Desfalques pesam, mas não justificam derrota do Corinthians

Alexandre Guariglia
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O Corinthians voltou a ter uma atuação que decepcionou o seu torcedor ao ser derrotado pelo Bahia, por 2 a 1, na Fonte Nova, em jogo atrasado da 30ª rodada do Brasileirão-2020. Com uma série de desfalques, causados por motivos diversos, o elenco ficou ainda mais enfraquecido, mas não se pode colocar toda a justificativa em cima disso, os sinais de alerta já estavam aí antes do revés.


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A principal baixa do Timão foi Cazares, que vinha sendo o principal jogador da equipe desde que engrenou uma sequência de jogos entre os titulares. É ele quem arma o time, gera dinâmica no setor ofensivo e evita que a estratégia seja jogar bola na área de forma aleatória, como aconteceu diante do Tricolor baiano, quando mais de 40 cruzamentos foram arriscados durante o duelo.

Ao lado do equatoriano, o outro desfalque foi Ramiro. Apenas os dois são, teoricamente, absolutos entre os 11 iniciais. Poderíamos até falar de Jemerson, mas ele estava na goleada sofrida para o Palmeiras, então não dá para cravar como uma ausência sentida e decisiva. Aliás, Ramiro também não, já que não é uma unanimidade na torcida, e há uma disputa com Cantillo pela vaga.

Dessa forma, apenas Cazares fez falta substancial. Mas será que a ausência dele é tão determinante assim? É, mas não por causa dele e sim pela carência de um elenco bem montado, que possa dar profundidade e qualidade necessárias para o treinador se virar sem passar por tantos apuros. Se o ataque não faz, a defesa não segura e isso não é uma novidade na temporada 2020.

Quem viu o jogo, pôde perceber que alguns jogadores que entraram no segundo tempo não mostram, por ora, condições de vestir a camisa do clube. Sem Luan, que ficou fora por um falso positivo para Covid-19, não houve opção para o meio-campo, que também não contou com Otero. A alternativa foi por Araos, que não era titular desde setembro. Ele até foi bem, mas durou pouco.

As limitações do Corinthians para esta temporada sempre ficaram muito claras, se melhorou com Vagner Mancini, foi por competência do treinador e pela insistência até "achar" um time, que continuou apresentando problemas e que apresenta imensa fragilidade quando perde uma peça ou outro. Com o elenco atual, o Timão parece viver sempre no fio da navalha. Em um dia pensa em G6 e em outro não mostra sustância para estar na parte de cima da tabela,

Se contra o Bahia o buraco se mostrou mais fundo do que aparentava, a questão pode piorar, pois os próximos jogos só terão adversário de nível igual ou maior: Ceará e Athletico-PR, que brigam na mesma faixa da tabela, Flamengo, que luta pelo título, Santos, um clássico, Vasco, na briga contra o Z4 e Internacional, que é mais um na intensa disputa pelo campeonato brasileiro.

Sendo assim, o caminho para o G6 (ou G7 ou G8) parece cada vez mais improvável. Não tanto pela pontuação, já que apenas seis pontos separam o Corinthians do Grêmio, o sexto colocado, mas sim pela postura do time recentemente. Talvez esteja na hora de voltar a colocar os pés no chão e tentar entender pelo que realmente a equipe briga. A hora é de reconstrução.