Depois de quase abandonar as competições, Willian Cardoso conquista etapa do Mundial de Surfe pela primeira vez

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Por Guilherme Daolio

<span>Legenda: Aos 32 anos, Willian Cardoso conquistou sua primeira vitória na elite do surfe.&nbsp;</span>Divulgação/WSL
Legenda: Aos 32 anos, Willian Cardoso conquistou sua primeira vitória na elite do surfe. Divulgação/WSL

A persistência venceu. Se há justiça no mundo do surfe ela foi feita na manhã deste sábado com a espetacular e inesperada vitória de Willian Cardoso. O Panda, como é conhecido, foi o grande campeão em Uluwatu, praia de Bali que absorveu o restante da etapa de Margaret River, na Austrália, que foi paralisada em abril por conta da ameça de ataques de tubarão.

 Desfilando toda a potência já conhecida no mundo do surfe, Willian simplesmente destruiu as esquerdas da paradisíaca praia de Uluwatu e conquistou seu primeiro troféu na elite do esporte.

 E não dá para negar que o ano é todo do Brasil. Os atletas que vestem o verde e amarelo venceram nada menos que quatro das cinco etapas disputadas até agora. Duas com Italo Ferreira (Bells Beach e Keramas), uma com Filipe Toledo (Saquarema) e agora com Willian Cardoso (Uluwatu).

 :: A FORÇA DO PANDA

 

Foto postada por Willian Cardoso quando garantiu a vaga na elite do surfe
 

Mas se algúem pensa que a trajetória de Willian até o seu primeiro título foi fácil está muito enganado. Nascido em Joinville e radicado em Balneário Camboriú, o surfista sempre foi reconhecido pela força que coloca em suas manobras e por nunca desistir do seu sonho de entrar no Circuito dos Sonhos.

E as tentativas não foram poucas. O Panda disputou nada menos que 12 temporadas da Divisão de Acesso e bateu na trave muitas vezes. No final de 2016, perdeu seu patrocinador principal e avisou a família e os amigos que 2017 seria o último ano em que tentaria ingressar na elite do surfe.

 Dito e feito. Com um oitavo lugar no WQS (World Qualifying Series), o catarinense conseguiu enfim realizar seu sonho de surfar contra os melhores do mundo. Nas duas primeiras etapas passou apenas uma bateria e foi o 13°. No Rio de Janeiro também parou na terceira fase. Em Keramas, há poucos dias, fez sua melhor campanha até então e chegou até as quartas de final. Em Uluwatu a história foi ainda mais bonita.

 :: O CAMINHO DA VITÓRIA

Ainda em Margaret River, Willian começou sua caminhada passando direto pela primeira fase. Já em Uluwatu, eliminou ninguém mais ninguém menos que o campeão mundial de 2015 Adriano de Souza na terceira fase. No Round 4, avançou junto com Gabriel Medina para as quartas de final, onde fez bateria espetacular e eliminou o compatriota Filipe Toledo, que naquele momento era o líder do ranking mundial.

A semifinal contra Mikey Wright teve gostinho de revanche e também de justiça. Há poucos dias, em Keramas, o australiano eliminou o brasileiro em uma bateria pra lá de polêmica nas quartas de final. Dessa vez não teve jeito. Com uma força descomunal em seu backside, o Panda despachou o adversário por 13.77 x 13.16.

A grande decisão foi contra outro australiano. Campeão da primeira etapa do ano, Julian Wilson começou a bateria mostrando que queria mais um troféu para a sua coleção e tirou um 5.83. Mas logo ao lado estava um inspirado Willian, que mais uma vez jogou muita água em suas manobras e tirou um 8.07. O Panda segurou a prioridade e ainda tirou um 7.50 para chegar aos 15.57. Julian bem que tentou variar e fez a maior nota da bateria (8.60), mas não chegou perto do somatório do brasileiro, que chorou muito ainda na água, na entrevista e, claro na hora que recebeu o troféu.

