Departamento Médico do Flamengo passa de ‘milagroso’ para questionado; entenda o cenário

Antonio Mota
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Inaugurado em 2016 e tido como “milagroso” na temporada passada, o Centro de Excelência em Performance do Flamengo perdeu reconhecimento neste ano e hoje deixou de ser uma referência para ser alvo de questionamentos. A quantidade de lesões, além do tempo de recuperação dos atletas, chamou atenção e fez o clube se movimentar nos bastidores, no entanto, algumas alterações e determinados critérios para essas escolhas não convenceram, e colocaram o nome do médico Márcio Tannure, atual gerente de saúde e alto rendimento, à prova.

De acordo com apuração do Jornal O Globo, Tannure não tem respondido bem a esse momento de cobranças e sua vaidade tem falado mais alto. O médico, inclusive, é visto como o responsável por certas condutas duvidosas no departamento médico.

Thiago Maia tende a voltar aos gramados apenas em 2021. | Pool/Getty Images
Thiago Maia tende a voltar aos gramados apenas em 2021. | Pool/Getty Images

Um exemplo desse cenário é o caso do meio-campista Thiago Maia. O atleta sofreu uma grave lesão no joelho esquerdo e há duas semanas espera uma definição acerca do procedimento o a ser seguido. Essa demora, segundo especialistas, pode fazer com que o jogador demore mais para se recuperar e consequentemente demore mais para voltar aos gramados.

Por ora, Maia tem feito, no Centro de Treinamento e em sua casa, três períodos de treinamentos. Ele acertou com o Flamengo para fazer um tratamento mais conservador, sem cirurgia, no entanto, o Lille, clube que detém o passe do meia, optou por fazer um procedimento cirúrgico. Hoje (29), inclusive, um médico do time francês vem ao Rio para confirmar o diagnóstico. Vale notar que essa indefinição tem causado apreensão quanto à recuperação do atleta.

Recentemente, Tannure afirmou que Maia seria operado por outro médico e que ele supervisionaria o procedimento, mas voltou atrás.

“Qualquer conduta médica a gente necessita da autorização do jogador, que já nos deu, mas também do time dele. É uma lesão complexa. O Lille, com toda razão, gostaria de avaliá-lo. E aí vamos confirmar o diagnóstico e definir os próximos passos. Logística para ir à França ou vir ao Brasil foi difícil”, explicou Tannure, em entrevista coletiva na última sexta-feira.

Rodrigo Caio não atua há meses pelo Flamengo. | Miguel Schincariol/Getty Images
Rodrigo Caio não atua há meses pelo Flamengo. | Miguel Schincariol/Getty Images

Interna e externamente, as declarações sobre a queda de ‘excelência’ do trabalho da comissão técnica não repercutiram bem. Tannure não explicou os motivos internos de estar insatisfeito. Ele comentou apenas sobre razões externas para os problemas do DM. E não explicou os critérios adotados para determinadas contratações recentes – jogadores e dirigentes indicaram profissionais, como o preparador físico Rafael Winicki e o fisioterapeuta Diego Paiva.

Ainda conforme O Globo, o chefe do departamento médico rubro-negro desempenha atualmente mais um cargo político do que médico no clube. Além disso, ele também se mantém atendendo aos desejos de dirigentes e de jogadores.

Em sua entrevista, por exemplo, Tannure adotou um discurso institucional e foi contra nota da CBF, afirmando que Rodrigo Caio e Pedro voltaram com lesões graves da Seleção Brasileira. No caso do defensor, por exemplo, ainda segundo O Globo, isso não é verdade.

Em sua coletiva, o médico também colocou o surto interno de Covid-19 como uma das causas para o excesso de lesões, mas não comentou sobre sua atuação no caso. Cabe lembrar que foi ele quem criou e implementou todo o protocolo de segurança sanitária no clube.

O Flamengo perdeu vários atletas por lesão ao longo do ano. | JUAN IGNACIO RONCORONI/Getty Images
O Flamengo perdeu vários atletas por lesão ao longo do ano. | JUAN IGNACIO RONCORONI/Getty Images

DAS MUDANÇAS e TRANSFORMAÇÕES

Márcio Tannure se tornou chefe do departamento médico do Flamengo no final de 2015, quando assumiu a vaga de José Luis Runco. Desde então, o profissional vem ganhando reconhecimento e prestígio dentro e fora do clube, o que, também segundo O Globo, aumentou sua vaidade.

Outro importante a ser considerado: o Flamengo reduziu de R$ 7 milhões para R$ 5 milhões os investimentos com equipamentos e software para o futebol. Os valores para aparelhos e tecnologias foi mantido – R$ 2 milhões. Cabe lembrar também que profissionais importantes, como Daniel Gonçalves, ex-coordenador científico e um dos pilares do CEP original, deixaram o clube.

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