Deputado Boca Aberta burla prisão domiciliar para votar em Arthur Lira na Câmara

Redação Notícias
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Foto: Agência Câmara
Após publicação da reportagem no jornal, no entanto, o próprio deputado procurou o jornalista que assina a matéria para dizer que tinha, sim, votado, em Lira. Boca Aberta também acusou o jornal de “fake news” (Foto: Agência Câmara)

O deputado Boca Aberta (Pros-PR) foi um dos 302 parlamentares que votou em Arthur Lira (PP-AL), que venceu a disputa para a presidência da Câmara dos Deputados, na segunda-feira (1º). Acontece que o deputado cumpre prisão domiciliar desde o dia 28 de janeiro e, segundo determinação da Justiça, ele é obrigado a ficar em casa das 21h às 6h. A eleição começou às 21h.

De acordo com o jornal Congresso em Foco, no dia 26 de janeiro, o deputado se entregou à Justiça para cumprir 17 dias de detenção pelo crime de perturbação de sossego. Ou seja, até o dia 12 de fevereiro. Na quinta-feira (28), a pena foi revogada e ele foi liberado da detenção em semiaberto.

Após publicação da reportagem no jornal, no entanto, o próprio deputado procurou o jornalista que assina a matéria para dizer que tinha, sim, votado, em Lira. Boca Aberta também acusou o jornal de “fake news”.

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"Puta que pariu emmm...que fake news mais vagabundo...vai ser o processo mais fácil que vou ganhar dessa imprensa porca.....tanto seu pessoal quanto pessoa jurídica", escreveu o deputado para o repórter.

De acordo com o deputado, a matéria do Congresso em Foco é mentirosa porque diz que ele não votou. Entretanto, a reportagem dizia que se a votação para presidência da Câmara acontesse após às 21h, Boca Aberta não poderia votar — e não que ele não votou em Lira.

"Não desrespeitamos decisão alguma. Quem me desrespeitou foi o juiz, querendo me impedir de trabalhar. Ele o juiz já me desrespeitou uma vez, quando me prendeu por defender e trabalhar pelo povo. Não vai haver segundo desrespeito comigo, e me impedir de exercer minha função que foi conferida pelo povo, de votar e fiscalizar o poder público", afirmou.

Ou seja, o próprio deputado admitiu que burlou a decisão da Justiça.

Deputado invadiu hospitais

A pena por pertubação do sossego decorre de fatos ocorridos em 2017, quando Boca Aberta entrou em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Londrina e invadiu áreas restritas a médicos e enfermeiros, com o objetivo de filmar e apontar possíveis irregularidades no local. À época, o então vereador alegou que invadiu o local para apurar denúncias vindas de eleitores.

Em dezembro de 2019, o conselho de Ética da Câmara suspendeu o mandato do deputado por seis meses, por conduta incompatível com o decoro parlamentar. Entretanto, por causa da pandemia o caso não foi analisado pela CCJ nem pelo plenário e a pena não foi aplicada. O motivo que levou à suspensão do mandato é semelhante ao que o levou à prisão.

Já deputado federal, ele entrou de madrugada em um hospital perguntando sobre o médico plantonista. Ao ser avisado de que o profissional estaria na sala de descanso, o deputado "invadiu a dependência e acordou o servidor, registando tudo sem autorização".

Em sua defesa escrita, o deputado paranaense afirmou que a "blitz da saúde" é validada pela "má administração da saúde, falta de médico na rede municipal, péssima qualidade no atendimento e longas filas de espera".