“Desonesto, mentiroso”, diz Mandetta sobre Paulo Guedes

Ana Paula Ramos
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Brazil's Health Minister Luiz Henrique Mandetta gestures as he speaks during a press conference in Brasilia on April 16, 2020. - Brazil's Health Minister Luiz Henrique Mandetta said Thursday he had been sacked by President Jair Bolsonaro, after weeks of clashes between the two over the country's response to the coronavirus pandemic. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta foi demitido do cargo em abril de 2020 (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
  • Luiz Henrique Mandetta reage a declarações de Paulo Guedes

  • Guedes diz que compra de vacina está atrasada desde época do Mandetta

  • Ex-ministro da Saúde deixou cargo em abril, quando ainda não existiam vacinas contra covid

Nesta quarta-feira (17), o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta reagiu às declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, que disse que o Brasil está atrasado na busca por vacinas contra covid-19 desde a época que a pasta da Saúde era comandada por Mandetta, no começo da pandemia.

"A entrega da vacina não está atrasada só agora, não. No primeiro dia, (Luiz Henrique) Mandetta (ex-ministro da Saúde) saiu com R$ 5 bilhões no bolso. É desde aquela época que deveríamos estar comprando vacina, não é mesmo? O dinheiro estava lá", declarou Paulo Guedes.

Brazilian Finance Minister Paulo Guedes speaks during a press conference on a new fuel tax policy at Planalto Palace in Brasilia on February 5, 2021. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Ministro da Economia, Paulo Guedes (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

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A declaração do ministro da Economia foi dada à CNN Brasil e gerou indignação no ex-ministro da Saúde.

“Desonesto, mentiroso”, afirmou Mandetta.

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“É inacreditável que o homem responsável pela economia do país esteja criando uma narrativa mentirosa para disfarçar a própria incompetência, dele e do governo do qual faz parte”, acrescentou o ex-ministro à colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo.

“A incompetência e o negacionismo, aos quais Paulo Guedes sempre fez coro, dizendo que a economia era o mais importante, nos levaram a essa situação, em que faltam imunizantes”, disse.

"Essa política está condenando pessoas à morte e empresas à falência, por responsabilidade dele e do governo".

Segundo ele, os R$ 5 bilhões a que Guedes se refere foram destinados à compra de 15 mil leitos de CTI (Centro de Terapia Intensiva) e equipamentos de proteção individual, como máscaras, e testes “que o governo não usou e deixou vencer”.

Mandetta, que deixou o cargo em abril de 2020, lembra que os primeiros testes de vacinas contra o novo coronavírus foram anunciados em maio.

“Em 16 de abril, eles me exoneraram, não me deixaram trabalhar porque o meu caminho sempre foi pela ciência”, afirma.

“Eu sempre disse que o caminho de saída seria pela ciência e que compraríamos vacinas assim que tivéssemos a primeira oferta”, disse.

Os imunizantes começaram a ser negociados entre junho e julho, quando os Estados Unidos, por exemplo, compraram doses da Pfizer. A farmacêutica alega que, em agosto, fez uma proposta ao governo brasileiro e não obteve resposta.

A primeira vacina no mundo foi aplicada em 8 de dezembro, no Reino Unido.

BELO HORIZONTE, BRAZIL - MARCH 17: CoronaVac vaccine boxes arrive at Belo Horizonte International Airport on March 17, 2021 in Belo Horizonte, Brazil. 509,800 CoronaVac vaccines arrive to continue to immunize health professionals and the elderly between 75 and 79 years old, in the state of Minas Gerais amid the coronavirus pandemic (COVID - 19). (Photo by Pedro Vilela/Getty Images)
Vacina Coronavac (Photo by Pedro Vilela/Getty Images)

Mudanças no Ministério da Saúde em meio à crise

O presidente Jair Bolsonaro já trocou quatro vezes de ministro da Saude desde o início da pandemia do novo coronavírus. Na terça o novo ministro da Saúde, o cardiologista Marcelo Queiroga, foi anunciado após pressão pela saída do general Eduardo Pazuello.

