Denúncias de feminicídio dobram nos seis primeiros meses em comparação a 2018

Nacho Doce/Reuters
Nacho Doce/Reuters

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Somente no Estado do Rio, três mulheres foram assassinadas por companheiros ou ex-companheiros, nas últimas 24 horas.

  • Na central de atendimento à mulher, o 180, os números são chocantes: nos primeiros seis meses de 2019, as denúncias de feminicídio mais do que dobraram em relação ao mesmo período de 2018. 

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As denúncias de feminicídio mais que dobraram, nos seus primeiros meses deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. A informação foi divulgada nessa sexta (22) em reportagem do Jornal Nacional, segundo o qual, só nas últimas 24 horas no Rio de Janeiro, três mulheres foram assassinadas por companheiros ou ex-companheiros.

Um dos casos foi o de Sirlene Ferreira Lacerda. Ela estava a caminho trabalho de carro sem saber que era seguida por uma moto – na qual vinha o ex-namorado dela, Elias Ferreira, e um amigo dele, Elder Moreira. Poucos metros depois, o ex-namorado matou Sirlene com um tiro na cabeça, numa esquina de Volta Redonda, no sul do estado do Rio.

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Diferentes levantamentos e estatísticas apontam que o número de feminicídios em 2019 tem crescido. Na central de atendimento à mulher, o 180, os números são chocantes: nos primeiros seis meses de 2019, as denúncias de feminicídio mais do que dobraram em relação ao mesmo período de 2018.

“Quando a gente olha um caso de feminicídio, olha os padrões anteriores, vê que já sofreu violência física, já sofreu violência psicológica, já sofreu violência moral, uma série de outras violências foram precedidas. A gente precisa melhorar a forma de identificar essas violências e poder atuar antes do assassinato”, afirmou Renata Giannini, pesquisadora do Instituto Igarapé.

Outro caso foi registrado na noite da última quinta (21), quando Lucas Lemos Lopes chegou para visitar a ex-namorada Adriana Valério, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Alguns minutos depois, Adriana foi morta, enforcada no próprio quarto, enquanto os três filhos dela assistiam à televisão na sala.

Também em Belford Roxo, na mesma noite, Jéssica da Silva Sales foi esfaqueada até a morte pelo ex-marido Osmar Antônio Oliveira. Na terça-feira (19), a adolescente Maria Eduarda Alves foi assassinada pelo namorado, com quem tinha um filho.

Em outros três dias, o Estado do Rio somou pelo menos outros quatro casos de feminicídio. Outros números revelados nesta sexta-feira (22) mostram um aumento constante de todos os tipos de violência contra a mulher desde 2015.

O Instituto Igarapé pesquisa sobre violência e reuniu informações de 17 Estados, que registraram de 2015 a 2018 mais de dois mil casos de feminicídio. Atuante na prevenção a esse crime, a juíza Katherine Jatahy afirmou ao JN que o mais importante é que as mulheres conheçam a lei e procurem ajuda.

“As explosões de violência vão vir cada vez de uma forma mais forte, mais forte até o feminicídio. O importante é a mulher tomar consciência de que está sendo vítima de violência doméstica, ela querer romper o ciclo e procurar ajuda para não chegar a um feminicídio”.

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