Diretor suspeito de receber propina do Itaquerão vai estrear comissão da CBF

SÉRGIO RANGEL

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A denúncia de três delatores da Odebrecht envolvendo o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP) no recebimento de propina para o Itaquerão deve ser o primeiro caso apreciado pela Comissão de Ética da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

Cândido é diretor de Assuntos Internacionais da entidade e será denunciado por opositores de Marco Polo Del Nero ao novo órgão da entidade, criado no mês passado. O parlamentar teve um inquérito aberto no STF (Superior Tribunal Federal) a pedido do ministro e relator da Lava Jato, Edson Fachin.

Nele, três delatores da Odebrecht afirmaram à Operação Lava Jato que pagaram R$ 50 mil de propinas ao deputado para obter apoio em financiamento da obra do Itaquerão. Cândido era sócio do presidente da CBF, Marco Polo del Nero, e foi nomeado pelo cartola para ocupar a diretoria.

O deputado já afirmou que recebe na entidade quase "o mesmo salário" que ganha no parlamento, cerca de R$ 33 mil. A Comissão de Ética da CBF foi criada no mês passado e seus integrantes vão ocupar os cargos nos próximos dias. Três terão a tarefa de investigar as denúncias. Já outros três vão julgar os casos.

A comissão será teoricamente independente. A confederação pretende colocar no ar uma ferramenta online para torcedores e dirigentes denunciarem falhas cometidas pela entidade. Até agora, a CBF ainda não anunciou detalhes do funcionamento da comissão.

O órgão é uma tentativa de dar transparência à CBF, uma das protagonistas do escândalo internacional de corrupção revelado em 2015 no futebol mundial.

Marco Polo Del Nero, atual presidente da entidade, José Maria Marin e Ricardo Teixeira, que comandaram a CBF, foram denunciados pelo FBI por terem recebido propina na venda de direitos de torneios no país e no exterior Marin está preso no exterior desde então. Ricardo Teixeira, que comandou a confederação por mais de duas décadas, nunca mais deixou o país temendo ser preso. Del Nero adotou a mesma estratégia. Apesar de comandar a CBF, ele nunca mais viajou para o exterior.