Agora empresário, Deco lucra alto, mas vê situação “absurda” no Brasil: “Agentes vendem procuração de atletas”

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Deco. (Foto: Gualter Fatia/Getty Images)
Deco. (Foto: Gualter Fatia/Getty Images)

Por Marcus Alves, de Lisboa (@_marcus_alves)

Craque de Barcelona, Porto, Fluminense e outros clubes, Deco hoje vive no Porto e comanda a sua empresa de agenciamento de atletas, a D20 Sports, a partir da cidade. Agora como empresário, o ex-jogador chamado de Mago no auge de sua carreira teve um fim de janela de transferências agitado: viajou até São Petersburgo, na Rússia, para fechar a ida do zagueiro venezuelano Yordan Osorio do Porto para o Zenit e depois se deslocou à França para concluir a venda do meia-atacante Raphinha do Sporting para o Rennes.

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O negócio envolvendo Raphinha foi o maior do último dia de mercado europeu, atingindo a cifra de 22 milhões de euros (R$ 96 milhões). Quando Deco o fisgou ao lado de parceiros no Avaí em 2016, ele havia custado apenas 600 mil euros (R$ 2,6 milhões). Ou seja, superou qualquer expectativa.

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Mostrando a mesma desenvoltura que carregava nos gramados, Deco centraliza a maior parte de suas operações no futebol português, mas não deixa perder o Brasil de vista também. Foi assim que ele identificou o polivalente Fabinho, hoje no Liverpool, antes que estourasse ainda no Paulínia.

Com essa rodagem, o ex-atleta de 42 anos mantém a mesma franqueza que o caracterizou ao longo de sua carreira e se sente à vontade para analisar o atual mercado brasileiro.

Ele esteve no Soccerex, evento que aconteceu em Lisboa, e falou para o Yahoo Esportes e outros veículos sobre um detalhe que o tem deixado incomodado em seu país natal.

“No Brasil, nós temos um novo modelo (de negócio), que é a compra de representação (de atletas). Isso é uma coisa que tem existido muito. Alguns agentes assinam com jogadores jovens e, passado um tempo, vão a um outro agente para vender a procuração. É uma coisa mesmo louca. Um absurdo porque representação de jogador, para mim, é uma responsabilidade, uma confiança, um trabalho que se comprometem tanto agente quanto jogador”, afirmou.

“Ainda mais (absurdo) quando estamos falando de jovens sem nenhuma instrução, conhecimento e, principalmente - e infelizmente para nós, que estamos em um país (Brasil) com muitos problemas sociais -, muito despreparados em todos níveis. Jogadores que não sabem nem abrir uma conta (bancária), uma série de coisas”, prosseguiu.

“E em virtude de não haver uma regulamentação mínima e controlada de alguma forma, alguns agentes acabam se tornando empresário de jogadores jovens com algum potencial. Depois de um tempo, esses jogadores acabam por ter algum sucesso, eles vão ao mercado e vendem a procuração. Ou deixam eles sem o mínimo de estrutura”, concluiu.

Conforme apurado pelo Yahoo Esportes, existem casos em que a venda de procuração de promessas supera a cifra de R$ 1 milhão e envolve ainda outras eventuais barganhas na negociação.

É, na verdade, um mercado alternativo que acontece de forma paralela a uma possível troca de clubes.

Um dos atletas que passou por isso recentemente foi a revelação de 16 anos do Fluminense, Miguel, que viu a disputa por sua representação abranger os principais empresários do mercado brasileiro até que ele e seus pais se decidissem pela TFM (ex-Traffic), que cuida de Vinícius Jr. e outros nomes.

“Acho que hoje a maior dificuldade é encontrar o equilíbrio entre o sucesso esportivo e o econômico. Esse equilíbrio para os jogadores é o que tentamos passar: para ter o sucesso econômico, tem que ter o esportivo, isso vem primeiro. No mundo que andamos hoje, com as informações que existem, redes sociais que não existiam 15 anos atrás, tudo mexe com emoção, não é fácil lidar no dia a dia. Tudo é muito mais rápido, tanto o sucesso como o insucesso. Os clubes têm mais dinheiro, estão preparados para caso não dê certo, descartá-lo. Mas, por outro lado, se der, vira uma loucura. Essa gestão é sempre muito difícil”, afirmou Deco.

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