Diretor do Butantan alfineta Bolsonaro, que ligou vacina a virar jacaré: 'Só vai virar um ser humano protegido'

João Conrado Kneipp
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Sem citar a frase específica, Ricardo Palácios fez menção à ironia de Bolsonaro sobre os possíveis efeitos da vacina. (Foto: Reprodução/YouTube)
Sem citar a frase específica, Ricardo Palácios fez menção à ironia de Bolsonaro sobre os possíveis efeitos da vacina. (Foto: Reprodução/YouTube)

O diretor médico de pesquisa clínica do Instituto Butantan, Ricardo Palácios, disparou uma “alfinetada” contra o presidente Jair Bolsonaro durante a divulgação da eficácia geral de 50,4% da CoronaVac, vacina contra a Covid-19 desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac Biotech.

Responsável por boa parte da apresentação, realizada na sede do Butantan, Palácios finalizou sua exposição rebatendo a afirmação irônica de Bolsonaro de que não havia garantias que as vacinas contra a Covid-19 não transformarão quem as tomar em "um jacaré".

“A vacina é extremamente segura. Ninguém vai virar outra coisa a não ser um ser humano protegido e imunizado quando tomar a vacina”, disse Palácios, sem citar o nome do presidente.

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A fala de Bolsonaro questionando possíveis efeitos colaterais das vacinas, feita em dezembro de 2020, viralizou e virou alvo de piadas pelo mundo, principalmente nos países onde a vacinação da população já começou.

“Lá no contrato da Pfizer, está bem claro nós (a Pfizer) não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um jacaré, é problema seu", disse Bolsonaro, na ocasião. “Se você virar Super-Homem, se nascer barba em alguma mulher aí, ou algum homem começar a falar fino, eles (Pfizer) não têm nada a ver isso. E, o que é pior, mexer no sistema imunológico das pessoas”, completou.

Um contador foi criado e mostra que ninguém virou jacaré após tomar o imunizante. O "Jacaré Tracker" estima quantas doses já foram administradas no mundo utilizando o levantamento do Our World in Data, sem levar em conta as que foram usadas em testes, e reforça que a vacinação ainda não começou no Brasil.

VACINAÇÃO EM SÃO PAULO

A previsão do governo paulista é que a imunização no estado comece no próximo dia 25 utilizando a CoronaVac. O uso, no entanto, depende que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) conceda autorização para uso emergencial da vacina.

O pedido foi protocolado na sexta-feira (8) na agência, que agora terá um prazo de até 10 dias para analisar todos os documentos enviados pelo Butantan dos estudos da fase 3 dos testes da vacina no país.

Entretanto, no sábado (9), a agência enviou oficio ao Butantan pedindo a apresentação de informações complementares, após concluir triagem inicial de documentação apresentada na véspera.