Dimas Covas cobra governo para início da vacinação: 'Excelente vacina, mas precisamos que ela chegue aos braços'

João Conrado Kneipp
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SAO PAULO, BRAZIL - DECEMBER 23: Dimas Covas Director of Butantan Institute speaks during a press conference about the conclusion of the CoronaVac vaccine clinical study at Butantan Institute on December 23, 2020 in Sao Paulo, Brazil. According to the Butantan Institute and the Government of Sao Paulo, the CoronaVac vaccine developed in partnership with the Chinese laboratory Sinovac reached an efficacy rate higher than the minimum recommended by WHO (World Health Organization). The official release of the vaccine's efficacy numbers will be published after the Chinese laboratory unifies data from studies in other countries to avoid different indices. (Photo by Alexandre Schneider/Getty Images)
Dimas Covas destacou que, no Brasil, a CoronaVac teve eficácia de 100% contra as formas graves, moderadas ou internações pela Covid-19. (Foto: Alexandre Schneider/Getty Images)

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, cobrou do governo do presidente Jair Bolsonaro o início da vacinação da população, em fala feita durante o anúncio da eficácia da CoronaVac, imunizante contra a Covid-19 desenvolvido pelo governo de São Paulo em parceria com a empresa chinesa Sinovac Biotech.

Nesta quinta-feira, foi anunciado que a eficácia da CoronaVac contra o novo coronavírus é de 78% nos testes conduzidos no Brasil. O governador João Doria (PSDB) classificou a divulgação dos dados dos testes de fase 3 como um “dia histórico” e de celebração “da vida”.

“É uma excelente vacina para o momento, mas precisamos que ela chegue aos braços dos brasileiros. Precisamos que ela seja aplicada nos profissionais de saúde, que estão na linha de frente, e nos idosos, que compõem o grupo de risco”, cobrou Dimas.

O ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, afirmou na noite de quarta-feira (6) que o Brasil está preparado e tem seringas suficientes para iniciar a vacinação contra a Covid-19 ainda em janeiro. O ministro também elencou a CoronaVac dentro das vacinas previstas no PNI (Plano Nacional de Imunização).

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O diretor do Butantan também destacou que, nos testes realizados no Brasil, a CoronaVac teve eficácia de 100% contra as formas graves, moderadas ou internações pela Covid-19. Ou seja, daqueles voluntários imunizados e que mesmo assim tiveram a doença, nenhum deles desenvolveu quadros graves, moderados ou precisaram de hospitalizações.

Outro dado importante no estudo é de que a CoronaVac garantiu proteção total contra mortes nos voluntários vacinados que pegaram a Covid-19. Dos voluntários que receberam as doses do imunizante e que mesmo assim desenvolveram a doença, nenhum morreu.

“Se nós já tivéssemos a vacinação na população com essas vacinas, poderíamos esperar um resultado similar a isso. Na prática, estaríamos evitando mortes, evitando casos graves, moderados, evitando internações e reduzindo significativamente os casos leves”, completou Dimas.

OS TESTES DA CORONAVAC NO BRASIL

Os testes da CoronaVac no Brasil começaram em 20 de julho e envolveram 13 mil voluntários da área da Saúde em 8 estados. Os profissionais, divididos em um grupo que recebeu o imunizante e outro que recebeu um placebo, tiveram duas doses da CoronaVac aplicadas em um intervalo de 2 semanas.

Desses, cerca de 220 foram infectados pelo Sars-CoV-2.

Os estudos clínicos da vacina encabeçada pelo governo paulista foram apresentados à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em reunião com membros do Butantan. Após o encontro, o Butantan oficializou o pedido para registro emergencial do imunizante.

Os dados foram revisados na Áustria pelo Comitê Internacional Independente, que acompanha os ensaios realizados em São Paulo e em outros estados do país. Doria reiterou na véspera que a vacinação no Estado começará dia 25 de janeiro.

O anúncio ocorre após três adiamentos da divulgação da eficácia da CoronaVac. O governo de São Paulo disse que divulgaria os dados preliminares da fase 3 em 15 de dezembro, mas na véspera mudou de tática porque a alta circulação do vírus no Brasil permitiu chegar a um patamar de voluntários infectados suficiente para fazer o estudo para pedir um registro definitivo.

A nova data para o estudo final seria 23 de dezembro, mas foi novamente adiada. O motivo: a Sinovac viu discrepâncias entre os resultados de eficácia no Brasil e na fase 3 que conduz em locais como Turquia e Indonésia.

Pessoas com acesso às conversas sugerem que a eficácia no exterior ficou algo acima da brasileira porque o estudo aqui foi feito com pessoas mais expostas, só profissionais de saúde, enquanto lá fora os grupos representavam a população em geral.

O Butantan já tem em solo brasileiro 10,8 milhões de doses da CoronaVac. A expectativa do instituto é chegar a 46 milhões de doses em janeiro e 100 milhões em maio.