De reserva em Portugal a titular na Premier League: a história do ex-palmeirense Evandro

Evandro já disputou oito partidas e marcou um gol com a camisa do Hull City (Divulgação)

O torcedor palmeirense deve se lembrar do meia Evandro, que passou de forma discreta pelo Palestra Itália entre 2008 e 2009. Pois esse jogador é um dos 63 brasileiros que fizeram história ao disputar a poderosa Premier League, como é conhecido o Campeonato Inglês. Aos 30 anos, Evandro foi comprado em janeiro pelo Hull City por 2 milhões de euros junto ao Porto, de Portugal. A missão era ajudar o então lanterna do torneio a sair da zona do rebaixamento. Três meses depois, como num toque de mágica, o Hull está fora do Z3, com dois pontos de vantagem para o Swansea, 18º colocado. E neste sábado Evandro terá a chance de enfrentar o Manchester City de Guardiola, Aguero, De Bruyne e companhia – o jogo será transmitido pela Espn Brasil a partir das 10h20. Confira a entrevista exclusiva com o brasileiro, que conta da Premier League, fala da adaptação ao novo país, dos duelos com os gigantes ingleses e da mudança: de reserva no Porto a titular no torneio mais visto do planeta.

BLOG: Você imaginava que teria a chance de um dia jogar a Premier League?
EVANDRO: Para ser sincero, não. Até porque eu joguei muito pouco nos dois anos e meio no Porto. Só atuava quando tinha alguém machucado ou suspenso. Para piorar, em dezembro disseram que queriam me vender, porque eu não estava fora dos planos. Foi aí que o Marco Silva, meu técnico nos tempos de Estoril, ligou convidando para jogar no Hull City.

E você disse sim na hora, né?
Claro. Foi a decisão mais fácil e rápida que tomei no futebol (risos). Primeiro, porque eu teria a chance de jogar a Premier League e depois porque iria trabalhar com um treinador que confia bastante em mim. Tudo isso com 30 anos de idade.

A Premier League é realmente um campeonato tão diferente como dizem?
É muito diferente. Já joguei Liga dos Campeões, Liga Europa, Campeonato Português e Sérvio, mas nada se compara. Corre-se demais na Inglaterra e mesmo os times pequenos saem para atacar. Fiquei muito impressionado com o ritmo altíssimo daqui. Tanto que cheguei meio fora de forma, porque só tinha feito quatro jogos na temporada, e sentia cãibra toda hora. O campeonato é muito top.

Foi por causa desse ritmo que se machucou?
Enfrentei logo de cara todos os times lá de cima da tabela e na Premier League não se para um minuto dentro de campo. Aí, infelizmente, acabei me machucando e só voltei a jogar na última quarta-feira, depois de seis semanas em recuperação.

O Hull venceu o Liverpool por 2 a 0, empatou com o United (0 a 0) e perdeu para Chelsea e Arsenal, ambos por 2 a 0. Qual adversário mais chamou a atenção?
O Chelsea, que é um time bastante diferente. Os caras põe a bola no chão e fazem você correr atrás deles o tempo inteiro. Mesmo na derrota para o Arsenal, deu para jogar. Mas, contra o Chelsea, era impossível.

E a adaptação à vida na Inglaterra?
Vim sozinho para cá em janeiro e o começo foi bem complicado, porque fazia muito frio e não entendia nada em inglês. Agora, estou tendo aulas duas vezes por semana em casa e já consigo me fazer entender. É um processo e tudo está ficando melhor a cada dia.

Continua morando sozinho?
Não, já estou com minha esposa e minhas filhas, a Lara e Alice. Minha mulher me ajuda bastante, porque ela já viveu na Inglaterra e fala muito bem inglês. A Lara, que tem cinco anos, também se adaptou melhor do que eu imaginava. Já a Alice tem um ano e cinco meses e tem ido para a escolinha normalmente.

E a cidade de Hull?
É uma cidade bem pequena, no norte da Inglaterra. Não há muita coisa para se fazer, mas para mim é tranquilo, porque sou bem caseiro. Hull tem bastante verde e faz muito frio. Bem diferente de Portugal. Uma situação mais difícil é em relação à vida social. Fiquei cinco anos em Portugal, então tinha muitos amigos.

 

Quando você chegou ao Hull em janeiro, junto do Marco Silva, o time era o lanterna. Como era a situação internamente?
Era um momento bem conturbado, realmente. Lembro-me que o presidente estava disposto a vender o time, pensava em mudar o nome do clube, a torcida não ia muito ao estádio e eram nove rodadas sem vitória. Desde que o Marco assumiu, a campanha do Hull é a quarta melhor da Premier League.

Qual o segredo desse técnico português de apenas 39 anos?
Ele é muito bom de vestiário e gosta que o time toque a bola no chão, se movimente… a gente joga como os grandes. Encaixou bem porque vejo bastante qualidade no nosso time. O telespectador vai poder ver contra o Manchester City que não somos de dar chutão, nem ficamos procurando o contato físico.

Quantos pontos o Hull ainda precisa, em sete rodadas, para não cair?
A gente está trabalhando com o número de 38 pontos. Hoje, estamos com 30, então precisamos de oito. A luta será bem dura, provavelmente até o fim do campeonato. O legal é que vencemos recentemente vários times que brigam contra a gente, naquele jogo de seis pontos. Fizemos 4 a 2 no Middlesbrough, 2 a 1 no West Ham, 2 a 1 no Swansea…

O que você espera do confronto com o Manchester City do Guardiola?
Vamos para mais um jogo contra um time grande, mas estamos com a confiança muito boa pela sequência. Ganhamos três dos últimos quatro jogos e eles não vêm de uma maré tão positiva, com vários empates e desclassificação na Liga dos Campeões… o negócio é saber se aproveitar disso..

Para fechar: depois de realizar o sonho de chegar à Premier League, o que mais você tem de vontade dentro do futebol?
Tenho contrato por mais uma temporada com o Hull e o primeiro objetivo é manter o time na elite, para depois pensar em ficar aqui vários anos. Quem sabe os cinco anos que consegui passar em Portugal.

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