Diego Costa ‘ralou’ na 25 de março e quase largou futebol por bullying

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Diego Costa em ação pelo Atlético de Madrid (Foto: Denis Doyle/Getty Images)
Diego Costa em ação pelo Atlético de Madrid (Foto: Denis Doyle/Getty Images)

LISBOA (PORTUGAL) - “A gente foi junto no mesmo avião para Portugal. Na verdade, eram três garotos ao todo, mas desde o início dava para ver que o Jorge (Mendes) o tratava diferente. O Diego também ficou encantado com tudo que viu, a tribuna de honra em Braga, tudo de vidro, o visual do estádio. Ele era mais ou menos como é ainda hoje: mega simples, simpático e inteligente”, recorda a empresária Cristiane Pernambuco.

Pernambuco foi uma das responsáveis por intermediar a ida de Diego Costa do modesto Barcelona Capela, da zona sul de São Paulo, para o Braga, de Portugal, em 2006.

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Na altura, o atacante tinha apenas 18 anos e uma carreira inteira pela frente.

Com uma breve passagem pela quarta divisão paulista, ele deixou o Brasil como mais um garoto que sonhava apenas em garantir uma vida melhor para a sua família. Não haveria melhor forma de conseguir isso do que entrar no radar do superagente português Jorge Mendes, que cuida de Cristiano Ronaldo, José Mourinho e outros nomes.

E Diego conseguiu isso e mais um pouco.

Praticamente 15 anos mais tarde, ele arruma as malas novamente, porém, dessa vez para voltar para casa e, enfim, disputar o Brasileirão.

Novo reforço do Atlético-MG, Diego tem desembarque previsto em Belo Horizonte na manhã desta terça-feira. A sua apresentação, por sua vez, está marcada para a quinta. Depois disso, será apenas uma questão de deixá-lo pronto para fazer o que mais sabe: os gols que o fizeram brilhar pelo Atlético de Madrid e o levaram para o Chelsea. Sem jogar desde janeiro, terá que correr contra o tempo.

Nada que assuste o jogador que ficou encantado ao pisar na Europa pela primeira vez e ver a pedreira que se integra de forma perfeita ao estádio do Braga. Mesmo novo, ele teve de passar por muito para chegar até ali.

Mais do que isso, teve de mostrar personalidade para fazer valer a sua vontade e decidir o seu futuro.

Com uma proposta firme do São Caetano que lhe assegurava luvas generosas, ele foi pressionado por sua família a assinar com o time do ABC paulista. Bateu o pé, no entanto, e preferiu cruzar o oceano para atuar em Portugal. Foi o seu grito de liberdade de todas as agruras que passou em sua caminhada.

Em mais de uma ocasião, Paulo Moura, presidente do Barcelona Capela, seu então clube, teve de partir à sua procura na rua 25 de março, famoso ponto de comércio popular de São Paulo, para evitar que ele abandonasse os gramados. Na época, Diego morava com parentes na capital paulista e sofria com bullying praticado por seus primos.

Eles se gabavam de ganhar R$ 2.000 mil por mês enquanto Diego recebia somente uma ajuda de custo que não superava os R$ 500.

Sem a convicção de que teria um futuro no futebol, ele se deixava levar pelas provocações e cogitou largar tudo para fazer dos bicos na 25 de março a sua ocupação principal.

“Apesar de não ser de uma família paupérrima, ele foi muito testado. Em determinado momento, os primos adoravam falar bobagem, algo da idade e começaram a tirar sarro dele. Podiam ir para a balada, cinema, comprar tênis enquanto o Diego não tinha dinheiro direito nem para pagar a condução", afirma Paulo.

Natural de Lagarto, no interior de Sergipe, Diego resolveu, então, deixar a casa de seu tio e se mudar para o alojamento do Barcelona.

A decisão surtiu efeito rapidamente, mas uma punição controversa do tribunal desportivo quase encerrou de vez a sua carreira. Depois de ser expulso em uma partida, ele acabou recebendo uma pena de 120 dias. Ficou revoltado e, claro, não parava de chorar.

“Foi um lance bobo. Nem mandamos advogado, chegou no julgamento e fizeram aquela patifaria. Só que eu gravava todos os jogos, tinha várias câmeras para captar o material dos atletas. Numa delas, pegou o lance direitinho, o adversário tinha dado um soco nas costas dele, quase na cabeça, e ele levantou o braço para se proteger. Entramos com o recurso, acataram e conseguimos a sua liberação”, explica Paulo.

No compromisso seguinte, liberado para atuar, Diego entrou no intervalo e, em 45 minutos, convenceu os enviados do empresário Jorge Mendes de seu potencial. Foi o suficiente para carimbar o seu passaporte e embarcar em uma aventura pelo mundo afora.

Aos 32 anos, muito mais experiente e com o seu faro de artilheiro reconhecido por todos, ele chega agora para fortalecer ainda mais o Atlético-MG em sua busca pelos títulos do Brasileirão, da Libertadores e da Copa do Brasil.

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