Demissão no São Paulo tem suspeita de corrupção e vira caso de polícia

Presidente Carlos Augusto de Barros e Silva tem de lidar com crise no departamento de marketing do clube (Foto: Marcello Fim/Raw Image/Lancepress!)

Consumada na semana passada, a demissão de Alan Cimerman da gerência de marketing do São Paulo virou caso de polícia. O clube abriu uma investigação para apurar um suposto esquema de desvios de ingressos nos shows da banda irlandesa U2, que se apresentará no Morumbi nos dias 19, 21, 22 e 25 de outubro.

A base da investigação do São Paulo refere-se a ingressos que deveriam ser repassados a proprietários de camarotes e teriam sido entregues para uma empresa comercializar sem que o clube recebesse por isso. Cimerman, ainda de acordo com as suspeitas, teria liderado o esquema que pode trazer prejuízo de mais de R$ 1 milhão aos cofres do Tricolor.

Também faz parte das denúncias o modo como os shows do U2 foram amarrados. O São Paulo estranhou o valor fechados pelas apresentações: as duas primeiras por R$ 650 mil cada, e as outras duas por menos, sendo que o clube historicamente costumava receber cerca de R$ 1 milhão por cada show. A justificativa de Cimerman não convenceu os dirigentes: o São Paulo lucraria mais num processo de venda de águas. Porém, o clube nunca fez algo deste tipo e nem tinha especialização para operar desta forma.

Todo imbróglio gerou a investigação encabeçada pelo diretor de comunicação e marketing Marcio Aith, que culminou na demissão de Cimerman por justa causa. Ele assinou a demissão. No entanto, nega as acusações, por meio de seu advogado.

- Não é verdade, são fatos e condutas que não ocorreram. Há contratos de cessão de espaços e, ainda, os ingressos também seriam todos comprados do São Paulo. O Alan tem documentos, e-mails e gravações evidenciando que não houve qualquer fraude, sendo que toda negociação foi transparente e correta. As locações de espaço faziam parte das funções dele, assim como encaminhar a compra de ingressos. O clube assinou todos os contratos de cessão de espaço. Tudo era transparente e os contratos elaborados pelo departamento jurídico do São Paulo... - afirmou o advogado Daniel Bialski, em entrevista ao portal UOL.

A contratação de Cimerman, no fim de 2015, já foi rodeada de polêmica. Isso porque o profissional sofreu diversos processos por conta de participação na organização de eventos da Copa do Mundo de 2014. Sua empresa, a Team Spirit, foi à falência após não cumprir diversos compromissos - 14 empresas acionaram a Team na justiça. Por conta disso, o salário do gerente era depositado na conta de familiares, para evitar bloqueio. Ele foi uma indicação do ex-diretor de marketing Vinicius Pinotti, atualmente diretor executivo de futebol. Na época, Pinotti e outros dirigentes são-paulinos diziam que Cimerman merecia uma segunda chance.

O São Paulo não se pronunciou sobre o caso e pretende manter as investigações em sigilo.











E MAIS: