Depois de protestar por inclusão, Alemanha enaltece primeira arbitragem feminina em Copas

Stephanie Frappart durante partida entre Liverpool e Chelsea, pela Liga dos Campeões (Foto: AFP)


Depois de fazer barulho no Qatar ao se posicionar em favor dos direitos LGBT, seja protestando pelo uso da braçadeira de capitão 'one love', seja pelo gesto simbólico de tapar a boca antes da estreia contra o Japão, a Alemanha manifestou apoio à escolha da francesa Stephanie Frappart por parte da Fifa para apitar o seu jogo contra a Costa Rica, às 16h (de Brasília) desta quinta-feira (1). O duelo, que define o futuro germânico, será o primeiro a ter uma mulher como árbitra principal na história das Copas do Mundo.

- A nomeação não terá qualquer efeito no jogo. Ela já arbitrou na Liga dos Campeões e merece arbitrar o jogo. Desejo para ela tudo de bom para isso. Não foi um problema para nossa equipe - destacou o lateral-direito Lukas Klostermann.

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Para o jogador alemão, não há motivos para se estranhar o fato.

- Essa é a coisa mais normal do mundo. Para falar a verdade, eu nunca prestei atenção em toda a minha carreira se era um homem ou uma mulher apitando. Torcemos para que haja outras e e continue normal - completou o possível titular alemão para o jogo ante a Costa Rica.

Também questionado sobre o assunto, o técnico Hansi Flick seguiu o pupilo e foi na linha dos elogios à francesa.

- Confio 100% na árbitra. Ela merece estar aqui. Temos muita vontade, e espero que ela também tenha (risos). Estou certo que se sairá muito bem.

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RESPEITADA NA EUROPA, FRAPPART QUEBROU BARREIRAS NO VELHO CONTINENTE

O nome de Stéphanie Frappart vem sempre acompanhado da palavra "pioneira". A francesa de 38 anos abriu todas as portas possíveis para as mulheres na arbitragem de futebol quando estará no jogo entre Costa Rica e Alemanha, atingirá o mais alto degrau.

Ela será a primeira apitará a partida, liderando uma equipe integralmente feminina, completada pela brasileira Neuza Back e a mexicana Karen Díaz Medina, que serão auxiliares.

A árbitra, nascida na região central da França e que desde muito nova já deixava muito clara a vocação, esperou 11 dias desde o pontapé inicial do Mundial para, enfim, escrever mais uma vez o nome na história do futebol, no estádio Al Bayt.

Até aqui, nesta Copa, Frappart havia trabalhado duas vezes como quarta árbitra, nos jogos entre México e Polônia, e Portugal e Gana.

Agora, ela terá a responsabilidade de apitar um duelo cheio de importância, em que Alemanha e Costa Rica definirão os destinos na fase de grupos.

A missão não assusta a francesa, que já se acostumou a atuar em jogos tensos e de estar no centro das atenções por ser uma mulher trabalhando no futebol masculino, algo que ela mesmo prefere deixar em segundo plano.

Em maio deste ano, Frappart se tornou a primeira árbitra de uma final da Copa da França, em duelo entre Nantes e Nice, que foi decidido por um pênalti marcado a favor do time amarelo e verde, que ficou com a taça.

Três anos depois, em abril de 2019, ela aberto o caminho para mulheres apitarem jogos no Campeonato Francês, o que nunca tinha acontecido, ao ser escalada para o duelo entre Amiens e Strasbourg.

Ainda em agosto do ano em que estreou na elite do país em que nasceu, Frappart foi escolhida para ser a árbitra da Supercopa da Europa, disputada por Liverpool e Chelsea.

Dias mais tarde, ela deu o apito inicial para um jogo da Liga das Nações de seleções, entre Malta e Letônia. Na ocasião, a francesa se tornou a primeira mulher em jogo de seleções masculinas.

Três meses mais tarde, ela estreou na Liga dos Campeões, em jogo entre Juventus e Dínamo de Kiev.

No ano passado, Frappart foi uma das escaladas para a Eurocopa, no entanto, acabou sendo escalada apenas como quarta árbitra.

A francesa já sabe o que é apitar em uma Copa do Mundo, já que, em 2019, atuou na competição feminina, sendo a árbitra da final, em que os Estados Unidos venceram a Holanda por 2 a 0.

A porta que ela abriu também pode servir de passagem para ouras duas profissionais escaladas para o torneio que está acontecendo no Qatar, a japonesa Yamashita Yoshimi e a ruandesa Salima Mukansanga.

Se as duas são menos cotadas para figurarem como árbitras principais em jogos desta Copa, Frappart tem chances de reaparecer a partir das oitavas de final, o que tornaria seu ineditismo ainda maior nesta edição.

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