Diretor da base do São Paulo decreta fim do pedágio e do apadrinhamento e festeja ótima fase de Cotia

Jorge Nicola
Marcos Francisco comanda com rédea curta o CT de Cotia desde o ano passado

 

As categorias de base mudaram radicalmente as perspectivas do São Paulo para 2017. Primeiro, porque garantiram R$ 70 milhões em vendas de atletas nos dois primeiros meses do ano – com David Neres e Lyanco. Depois, ao encherem o time principal com jovens promissores, alguns deles titulares, como Junior Tavares e Luiz Araújo. Pois a tábua de salvação do Tricolor neste ano ficou durante muito tempo marcada por uma série de desconfianças em relação à gestão. Em entrevista exclusiva ao Blog, Marcos Francisco, diretor de Cotia desde março do ano passado, explica como uma política linha-dura mudou a base. Os números do CT também impressionam: R$ 20 milhões de investimento anual, 240 atletas empregados, 175 funcionários, 12 títulos no ano passado…

BLOG: Qual a sensação de ver 13 atletas da base integrando o time profissional?
MARCOS FRANCISCO: Vejo com bons olhos, pois são resultados nunca antes alcançados. A temporada de 2016 para a base do São Paulo foi espetacular, com 12 títulos, 22 jogadores convocados para a seleção, 13 atletas promovidos ao profissional… Duro será manter essa performance.

Qual o segredo para uma temporada como essa?
Pelo menos enquanto eu estiver à frente da base, não tem apadrinhamento de jogador, pedágio, nem nada disso. É meritocracia pura. E não adianta aparecer com empresário importante achando que vai ter vez. A postura é rigorosa.

Algum atleta já foi dispensado depois da mudança na filosofia?
Um monte. No fim do ano passado, por exemplo, dispensamos 18. O São Paulo não vai formar jogadores de futebol, mas cidadãos que jogam futebol. Por isso, temos no CT psicólogo, assistente social, dentista, professor… Exigimos boas notas dos atletas. Levamos todos para ver peças de teatro, estimulamos a prática de outros esportes…

É verdade que existe um teto salarial em Cotia?
Claro! Acabou essa história de salário inflacionado na base. Até os 16 anos, os atletas recebem apenas uma bolsa. Depois disso, os salários variam de R$ 3 mil a R$ 6 mil por mês, com gatilhos por performance, como convocações para a seleção brasileira.

Qual o tamanho do investimento do São Paulo com a base por temporada?
Todo esse trabalho que eu falei vem sendo desenvolvido desde o início da gestão do Leco. Porque, na base, não se colhe frutos da noite para o dia. Hoje, o clube investe cerca de R$ 20 milhões por temporada.

Não é um valor muito alto?
Em outros tempos, o São Paulo já gastou R$ 24 milhões. Estamos fazendo uma série de ajustes e ficando apenas com os melhores. Também não pagamos mais para que o atleta fique. Se ele exigir isso, vai embora. Ainda assim, o investimento é alto porque temos 240 jogadores, sendo 160 alojados, 175 funcionários, tudo isso em uma área de 230 mil metros quadrados, com nove campos oficiais e uma infraestrutura de primeiro mundo.

Depois de David Neres e Luiz Araújo, quais os próximos atletas da base que vão explodir no profissional?
Acredito demais no Lucas Fernandes. Se nada acontecer, ele tem futebol para virar titular absoluto, dar muitas alegrias para a torcida e ser vendido por um valor tão alto quanto o David Neres (saiu por R$ 50 milhões para o Ajax). Mas a safra é muito boa e conta com Júnior, Araruna, Lucas Kall, Foguete…

E dos meninos que ainda estão em Cotia?
Gosto bastante do Marquinhos Cipriano. Ele é do tipo de jogador do estilo do Luiz Araújo e do David Neres, que vai para cima, dribla, chuta, tem coragem…

Falando um pouco sobre você: como se transformou no manda-chuva de Cotia?
Eu fui chefe de delegação do São Paulo durante a disputa da Libertadores sub-20 do ano passado. Na volta, em 18 de março, fui nomeado diretor das categorias de base e estou aqui desde então.

Qual sua formação? E vai com qual frequência à Cotia?
Sou engenheiro e atuo numa empresa pública federal. E procuro ir todos os dias à Cotia, geralmente no meio da tarde. Aos sábados e domingos, passo o dia inteiro dentro do CT, acompanhando tudo o que se passa.

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