Como transformar o Dia dos Namorados em um dia de auto-amor

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Buscar entender a si mesma é, talvez, o maior segredo para ter relacionamentos saudáveis (Foto: Getty Creative)
Buscar entender a si mesma é, talvez, o maior segredo para ter relacionamentos saudáveis (Foto: Getty Creative)

Seria cômico se não fosse trágico: passar o Dia dos Namorados no meio da quarentena de coronavírus. A data dá match desde que você já tenha companhia. Caso contrário… Talvez você se veja no fim de mais uma sexta-feira de confinamento abraçada à uma taça de vinho, se perguntando onde foi que você errou, repensando todos os seus relacionamentos passados e questionando se algum dia você vai conseguir encontrar um crush ao vivo. 

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O amor, talvez, pareça só uma ideia distante, tão distante quanto a lembrança de sair na rua para curtir um bloquinho no último Carnaval. Mas, aproveitando o ensejo, fica a pergunta: será que o amor só é válido a dois? Cultivar o amor por si mesma é mesmo o fundo do poço, como dizem os céticos e amargurados de plantão? Ou será que vale a pena usar o momento para investir num relacionamento com você mesma?  

E longe de nós pregarmos o discurso conformista de que você precisa esquecer os relacionamentos e se amar em primeiro lugar. É só mais profundo do que isso: amar outra pessoa e receber a reciprocidade desse carinho é maravilhoso, mas assim como gentileza atrai gentileza, amor atrai amor também. Por isso, relacionamentos saudáveis e duradouros precisam, no fim das contas, começar com você mesma. 

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Para Carla Lemos, fundadora do Modices e defensora do autocuidado e da moda a favor de cada uma, é preciso sair do mundo dos contos de fada, em que a mulher só é completa quando encontra um par, para buscar essa completude em si mesma antes de tudo. 

"Se a gente fica buscando isso no outro, fica frustrada", conta ela. "No fundo, a gente precisa se amar para poder se entender, para não cair nas armadilhas de relacionamentos abusivos. A gente só se torna mais forte, mais segura e até mais receptiva a todos os outros sentimentos quando está bem."

Segundo ela, essa auto-completeza só é possível, em si mesma, através do autoconhecimento. E você tem razão: o processo não é simples - para a própria Carla, ele começou conscientemente em 2013, e é considerado por ela um relacionamento a longo prazo. Uma relação consigo mesma, claro, e isso independe se você está solteira ou namorando alguém agora. 

"Até para quem já está em um relacionamento, é muito importante buscar esse lugar de fazer por si e não colocar expectativa no outro. Eu até postei [nas redes sociais] que eu comprei flores para mim mesma, porque eu não preciso ficar esperando alguém me dar um buquê."

Carla explica que é preciso sempre olhar para dentro para diminuir a expectativa que colocamos nos outros - seja por conta de um relacionamento considerado ideal, ou por causa da imagem cultivada nas redes sociais. Esse processo de autoconhecimento e autocuidado é o que vai nos colocar em contato com o tão falado amor próprio. 

"A gente precisa, acima de tudo, buscar novas formas de ter um relacionamento saudável consigo mesma", reflete. "É começar parando de se criticar ao se olhar no espelho. A gente tem esse hábito. Como nada em nós mesmas é bom o suficiente, a gente tem essa mania de ser crítica demais, de só sair procurando defeito. Talvez esse seja um bom momento para parar de olhar coisas negativas, ou quando fizer uma crítica negativa, falar alto coisas que são positivas, que fazem bem, como um contraponto."

Para a blogueira, que há anos trabalha a questão da autoestima feminina nos seus canais online, precisamos olhar para nós mesmas mais como nossas próprias amigas, ao invés de dar força para os comentários negativos que temos sobre nós mesmas. "Se fosse a sua melhor amiga falando mal de si mesma, você não mostraria para ela que ela tem coisas positivas?"

Diga-me quem segues no Instagram, que te direi quem és

Se é difícil começar com você e com o que vê refletido no espelho, comece com o seu entorno. Cuidar das influências que você aceita para a sua própria vida é essencial para re-moldar a visão que você tem de si mesma. E, aproveitando que essa é uma fase em que todo mundo está refletindo sobre o papel dos influenciadores, nada melhor do que fazer uma limpa nas suas redes e, então, cercar o seu feed (e a vida real) de influências que acrescentam.

"É o momento em que o detox é muito bem-vindo, para se livrar desses padrões. Eles podem ser muito nocivos, e a gente precisa buscar pessoas que tenham vidas mais normais e que tenham esse posicionamento de se olhar com mais carinho. A gente aprende por exemplo", continua ela. 

Por isso, Carla explica a importância de tomar controle daquilo que você pode controlar: o seu feed do Instagram, aquilo que você assiste na Netflix e até as referências que salva no Pinterest. Vale até buscar novas amizades com pessoas que são mais parecidas com você e estão no mesmo caminho de autoconhecimento. 

"É um processo longo, não vai ser de um dia para o outro. Mas, a longo prazo, você vai ter dias muito melhores. Os dias piores vão ser exceção, e você vai conseguir ter relacionamentos mais saudáveis como um todo", finaliza.    

Melhorar a autoestima - de verdade

Nuta Vasconcellos, nome por trás do Chá de Autoestima, ensina também um outro caminho: primeiro, compreender os artifícios que você usa para dizer que está construindo a sua autoestima, mas que, no fundo, está apenas ligado a um desejo de agradar o outro. É aquela história: você se depila porque realmente se sente bem com isso, ou o faz porque é um padrão e porque acha que os homens gostam de mulheres depiladas?

"Assim, tomamos consciência que autoestima são questões profundas e devem ser tratadas de dentro pra fora, para a tomada de consciência real de que somos dignas e merecedoras", explica ela. "Autoestima é uma jornada, e, para ingressarmos nessa jornada, precisamos da nossa permissão. Só assim conseguimos deixar vir à tona a mulher que de fato somos e não aquela que a gente acha que deve ser, as que os outros acreditam que nós somos."

De fato, não existe receita de bolo (o que significa que dificilmente o processo é o mesmo para todas nós), muito menos uma fórmula mágica. O ideal é topar fazer um mergulho interno, de verdade, deixando as máscaras de lado e trabalhando o autoconhecimento, para "viver o seu eu verdadeiro", como explica Nuta. 

"Se você realmente se liberta das mentirinhas que temos a tendência a contar para nós mesmas, se entrega aos exercícios de autoconhecimento e coloca em prática as ferramentas de autoconhecimento você ganha: clareza, segurança, entende de verdade a origem das suas questões, consegue ressignificá-las e, principalmente, toma o controle da sua própria vida", continua. 

Segundo ela, muitas mulheres ainda não entenderam o tamanho do poder feminino ou o que ele é, de fato. Ele é intuitivo, mediador, integrativo, equilibrado, acolhedor e amoroso, e tomar consciência disso é transformador não só para nós mesmas, mas para o mundo. 

"Quando a gente se conhece de verdade, trabalha a ideia que somos dignas e merecedoras, nós entendemos nossos limites, como queremos nos posicionar, o que é importante para nós. Conseguimos até mesmo nos expressar melhor, algo fundamental para todos os relacionamentos. Costumo dizer que antes mesmo de qualquer habilidade, diploma ou oportunidade, a autoestima é a chave para o verdadeiro desenvolvimento e despertar de nós mesmas", diz ela. 

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