o treinador depois da partida.

A Seleção precisa de um ponto para carimbar o passaporte e garantir a vaga na Copa do Mundo da Rússia de 2018. As ideias, como bem disse Tite, estão claras e os jogadores absorvem. Ou seja, o Brasil saiu de uma situação de quase eliminação para o Mundial para empolgação geral (da torcida) faltando um ano para o torneio russo.