Datafolha: duas pesquisas e uma péssima notícia para o bolsonarismo

Matheus Pichonelli
·2 minuto de leitura
Foto: Alan Santos/Brazilian Presidency/Handout via REUTERS
Foto: Alan Santos/Brazilian Presidency/Handout via REUTERS

As pesquisas Datafolha que mostram um aliado estacionado e outro em queda livre nas duas maiores cidades do país são um sinal de alerta e tanto para os planos de reeleição de Jair Bolsonaro.

O Brasil, é claro, não se resume a Rio e São Paulo, mas foi no Rio e em São Paulo que Bolsonaro decolou em direção à Presidência. Na capital paulista ele obteve no segundo turno 60,4% dos votos e, entre os cariocas, 66,5%.

Hoje, sua gestão é considerada ruim/péssimo por 48% dos paulistanos e por 38% dos moradores da capital fluminense, segundo o Ibope.

Ainda assim, os candidatos do Republicanos nas duas capitais acharam uma boa ideia colocar Bolsonaro em todos os ambientes da campanha, do quarto à cozinha, antes de acordar até a hora de dormir.

Em busca da popularidade, Marcelo Crivella e Celso Russomanno herdaram também a rejeição do presidente.

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No Rio, nada menos do que 58% dos eleitores dizem que não votariam em Crivella de jeito nenhum, o que o torna presa fácil para qualquer adversário em um possível segundo turno. Hoje, porém, nem a vice-liderança está garantida. Crivella é seguido de perto por Martha Rocha (PDT) e Benedita da Silva (PT), enquanto Eduardo Paes (DEM) segue à frente com 28% das intenções.

Uma possível derrota do aliado em sua base eleitoral seria um uma ferida e tanto para os planos do presidente.

Já em São Paulo, Russomanno saiu mal na foto justamente quando parece ter decorado a cartilha bolsonarista de cabo a rabo. Já falou barbaridades sobre moradores de rua, sobre vacina, já minimizou a pandemia que matou 155 mil pessoas no país e está perto de conseguir um feito: fazer figuração, pela terceira eleição seguida, após liderar a campanha desde o começo.

Nada menos do que 4 em cada 10 paulistanos (38%) dizem não votar em Russomanno de jeito nenhum, índice ainda dez por cento inferior à rejeição do presidente na cidade. Mas com viés de alta.

Bolsonaro peca por ter implodido o PSL, partido pelo qual se elegeu em 2018, e pulverizar, entre outros partidos, um apoio vacilante a candidatos que tinham no capitão a sua arma principal. Periga ficar sem aliado nas bases por onde já iniciou a campanha para 2022.