Diário de Viagem: O veloz, o mestre do escape e o cara novo. E todo mundo livre

PEDRO HENRIQUE MARUM

Mais uma etapa, mais um diário.

O Velo Città recebeu sua segunda etapa na temporada 2019 e, claro, o GRANDE PRÊMIO lá estava. Da primeira, Felipe Noronha foi o encarregado; agora, este escriba. Não conhecia a pista, mas vamos começar antes, porque a jornada é longa e estreita.

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A realização de uma prova da Stock Car na semana anterior ao GP do Brasil apresenta um desafio logístico para o repórter que não reside em São Paulo. Então, ainda na quinta-feira à noite, malas prontas, despedidas feitas e vamos para dez dias fora de casa. Em coberturas como Copa do Mundo ou Olimpíadas, o tempo fora de casa é maior, mas você tem quatro anos para processar a informação. 

Tudo pronto, vamos voar para Campinas. De lá, estrada até Mogi Guaçu e a chegada no que parecia um filme de terror. As nuvens do fim de mundo se aproximavam amedrontadoramente do Velo Città e a chuva era questão de tempo. Tempo que não tardou, óbvio. Um pé d'água daqueles fez com que meus pés, desfilantes pelo chão do paddock, ficassem ensopados. Calma, chuva, são dez dias e um par de tênis só. Segura tua onda.

Thiago Camilo (Foto: Duda Bairros/Vicar)


Não segurou. Com o pé saído de uma plantação de arroz, trabalho a fazer. A primeira coisa era conversar com os protagonistas de Cascavel: Felipe Lapenna, punido pelo STJD após o episódio de fúria na sala dos comissários, tinha que ser ouvido. E admitiu o erro, sem problemas, disse que a punição ficou de bom tamanho. Legal, legal.

Depois, Gabriel Casagrande, que saiu do Paraná cuspindo abelhas africanas pela vitória de Felipe Fraga - e Cacá Bueno, superior e companheiro dos dois jovens. Fraga não precisava, porque falara sobre o caso. Casagrande achou que pegou até leve. Cacá, por outro lado, cravou que nada daquilo devia ter acontecido e que a equipe terá de resolver tudo isso no futuro.

Casagrande, aliás, vive grande fase. O pódio que conquistou na corrida 1 do Velo Città foi o quinto seguido. A pinta era toda de que ele seria o próximo novo vencedor da categoria. Mas, enfim, chegaremos nisso daqui a pouco.

Depois das entrevistas feitas, o caminho da sala se imprensa foi tomado para as práticas normais do jornalismo. E a notícia que colocou todo o país em polvorosa ainda na quinta-feira tinha um rápido desdobramento: com o STF julgando inconstitucional a prisão até que todos os esforços de defesa sejam esgotados. A equipe jurídica do ex-presidente Lula agiu rápido e na tarde da sexta-feira ele estava deixando a prisão de Curitiba na qual ficou por dois anos. 

É lógico que isso também teve desdobramentos na Stock Car, por que pilotos comentavam e criticavam, alguns membros da imprensa comemoravam e outros fechavam a cara. É quase impossível ficar alheio a um evento com esse. 

No sábado, a chuva virou sol escaldante e a pista, enfim, ganhou vida. No calor que se esgueirou à frente da água, Thiago Camilo conseguiu a sexta pole dele no ano. Impressionante, como é rápido. Ninguém na Stock Car é mais rápido que Camilo em 2019. Ricardo Maurício, colíder, mais uma vez classificou muito mal e viu o fim de semana dramaticamente atrapalhado. 

A chuva (Foto: Duda Bairros/Vicar)


O domingo começou com a chuva fina e, ainda que tenha parado antes da largada, a pista ainda estava molhada - como o meu pé e o solitário e coitado par de tênis.

Na pista, Camilo venceu a primeira e teve a ajuda da Cimed: a equipe decidiu trocar apenas dois pneus de Felipe Fraga, que voltou na liderança da corrida após o pit-stop. Mas os pneus eram de chuva enquanto a pista secava - estratégia que Marcos Gomes e Valdeno Brito já haviam adotado antes e que saiu pela culatra com intensidade ímpar. A fé da Cimed de que o resultado seria diferente foi comovente, mas claro que estava errada. 

Fraga praticamente deu adeus ao campeonato. Contudo, enquanto alguns tinha brilharecos e outros se decepcionavam, Daniel Serra levava a corrida em banho-maria. Terminou em terceiro a corrida 1, após largar em quarto, com o mesmo Fraga como vítima. 

Na segunda corrida, reagrupou o material. Camilo e ele iam bem, mas uma dividida de espaço dos dois terminou com Thiago rodando mesmo sem que houvesse um toque. Ao olhar de que faz esta análise, um acidente de corrida, mas que mudou os rumos da prova. Serra, um mestre na arte do escape, escapou em terceiro. 

Ao fim da corrida, Camilo reclamou para os comissários. Ao GRANDE PRÊMIO, disse que não achava que tinha sido maldade. O GRANDE PRÊMIO, claro, foi questionar Daniel sobre o que ele achava do incidente. Quando informado que Camilo não culpava-o respondeu assustado: "Então pergunta lá por que ele protestou". O GRANDE PRÊMIO não tinha outra escolha: foi perguntar exatamente isso a Camilo. Que emendou: "Não acho que ele fez de maldade, mas não concordo mesmo assim."

Na frente, o cara novo. Bruno Baptista rendia bem e dava pinta, depois de todas as paradas, de que terminaria em terceiro, atrás de uma dobradinha da Shell. Só que o ritmo dele passou a ser bem melhor, algo causado, de acordo com o piloto, pelo fato dele ter poupado pneus enquanto Ricardo Zonta e Átila Abreu, não. Zonta caiu para quarto, enquanto Átila teve problemas e fechou em décimo. Baptista passou os dois de forma linda e já havia, lá no começo, entrado em boas brigas com Diego Nunes - que conseguiu fechar em segundo. Venceu a primeira dele.

Maurício, é bom destacar, chegou em quarto na corrida 2 e foi punido - terminou, oficialmente, em oitavo. Agora, com duas etapas para o fim, Serra tem dianteira de 18 pontos.

Um último adendo: a Stock Car está de parabéns pelo feijão que linguiça que apresentou no sábado. Sei que o pessoal em São Paulo costuma chamar aquilo de feijoada, mas para um carioca, como eu, é só feijão. Um ótimo feijão. Que volte. Feijão, sempre. #TeamFeijão

É isso. Fora da fazenda do Velo Città, estrada de volta para São Paulo e mais um tempo longe de casa. Tem Fórmula 1 para todos do GRANDE PRÊMIO. Goiânia, nos dias 22, 23 e 24 de novembro, recebe a penúltima etapa da temporada.

 


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