O novo ministro discursou na noite da terça, pouco antes do recorde de mortes ser anunciado. Defendeu o uso de máscaras e pediu para que brasileiros lavem suas mãos. Falou isso após defender que com essas medidas simples, somadas a um bom plano de vacinação, a economia não vai precisar parar.

Ritmo lento de vacinação contra covid faz Saúde colapsar

Em paralelo a isso, o ritmo dos números de pessoas vacinadas pelo país ainda é lento, indo de encontro a uma tradição brasileira de vacinar em larga escala devido ao alcance do Sistema Único de Saúde (SUS).

SAO PAULO, BRAZIL - MARCH 15: A senior citizen receives the coronavirus vaccination shot at a vaccination post in the Republica Basic Health Unit on March 15, 2021 in Sao Paulo, Brazil. The state of Sao Paulo started to immunize citizens aged between 75 and 76 years old. Health authorities announced they expect to vaccinate 420,000 people within this phase and should reach the milestone of 4 million vaccinated people today. Brazil has over 11.400,000 confirmed positive cases of coronavirus and has over 278,000 deaths. (Photo by Alexandre Schneider/Getty Images)
Vacinação em SP contra covid (Photo by Alexandre Schneider/Getty Images)

Rio de Janeiro levaria dois anos para vacinar no atual ritmo

Se o ritmo atual de vacinação for mantido, por exemplo, a população total do estado do Rio, terceiro mais populoso do país, só será imunizada em pelo menos dois anos, ou 775 dias.

Para imunizar até o final deste ano toda a população do estado apta a receber o imunizante, com mais de 18 anos de idade, 12,7 milhões de pessoas, seria preciso mais que triplicar o número de aplicações diárias.

A projeção é do painel MonitoraCovid, produzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que também prevê 995 dias, ou dois anos e meio, o tempo para que todo o País seja vacinado contra a Covid-19.

Os cálculos são do epidemiologista Diego Xavier, responsável pelo MonitoraCovid da Fiocruz, em entrevista ao jorna O Globo.

Ele alerta, no entanto, que a recente paralisação da vacinação no Rio e em outras cidades ainda não entrou nos cálculos, e a projeção de vacinar toda a população poderá ser ampliada.

Diego destaca que o Sistema Único de Saúde (SUS) tem condições de fazer as aplicações diárias necessárias, mas a logística depende da disponibilidade de vacinas e da coordenação eficaz entre todos os entes envolvidos.

Estados que mais vacinaram contra covid (em %)*

  1. Amazonas - 8.57%

  2. São Paulo - 6.43%

  3. Distrito Federal - 5.62%

  4. Mato Grosso do Sul - 5,6%

  5. Rio Grande do Sul - 5,46%

* Dados atualizados em 16/3/2021

Brasil tem recorde de mortes por Covid em 24h: 2.798

O Brasil registrou 2.798 mortes pelo novo coronavírus nesta terça (16) e teve o seu pior dia da pandemia, segundo o consórcio de veículos de imprensa formado por O Globo, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de São Paulo.

De acordo com os números do consórcio, que reúne informações das secretarias de saúde dos estados até às 20h, cinco estados tiveram seus piores dias na pandemia: SP, RS, SC, PR e MS.

Brasil vive maior colapso sanitário de sua história

A escalada da Covid-19 chegou ao ponto mais crítico no Brasil, deixando quase todos os estados à beira do colapso na saúde. De acordo com a Fiocruz, trata-se da maior crise sanitária da história do país.

Entre as 27 unidades da federação, 24 estados e o DF estão com ocupação de leitos de UTI acima dos 80%. Entre esses estados, 15 tem ocupação maior que 90%. Roraima (73%) e Rio de Janeiro (79%) são as únicas duas unidades da federação com índices mais baixos.

Mapa da Fiocruz mostra maior colapso sanitário da história do Brasil - Foto: Reprodução/Twitter
Mapa da Fiocruz mostra maior colapso sanitário da história do Brasil - Foto: Reprodução/Twitter