Diretor Financeiro do Corinthians comemora resultados do balanço e explica próximos passos

Wesley Melo assumiu a direção financeira do Timão na atual gestão (Foto: Reprodução/Corinthians TV)


O Corinthians promoveu nesta sexta-feira (6) uma entrevista coletiva virtual com o Diretor Financeiro do clube, Wesley Melo, que detalhou o balanço financeiro corintiano em 2021, divulgado pelo clube no último dia 29 de abril.

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Acompanhado de Frederico Gama Gondim, sócio da Falconi, parceira do Timão na consultoria financeira, há mais de um ano, Wesley comemorou o superavit de líquido de R$ 5,6 milhões e a redução de 4% do endividamento do clube, que declinou de R$ 949 milhões pra R$ 912 milhões.

Ainda assim, Melo se mostrou cauteloso quanto ao futuro, já que classificou o resultado do balanço financeiro referente ao primeiro ano da atual gestão é a ‘vitória de uma batalha, mas não da guerra’.

- Essa gestão, do presidente Duílio, a gente entende que atingiu os resultados financeiros do primeiro ano. Os desafios eram prioritariamente ter uma mentalidade de gestão do clube, e não é fácil fazer uma mudança de cultura importante. A gente queria estancar o crescimento da dívida, que é o nosso calcanhar de Aquiles, passar a ter superavit operacional e final, e conseguimos. Celebramos porque foi uma batalha vencida, mas não é a guerra. Temos muito o que fazer, a guerra continua e tamos confiante de estar no caminho certo – disse Wesley Melo.

No ponto de vista de Wesley, a redução de somente 4% no endividamento corintiano parece baixa, mas que no ponto de vista financeiro representa um valor importante, próximo a R$ 40 milhões. O Diretor Financeiro do Timão também deixou claro que a intenção do clube não é zerar o endividamento, mas gerar uma curva de redução maior do montante total.

- Redução de R$ 40 milhões de 2020 para 2021. Em termos percentuais parece pequena essa queda de 4%, mas é muito expressivo se considerarmos a inflação do período. Foi um resultado significativo que a gente e acabou celebrando. Precisamos seguir trabalhando para diminuir. Nunca vamos zerar, não é esse propósito, mas precisarmos ter uma curva de redução da dívida e crescimento da receita – explicou Melo.

Para acelerar a redução das dívidas no Timão, Wesley Melo destaca que dependerá do que sobrará financeiramente ao fim do ano.

- A redução da dívida vai depender do que sobra no final do ano. O superavit operacional, a classificação de curto e longo prazo, se tem ou não liquidez, tem algumas variáveis. O que a gente quer é reduzir essa dívida em 2022. O lucro operacional é de quase R$ 100 milhões, o lucro final de R% 10 milhões, o que sobrar disso é que a gente vai usar para abater o endividamento. Como vai ser o reflexo de números, não dá para prever agora. Têm algumas variáveis que não dão para controlar. Mas a ideia é seguir com a curva de redução, mais do que os 4%, o quanto mais não da para dizer. São 4%, mas R$ 40 milhões é muito dinheiro – explicou Wesley Melo


Em 2021, o Corinthians registrou um recorde em receitas operacionais, com R$ 502,6 milhões de entradas líquidas, mesmo em uma temporada em que o clube não arrecadou com vendas de atletas. A ideia do departamento financeiro corintiano é manter esse fluxo.

- Se somarmos as receitas extraordinárias e as correntes pela primeira vez na história o Corinthians superou a R$ 500 milhões. Quebra de paradigma porque com essa receita conseguimos ter o superavit operacional e final sem venda de jogadores. Esse lucro operacional é basicamente o resultado entre o que arrecadação e gastos, a gente esse propôs a gastar menos do que arrecada e efetivamente e conseguimos. Nos anos anteriores, 2020, a gente gastou mais, e em 2019 também tivemos resultado negativo. A gente comemora esse resultado, estamos falando de mais de R$ 100 milhões de fluxo de caixa positivo. Em dois anos a gente espera atacar esse fluxo de caixa para torna-lo positivo e tornar em R$ 200 milhões – destacou Wesley.

- Esse ano, a gente já construiu uma peça orçamentária junto com o Corinthians. Em 2021, entramos no meio do ano. Esse ano construirmos uma peça bem desafiadora. Se conseguirmos, vamos chegar a R$ 100 milhões. Os principais desafios estão incorporados. Eu acho que o principal desafio que temos agora é executar e controlar os resultados de acordo com o que planejamos. Estamos no caminho positivo e agora é questão de execução, disciplina e compromisso – acrescentou Frederico Gondim, sócio da Falconi, que elogiou a mudança de mentalidade de gestão da diretoria corintiana.

- Clube tinha maturidade em gestão muito baixa. A gente avalia em série de dimensão, começando como era definido o planejamento estratégico, não tinha a longo prazo, não era desdobrada em forma objetiva em áreas, processos básicos, como gestão de viagens, eventos, distribuição de materiais, não era bem controlado, os principais projetos para os anos seguintes não estavam bem definidos, não tinha controle, definição. E é exatamente isso que a gente vem trabalhando com o clube há pouco mais de um ano – explicou Frederico, que concluiu falando sobre a ‘virada de chave’ no último ano.

