Djalminha questiona departamento de futebol do Flamengo: "Muitos foram contratados, mas poucos resolveram"

Colaboradores Yahoo Esportes
Djalminha (Gazeta Press)
Djalminha (Gazeta Press)

Por Marcelo Guimarães

Revelado pelo Flamengo, no fim da década de 80, em uma geração que tinha jogadores como Paulo Nunes, Marcelinho Carioca e Júnior Baiano, Djalminha questionou o planejamento do departamento de futebol rubro-negro. Apesar de elogiar a estrutura que o clube fornece aos seus atletas, ele vê falhas na montagem do elenco.

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O ex-jogador, que passou nove anos de sua carreira na Gávea, lembrou de sua passagem pelo clube e comparou o investimento feito hoje, em contratações, com o do seu período. Djalminha vê o Flamengo gastando muito e não tendo grande retorno dentro de campo, enquanto que, no passado, os reforços eram apenas pontuais, para suprir lacunas no elenco.

– Sem dúvida, o Flamengo vive um momento melhor hoje, se compararmos com o meu período no clube. Não tinha centro de treinamento, os salários atrasavam. Não dá para comparar, mas o torcedor quer ver títulos, resultados. Isso é um problema de gestão do futebol. Com o dinheiro que tem e mais bem resolvido financeiramente, o Flamengo poderia ter sido mais preciso nas contratações. Elas que vão dar o resultado dentro de campo. A base contribuiu muito para o crescimento do Flamengo, mas as contratações, na minha opinião, não foram tão boas, principalmente com a condição que o clube tem hoje. Antes vinham jogadores pontuais, que chegavam e encaixavam com o que tinha e davam conta do recado. Nesse ponto, o Flamengo deixou um pouco a desejar. Muitos foram contratados, mas poucos resolveram o problema da posição.

Ele deixou o Flamengo em 1993, após se desentender com Renato Gaúcho, durante um clássico contra o Fluminense, no estádio Caio Martins. O craque disse que, na época, não tinha como objetivo jogar fora do país e pretendia ficar muitos anos no clube carioca. Acabou sendo emprestado para o Guarani, de onde saiu para jogar no Shimizu S-Pulse, do Japão. Ele ainda defendeu Palmeiras, La Coruña, Áustria Viena e América do México.

– Eu tive uma briga bem boba com o Renato (Gaúcho), quase que brigamos dentro de campo. Após isso, os dirigentes do Flamengo decidiram me emprestar. É uma pena, já que queria jogar muitos anos no clube. Porém, profissionalmente foi muito bom para mim. Eu não pensava naquela época em jogar na Europa, queria ficar muitos anos no Flamengo.

Craque não vê o Brasileirão decidido, mas vê Palmeiras encaminhar a conquista

Sobre o Palmeiras, Djalminha, que fez parte da conquista do título paulista de 1996, destacou a forma como o time está jogando, mesmo após as eliminações na Copa Libertadores e na Copa do Brasil e, apesar de não ver a competição decidida, afirmou que o título está bem encaminhado para o Palestra Itália. O Alviverde lidera o Brasileirão seguido por Internacional, Flamengo e São Paulo.

– O Campeonato Brasileiro ainda não está decidido, apesar do Palmeiras estar com uma campanha muito boa. Quando pega os confrontos diretos não perde, mas definido ainda não está. Mesmo tendo sido eliminado da Libertadores, o time soube administrar a pressão. Jogou muitos jogos com o time reserva, deu conta do recado, conseguiu muitas vitórias. Agora que está eliminado das competições que jogou com o time titular, a chance de conseguir a vitória é até maior.

Para o ex-camisa 10 alviverde, o time ficou mais objetivo após a chegada de Luiz Felipe Scolari, mas afirmou que o desempenho com Roger Machado, no comando, também era bom. Ele viu a perda do título paulista como decisiva para a demissão do antigo treinador.

– Quando você vê só os jogos, é diferente do trabalho do dia a dia. Pelos jogos, o Palmeiras se tornou um time mais pragmático, mais objetivo, não tão preocupado em jogar um bom futebol ou de apresentar um espetáculo melhor. Porém, está sempre buscando os resultados. Estava acontecendo, mas foi eliminado da Copa do Brasil e da Libertadores. No Brasileiro, a tendência é que conquiste o título. Eu não vi uma evolução técnica, eu vi uma evolução na busca pelo resultado. No final das contas, o que vai apontar é o resultado. Quando o Roger foi demitido, a campanha estava sendo boa, o aproveitamento dele estava sendo bom, mas não conquistou o Campeonato Paulista. Isso pesou muito na demissão. O Felipão, se não ganhar nenhum título, vai ter um trabalho como o do Roger. Apesar do torcedor gostar mais do Felipão, vai depender dos resultados. Precisa de títulos.

Comentarista da ESPN Brasil, ele revelou que já foi sondado para voltar a trabalhar no futebol espanhol como gestor esportivo. Djalminha, que defendeu o La Coruña por sete anos, não descartou futuramente retornar ao esporte, mas reforçou que está feliz na sua atual função.

– Eu não tenho esse objetivo no momento. Porém, se algum convite aparecer bem elaborado, com uma função determinada na parte administrativa, pode ser, mas hoje eu estou muito bem e feliz no que estou fazendo. Estou gostando e curtindo o meu momento. Não estou pensando muito nisso agora, mas no futuro a gente nunca sabe. Eu recebi um convite, mas foi para trabalhar fora, na Espanha. Então, no momento não me interessava porque tinha que ir de novo para lá. Foi uma sondagem através de uns amigos, que são patrocinadores de alguns clubes lá. Eu falei que no momento eu não queria, mas não descartei para o futuro. Não era para o La Coruña, era para o mesmo patrocinador, que está com outros clubes na Espanha.

O jogador falou sobre o carinho que recebe do torcedor espanhol sempre que visita o país e afirmou que La Coruña e Flamengo, pelo tempo que ficou em cada clube, são as equipes com quem mais tem identificação.

– É uma loucura, é bastante gratificante. O reconhecimento dos torcedores por uma pessoa de fora, que não é do país, é impressionante. Sempre é uma maravilha e sempre estou voltando para visitar a cidade e o país. O Flamengo é um clube que eu posso falar que conheço bem. Foi o clube onde eu nasci e fui criado. O La Coruña foi o clube onde eu fiquei por mais tempo. Foram os lugares onde eu criei raízes mais fortes. No Palmeiras, eu tive uma passagem maravilhosa, mas foi apenas um ano e meio. Quando você conhece bem o clube, ajuda bastante.

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