:: COPA DO MUNDO DE SURFE

Legenda: No ritmo de Copa do Mundo, a Seleção Brasileira de surfe está escalada.
Em pé: Yago Dora, Willian Cardoso Michael Rodrigues, Tomas Hermes e Jessé Mendes.
Agachados: Gabriel Medina, Filipe Toledo, Caio Ibelli, Adriano de Souza, Ian Gouveia e Italo Ferreira. Foto: Ricosurf

 Além do espetacular desempenho de Willian Cardoso, outros integrantes da Tempestade Brasileira também saíram de Uluwatu com ótimos resultados. Gabriel Medina e Filipe Toledo foram até as quartas de final e seguem fortes na briga pelo título mundial. O novato Michael Rodrigues fez mais uma boa campanha, se despediu com o 9° lugar e mostrou mais uma vez que vai brigar pelo troféu de estreante do ano.

 Antigo líder do ranking mundial, Italo Ferreira não conseguiu manter a camisa amarela ao perder na terceira fase e terminar com o 13° lugar, assim como Adriano de Souza, Jessé Mendes e Yago Dora. Ian Gouveia, Tomas Hermes e Miguel Pupo já haviam sido eliminados antes da paralisação do evento de Margaret River e nem foram para Uluwatu.

:: LÍDER NOVAMENTE

 Com o vice-campeonato em Uluwatu e a queda precoce de Italo Ferreira, Julian Wilson retomou a camisa amarela destinada ao líder do ranking mundial, ultrapassando também Filipe Toledo, que segue como o segundo melhor da temporada. Italo caiu para terceiro, mas segue a menos de 2.300 pontos do líder.

 Com as quartas de final, Gabriel Medina somou mais um resultado forte e subiu para a quarta colocação. Se antes tínhamos três brasileiros entre os quatro melhores, agora temos quatro ente os cinco, já que Willian Cardodo subiu nada menos que 11 posições com o título em Uluwatu.

 Michael Rodrigues é o segundo melhor estreante do ano até agora, na 9ª colocação. Adriano de Souza é o 19°, seguido por Tomas Hermes. Jessé Mendes ocupa a 24ª posição, Yago Dora a 27ª, Ian Gouveia a 33ª e o lesionado Caio Ibelli apenas a 36ª.

 :: A DOBRADINHA ESCAPOU POR POUCO

 Foi por pouco, muito pouco, que o Brasil não fez a dobradinha em Uluwatu. Mostrando toda a sua habilidade surfando de frente pra onda, Tatiana Weston-Webb ficou a menos de dois minutos de conquistar seu segundo título na elite do surfe. Após uma virada espetacular nas quartas de final contra a tricampeã mundial Carissa Moore (13.10 x 12.66), Tati simplesmente atropelou a hexacampeã mundial e atual líder do ranking Stephanie Gimore (14.50 x 2.50) para se garantir em sua sexta final da carreira.

 Na decisão, a brasileira liderou contra Johanne Defay até os instantes finais mas a francesa das Ilhas Reunião achou uma última onda e virou, fechando o placar em 13.13 x 12.67. Foi a terceira vitória de Defay na carreira, enquanto Tati ficou com o quinto vic-campeonato aos 22 anos de idade.

 Com os 10 mil pontos conquistados,  Johanne Defay subiu para a sexta colocação do ranking mundial. Tati somou 7.800 pontos e se manteve na terceira posição, diminuindo a diferença para as líderes Lakey Peterson e Stephanie Gilmore.

Como a etapa em Uluwatu foi a continuação de Maragaret River, Silvana Lima nem entrou na água, já que havia parado na segunda fase na Austrália. A cearense é a 9ª colocada do ranking.

Depois de duas etapas seguidas na Indonésia, o Mundial de Surfe descansa por três semanas antes de ir para a África do Sul. As geladas e perfeitas direitas de Jeffreys Bay serão o palco da sexta etapa do campeonato do dia 02 ao dia 13 de julho. Todas as notícias do mundo do surfe você acompanha aqui no Yahoo!

 

 

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