- A gente identificou e desdobrou as principais iniciativas aplicadas para melhorar resultados e estruturou governança de controle que a gente apresenta com as principais áreas do clube. Liderança para entender como os resultados vão evoluindo ao longo do ano. Esa mesma lógica está sendo utilizada em 2021 e 2022. Tudo isso em uma mudança cultural no time. Resultdos positivos, operacional negativo de R$ 116 milhões em 2020, e em 2021 ele passa para quase R$ 70 milhões positivo, nível de endividamento caiu, o operacional saiu do vermelho. Acho que tem todo impacto forte no resultado, e quando a gente avalia a maturidade em gestão do clube, vemos uma evolução significativa, um nível de maturidade em gestão de médio para alto.

No geral, o entendimento é que essa mudança de mentalidade somado ao aumento de receitas que o Corinthians tem registrado é o que reduzirá gradativamente o endividamento do clube.

- Dívida física em torno de R$ 350, 400 milhões de reais, importante porque tem juros mais altos, uma parcela atrasada de imposto chega a 20% e a Selic que está nas alturas. Então, é algo que nos preocupa. Não é nem o valor nominal do endividamento, mas o quanto representa na receita. Quanto menor for a relação entre dívida e receitam, melhor para gente. Nominalmente ter uma dívida de R$ 900 milhões é sufocante, mas temos que fazer redução. No momento, temos R$ 500 milhões em faturamento, a dívida caindo, daqui a apouco teremos mais, a dívida vai diminuindo e teremos algo mais administrável. Colocamos para esse ano uma despesa financeira de R$ 80 milhões, que é um numero grande, o bom é que isso caísse pela metade, seria algo razoável - explicou Wesley Melo.

Confira outras respostas de Wesley Melo e Fredrico Gondim na entrevista coletiva

- Teve redução importante de custos, linha de despesa com pessoal. Em 2020, a despesa de pessoal teve redução significativa e uma parte dela, por lei, a gente foi autorizado a reduzir os salários. Salários de jogadores conseguimos, por lei, durante três meses, durante a pandemia, sem afetar o contrato. O número base deveria ser muito maior. Despesa financeira ainda é o nosso calcanhar de Aquiles, mas teve uma queda em 2021. Os juros Selic, de fato, caíram de 2020 a 2021, mas em 2021 subiu, será um desafio para 2022 - Wesley Melo.

Metas de venda de jogadores em 2022

A venda de jogadores é importante. A gente precisa ter um lucro maior, abater a dívida, ter um fluxo de caixa positivo, a venda de jogadores é importante. A gente tem em uma meta de vender mais de R$ 100 milhões para ajudar no fluxo de caixa. Importante menos econômico e mais por fluxo de caixa. A gente tem um trabalho sério desenvolvido com Falconi e o time de futebol, que a gente conhece os jogadores, potencial de mercado, possibilidade de venda, emprestados e os que estão aqui, e isso moldou o orçamento de 2022, onde a gente coloca uma meta de pouco mais de R$ 100 milhões para venda de jogador - Wesley Melo.

Relação de investimento com as categorias de base

No nosso trabalho de gestão com o Corinthians estamos suportando toda a definição de resultados financeiros de forma perene. Fizemos estudos de receita, despesas e custo de forma que o clube tenha um resultado positivo e perene. A decisão de compra e venda de jogadores, mesmo na base, continua em ultima instância na alta do clube. A gente avalia o pipeline de formação dos atletas, como o fluxo está evoluindo, mas a decisão de compra e venda continua com o clube, suportada pelas informações e análises que a gente fornece para o clube. Essa análise de retorno para o investimento a gente faz com informações de como está esse investimento em atletas da base e vai suportando para a diretoria, para que eles façam esse investimento até aumentar o funil - Frederico Gondim.

- A gente investiu em 2021 R$ 27 milhões na base. No ano anterior foi cerca de R$ 17 milhões, e no outro, 2019, foi R$ 25 ou 26 milhões. Estamos retomando o nível de investimento de dois anos atrás, porque é importante. E é só ver o time escalado pelo professor, a quantidade de jogadores jovens que nos auxiliam desportivamente e financeiramente na hora da venda - Wesley Melo.

Dívida com Giuliano Bertolucci

- A gente tem essa dívida, o que teve foi uma negociação de R$ 16 milhões e uma alocação do que é curto e longo prazo. Curto a gente tem que pagar para ele em um ano, era R$ 8 milhões. A partir daí a gente deve mais R$ 8 milhões há mais de um ano. Foi só uma classificação de ativo e passivo de uma dívida que é única, mas a gente faz alocação de curto e longo prazo – Wesley Melo.

- Corinthians adotou a prática de não adquirir ativos, não fazer grandes investimentos em aquisição. A gente optou por jogadores mais experientes, livres de mercado, mas, mesmo assim, a gente tem que pagar alguma coisa quando adquire, em termos de luva que nos comprometemos com o jogador, que você pagaria de qualquer forma, mais os direitos federativos e as luvas parceladas. O Corinthians não tem um poder aquisitivo para grandes investimentos, então a gente deu prioridade para alguns jogadores que estavam livres no mercado e as luvas são pagas em contrato - Wesley Melo.

- Uma parte foi pago, pagamos muito em 2021, e renegociamos muita coisa para pagar para frente, A gente tem que usar todas as estratégias possíveis quando o tem o fluxo de caixa negativo e o endividamento é alto. Uma das táticas é renegociar e postergar o máximo de pagamentos que conseguirmos, e conseguimos renegociar com os principais atletas. R$ 41 milhões pode ser alto, direito de imagem é remuneração de jogador, eu penso ser pouco, se eu tivesse mais direito de imagem do que despesa de jogador, porque direito eu não tenho encargo, não podemos eliminar essa dívida porque é recorrente, mas deve ser menor de qualquer forma - Wesley Melo.

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