Diniz mantém os pés no chão e fala em corrigir os erros do São Paulo: 'Temos que esquecer essa vantagem'

LANCE!
·6 minuto de leitura


Vitorioso no primeiro jogo das quartas de final da Copa do Brasil, o técnico Fernando Diniz não quer pensar na vantagem construída pelo São Paulo no confronto com o Flamengo. Apesar de ter vencido, por 2 a 1, no Maracanã, o comandante do Tricolor afirmou que trabalhará para corrigir os erros de sua equipe e buscar um novo resultado positivo no Morumbi, na partida da volta.

- Temos que esquecer essa vantagem e procurar corrigir os nossos erros. É um time que tinha um grande técnico e agora tem um outro grande técnico. Temos que melhorar nosso time para o jogo no Morumbi - afirmou Diniz ao ser questionado sobre qual era o tamanho real da vantagem conquistada pelo São Paulo no Maracanã.

O treinador elogiou o trabalho de seus jogadores na noite da última quarta, mas reconheceu que erros foram cometidos - sobretudo na saída de bola no primeiro tempo. No primeiro tempo, o São Paulo encontrou dificuldades para enfrentar o Flamengo e não chegou a incomodar o gol defendido por Diego Alves antes da ida para o intervalo.

Em sua análise sobre a partida, Diniz elogiou a marcação do Flamengo e viu certa morosidade em sua equipe, embora não tenha encontrado uma explicação para diagnosticar o problema.

- Treinar o que treinamos para sairmos assim dá trabalho. Já tínhamos vencido linhas de marcação, mas o Flamengo conseguiu voltar e nos atrapalhar. É difícil precisar o porquê. Tem um pouco de erro técnico, tem erro de posicionamento do corpo. Não é simples, mas consigo enxergar que jogamos com uma certa morosidade para romper as linhas. Isso facilitou a marcação do Flamengo - expôs Diniz.

Na próxima quarta-feira, o São Paulo recebe o Rubro-negro, no Morumbi, precisando de apenas um empate para garantir vaga nas semifinais da Copa do Brasil e uma premiação de R$ 7 milhões. Importante ressaltar que, nesta fase, não há o gol qualificado fora de casa e, portanto, qualquer eventual vitória do Flamengo por um gol de diferença leva o confronto para a disputa dos pênaltis.

Confira a entrevista completa do técnico do São Paulo:


Maior legado no São Paulo é o resgate do futebol do atacante Brenner?
Uma das conquistas, claro, é o Brenner, mas não só o Brenner, mas também o Sara - que era um jogador desconhecido. Tem o Diego também, o Antony no ano passado. A melhora de condição de jogo do Bruno Alves, que hoje é um jogador mais completo. Todos os jogadores melhoraram. Hoje, o Brenner fez a diferença mais uma vez, mas vejo melhora em todos. O Volpi evoluiu muito e essa melhora de todo o elenco é nosso maior legado.

Postura no Maracanã
Isso depende muito de como o treinador quer jogar. Nós temos uma postura agressiva na marcação. Pressionamos bem a maior parte do tempo. Erramos coisas que não costumamos cometer e o Flamengo poderia ter aberto uma vantagem. Fomos um time meio moroso no primeiro tempo, e em alguns momentos do segundo tempo. O Flamengo fez uma marcação mais de espera no segundo tempo, esperando o nosso erro, e jogamos um pouco mais com cautela.

Sobre rodízio no grupo de jogadores
Poupo em situações muito específicas. A metodologia que a gente aplica e, principalmente, a relação próxima que temos com os jogadores faz com que tenhamos um número baixo de jogadores no DM. Vamos continuar fazendo a mesma coisa. Treinar, trabalhar e jogar. A medida do possível, vamos manter o time e quando acharmos que alguém está mais desgastado vamos poupar. Temos poupados mais nos treinos. É assim que a gente trabalha.

Sobre bolas alçadas nas costas da zaga do São Paulo e uma possível relação da ausência de Tchê Tchê na cobertura da linha de defesa
Não sei se teve essa quantidade tão grande de lances como você disse, mas aconteceram nos nossos erros. Cometemos erros que não costumamos cometer. A nossa rotina é de não cometer. Quanto à ausência do Tchê Tchê, é um jogador que contribuiu muito, mas não foi por conta da ausência dele que cometemos erros. Já cometemos erros em outras circunstâncias com ele em campo também.

Sobre o momento da equipe na temporada em relação ao início do ano
É difícil comprar esse momento com ele. Naquela época estávamos bem, tínhamos a sinergia com o torcedor. Acho que a gente está com mais consistência, está sabendo se superar. Estamos criando uma casca muito boa. Sabemos que temos que melhorar sempre, que vivemos um momento bom, mas sabemos que cometemos erros e esperamos melhorar.

Sobre erros na saída de bola
Não tem nada de kamikaze. Treinar o que treinamos para sairmos assim dá trabalho. Já tínhamos vencido linhas de marcação, mas o Flamengo conseguiu voltar e nos atrapalhar. É difícil precisar o porquê. Tem um pouco de erro técnico, tem erro de posicionamento do corpo. Não é simples, mas consigo enxergar que jogamos com uma certa morosidade para romper as linhas. Isso facilitou a marcação do Flamengo.

Sobre o panorama do mercado para os técnicos no futebol brasileiro
É um trabalho conjunto de todo mundo, mas a diretoria apostou e está todos os dias no CT. Acreditaram no trabalho. Muitas vezes, o resultado não veio, mas o time tinha consistência e trabalho envolvido. Quanto à defesa que fiz ao Domènec, é muito difícil no Brasil. O cara sofre duas derrotas e tudo muda. É o preço que pagamos no Brasil e eu não concordo com essa postura. Temos que gostar mais do trabalho do que do resultado no curtíssimo prazo. Espero que o Rogério tenha o mesmo tempo que ele teve no Fortaleza para mostrar o grande treinador que ele é.

Sobre estilo de jogo mais técnico que vem sendo adotado no futebol brasileiro recentemente
Não é um processo que chegou instantâneo, mas consumimos o futebol da Europa. O Liverpool precisou de tempo. Quando estive na Europa, conversei com o Guardiola, sobre quanto tempo precisava e ele disse que em um ano não dá para fazer nada. O Klopp já falou isso também em algumas entrevistas. Temos que ter insistência e coragem e saber que vamos cometer erros. Aqui, as derrotas são castigadas com a interrupção do trabalho. Tudo tem um limite, mas não tem como melhorar sem se arriscar.

Sobre a relação com a torcida do São Paulo
Trabalhou com bastante equilíbrio. É sempre importante ter a nossa torcida ao lado para nos apoiar. Espero que tenhamos uma simbiose como já tivemos no começo do ano.

Ainda sobre a relação com a torcida
Não sei se é o melhor momento da relação. Os dirigentes tiveram coragem e paciência para tocarem comigo o trabalho. Todo mundo gosta de ser agraciado com o carinho do torcedor e lutamos insistentemente para isso. É muito importante saber receber o carinho do torcedor e fazer o máximo

O que mudou do primeiro para o segundo tempo?
Melhorou a dinâmica da saída de jogo. Não tomamos tanto risco, mas à medida que jogamos mais nas nossas características, o risco é diminuído. Basicamente, foi isso. Procurar ser mais agressivo e ocupar os espaços para chegarmos mais rápido ao gol do Flamengo.