Desfalques ilustres na Champions acirram ânimos entre clubes e seleções

BRUNO RODRIGUES
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O zagueiro Sergio Ramos entrou em campo aos 41 minutos do segundo tempo na vitória por 3 a 1 da Espanha sobre Kosovo, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, no último dia 31. Pouco tempo de jogo, mas o suficiente para sentir uma pontada na panturrilha esquerda que o tirou da partida e, para aumentar o prejuízo, da sequência do Real Madrid na temporada. Nesta terça-feira (5), sem poder contar com seu capitão, tetracampeão europeu com o clube, a equipe da capital espanhola recebe, no estádio Alfredo di Stéfano, o Liverpool, no confronto de ida das quartas de final da Champions League. Na quarta (6), Paris Saint-Germain e Bayern de Munique reeditam a final da última edição do torneio. Reeditam em parte, porque dois de seus protagonistas que estiveram na decisão do título em Lisboa também perderão o duelo na Baviera. Artilheiro na campanha vitoriosa da temporada passada, o atacante polonês Robert Lewandowski deixou o gramado no triunfo da Polônia sobre Andorra, também pelas Eliminatórias europeias, com uma lesão no joelho direito. Um estiramento no ligamento do melhor jogador do mundo vai tirar o centroavante dos dois confrontos diante do PSG. O clube alemão busca a sétima taça da competição. Já os franceses não poderão contar com o meio-campista italiano Marco Verratti. O jogador sentiu problemas problemas musculares enquanto defendia a Itália na última data Fifa e já era dúvida para a Champions League. Sua ausência foi confirmada depois que o clube parisiense anunciou que o jogador está com Covid-19, assim como o lateral direito e meia Alessandro Florenzi, companheiro de Verratti também na seleção, onde provavelmente contraíram o vírus -o zagueiro Bonucci, da Juventus, defendeu a Itália e foi outro infectado. A liberação de seus craques às seleções é o ponto que coloca os grandes clubes europeus e as federações nacionais em rota de colisão já há algum tempo. No entendimento dos dirigentes, são seus clubes que pagam cifras milionárias aos atletas. Portanto, deveriam ter o poder de vetar convocações, uma vez que as seleções não remuneram os jogadores e, como no caso das lesões, não se encarregam financeiramente dos tratamentos. Se antes ter nomes defendendo os seus países era motivo de orgulho e oportunidade de valorizar ativos, hoje os clubes e seus cartolas enxergam as datas Fifa quase somente como um ônus. Recentemente, as principais equipes da França ganharam uma justificativa para a não liberação de jogadores a seleções de fora da União Europeia. Em razão da pandemia da Covid-19 e das medidas restritivas para evitar o trânsito de pessoas, a liga francesa, amparada por decisão da Fifa, anunciou a não obrigatoriedade de liberar atletas às convocações. A federação de Senegal, que tem muitos convocados atuando na Ligue 1 e estava em reta final de eliminatórias para a Copa Africana de Nações, foi uma das representantes do continente que reagiu ao regulamento colocado em prática pelos organizadores do Campeonato Francês. "Para além dos prejuízos que isso pode causar, parece evidenciar o caráter totalmente discriminatório dessa medida no que diz respeito às disposições estatutárias, regulamentos da Fifa e a legislação europeia sobre igualdade e liberdade contratual para os jogadores", afirmou a federação senegalesa em nota enviada à Federação Francesa de Futebol. "Essa quarentena é só um pretexto para impedir o atleta de viajar e jogar", disse Vahid Halilhodzi, técnico do Marrocos, seleção que tem atletas atuando na França e em outras das principais ligas europeias. A discussão poderá ganhar ainda mais força no futuro próximo caso a Uefa consiga emplacar o novo formato da Champions League. A entidade que comanda o futebol europeu planeja um aumento de jogos na competição, a fim de ampliar as receitas com televisão, patrocinadores e bilheteria. O plano deverá encontrar resistência em alguns dos grandes clubes do continente, contrários à ideia de inchar um calendário que já é desgastante. Como aumentar as datas, o que deixaria atletas mais propensos a lesões, e ainda conciliar as disputas locais com as datas Fifa, algumas delas reservadas a amistosos? É uma pergunta que a Uefa, precisando mediar e atender aos interesses das duas partes, terá de resolver. "[Os jogadores] São seres humanos, não são máquinas. A Uefa e a Fifa matam os jogadores porque é [jogo] demais. Não tivemos uma semana de descanso desde que começamos [a temporada]", diz Pep Guardiola, técnico do Manchester City, que nesta terça enfrenta o Borussia Dortmund, pela Champions. * CONFIRA OS CONFRONTOS DAS QUARTAS DE FINAL Dias 6 e 14 de abril Real Madrid (ESP) x Liverpool (ING) Manchester City (ING) x Borussia Dortmund (ALE) Dias 7 e 13 de abril Porto (POR) x Chelsea (ING) Bayern de Munique (ALE) x Paris Saint-Germain (FRA) *O time à direita tem o mando de campo na segunda partida