Depois de ter a perna amputada por conta de um câncer, atleta se garante nas Paralimpíadas

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O Brasil confirmou a presença de mais um atleta representando o país nas Paralimpíadas de Tóquio. Gustavo Carneiro conquistou, na última semana, uma das vagas no time brasileiro para a disputa da categoria Open do tênis em cadeira de rodas (para pessoas com perda substancial ou total do movimento de uma ou duas pernas). Ao todo, já são cinco brasileiros classificados na modalidade: além de Gustavo, Ymanitu Silva, Daniel Rodrigues, Meirycoll Duval e Rafael Medeiros também irão a Tóquio.

Mineiro de Uberlândia, o paratenista é, atualmente, o número 41 do mundo na sua categoria, após rápida ascensão na modalidade. Carneiro começou a praticar tênis em cadeira de rodas apenas em janeiro de 2018, somente dois meses depois de ser obrigado a amputar a perna esquerda em decorrência de um câncer, descoberto em 2013.

— O grande dia chegou, é muita emoção, essa semana recebi a informação da minha classificação para Tóquio. Um filme dos últimos 3 anos e 7 meses passou pela minha cabeça. Lembrei quando recebi a notícia que precisaria amputar a perna, pensei logo que queria jogar uma Paralimpíada, mas com o tempo vi que Tóquio seria em pouco tempo e que seria difícil conseguir me classificar entre os 40 melhores do mundo. Não desanimei, fiz o meu trabalho que era treinar muito e graças a Deus consegui — celebra o atleta.

Ao fim do primeiro ano atuando na modalidade, ele já havia chegado ao 86º lugar no ranking da sua categoria, terceiro melhor do Brasil, e, ainda em 2019, foi convocado para representar o Brasil no Mundial, que foi realizado em Israel, e nos Jogos Parapan-americanos, no Peru.

Mesmo antes do acidente, Carneiro já praticava outras modalidades, tendo sido campeão mineiro de tênis na adolescência, brasileiro de Squash, além de participar de maratonas, tudo isso conciliando os esportes com o trabalho como administrador de empresas.

— Eu fiz cirurgia para retirar o tumor, quimioterapia e radioterapia. Em 2017, o câncer voltou e precisei amputar parte da perna esquerda. Decidi mudar minha vida, larguei meu trabalho para realizar um sonho: ser um dos melhores jogadores de tênis em cadeira de rodas do mundo e disputar a próxima Paralimpíada, que seria Tóquio 2020. E já comecei a treinar tênis em janeiro de 2018. Tudo que fiz nesse período foi pensando em conseguir essa vaga, lutei muito. Quantos treinos sozinhos, às 6h da manhã e à noite, eu fiz, quantas vezes fui o primeiro a chegar e o último a sair das quadras — revela.

Com a conquista de quatro títulos nestes dois anos, ele encerraria 2019 como número 35 do mundo, e segundo entre os brasileiros. A partir de 2020, no entanto, o atleta pouco competiu, muito por conta da pandemia de Covid-19, que acarretou no cancelamento de diversos torneios da modalidade.

Carreira paralela

Mesmo já consolidado como paratleta do tênis, Carneiro decidiu se aventurar, também, em outra paixão: a corrida. Em maio de 2018, cinco meses após amputar a perna e utilizando uma prótese há apenas dois meses, ele participou da corrida de montanha Ultra Fiord, na Patagônia Chilena.

Na ocasião, o objetivo de Carneiro era completar a prova andando durante todo o percurso, com estimativa de terminar em 15 horas. No entanto, foram necessárias 27 horas caminhando com a prótese e duas muletas.

— Achei que ia conseguir finalizar em 15 horas, mas a Ultra Fiord realmente é muito difícil. Eu e a equipe sofremos muito, pois não levamos comida para 27h, cruzamos a madrugada sem dormir, a temperatura era de -5ºC. Passamos frio, fome, medo e, durante a madrugada, começou a chover, já não sabíamos mais que horas chegaríamos, e um pouco de desespero começou a bater — contou. — A Ultra Fiord me ensinou que não conhecemos nossos limites e que podemos fazer coisas que nem imaginamos. Essa experiência mudou a maneira como encaro os desafios e consequentemente me ajudou a acreditar que Tóquio seria possível.

Atualmente, Gustavo segue usando a prótese para praticar corrida, uma das suas grandes paixões, mas, segundo ele, o foco total segue sendo o tênis:

— Ainda estou longe de onde quero e vou chegar. A corrida é um complemento, sempre amei correr e voltar a correr era um dos meus sonhos — celebra.

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