Destaque nas pistas e nas redes, Darlan Romani investiu metade do valor de ‘vaquinha’ em projetos sociais

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TOKYO, JAPAN - AUGUST 05:  Darlan Romani of Team Brazil competes in the Men's Shot Put Final on day thirteen of the Tokyo 2020 Olympic Games at Olympic Stadium on August 05, 2021 in Tokyo, Japan. (Photo by Matthias Hangst/Getty Images)
Darlan Romani ganhou bastante projeção ao público durante as Olimpíadas de Tóquio (Foto: Matthias Hangst/Getty Images)

Por Guilherme Faber (@fabergui) e Matheus Brum (@matheustbrum)

Darlan Romani é aquela figura que representa o esportista brasileiro. Nasceu em Concórdia (SC), tentou jogar futebol por influência do pai, mas não conseguiu. Seguiu os passos do irmão no atletismo, virou referência, enfrentou os desafios de um esporte não conhecido e conquistou reconhecimento do Brasil ao representar as cores do país na última edição das Olimpíadas.

Após o quarto lugar na prova de arremesso de peso e emocionar o país ao dizer que ia dar “300%” para ser medalhista em Paris, vazou vídeo do Darlan nas redes sociais com treinamento em um terreno baldio no interior de São Paulo. A vaquinha foi criada para ajudar o atleta e arrecadou mais de R$ 300 mil.

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“Assim que acabei de competir, o pessoal entrou em contato com minha esposa (Sara Romani) e falou: ‘Sara, a população quer ajudar’. Ela me ligou e disse: ‘Amor, as pessoas querem uma vaquinha”. Eu neguei, falei que não queria. Mesmo assim, eles insistiram e disseram que iam fazer. Em nenhum momento falei que precisava de ajuda”, disse Romani em entrevista exclusiva ao Yahoo Brasil.

Darlan gosta de justificar a questão da vaquinha para não parecer que foi algo premeditado. “Eu tenho minha casa, minha empresa. A vaquinha foi algo feito pela população. O dinheiro veio em boa hora, tanto que dividi o valor e usei a metade para projetos sociais”, explicou o atleta.

Projetos esses que são desenvolvidos em Concórdia e em Bragança Paulista (SP), onde reside.

Em um bate-papo com o Yahoo Brasil, o “Sr. Incrível” brasileiro contou sua história, suas lutas e o sonho de ser medalhista e fazer o esporte crescer no Brasil.

Yahoo Brasil: Como tem sido este pós-Olimpíada, principalmente nas redes sociais?

Darlan Romani: Foi meio assustador. Dormi com 10, 11 mil seguidores e acordei com 450 mil seguidores. Mas está legal, porque o carinho que a gente recebe, onde nós vamos, somos reconhecidos. O carinho do público é muito bacana e acolhedor.

YB: Como está este início de ciclo para Paris 2024?

DR: Tem sido legal, a programação está pronta. Os objetivos traçados. É só mandar ver que vai dar tudo certo. Cabeça está focada e estamos focados para a competição. Em março temos Mundial Indoor. Em final de julho temos o Mundial Outdoor. Esses são as principais para 2022. Temos também Troféu Brasil, GP Brasil e edições da Diamond League.

YB: Falando um pouco mais do “boom” que teve nas redes sociais, como tem te ajudado a captar parceiros?

DR: Com certeza. Quem é visto é lembrado. Tem que partir deste princípio. Por que tem tanto investimento em esportes específicos? Porque tem divulgação. Então fazemos de tudo para empurrar o atletismo para frente.

YB: E já acostumou com a ideia de ser um influenciador digital?

DR: Nunca pensei nisso. Sempre fui atletismo por amor, para ser medalhista. Mas hoje está acontecendo, o mundo virou digital. Estamos aproveitando. É algo novo. Estranho bastante ainda, mas está sendo bem legal.

YB: Você acha que esse “boom” que recebeu mostra que o Brasil está carente de ídolos?

DR: De certa forma as pessoas veem a gente como ídolo. Querem te acompanhar, te conhecer, ver seu dia a dia, ver o que a gente faz. Todos veem a glória, mas não veem o tombo, como é difícil chegar ao topo. As pessoas querem nos acompanhar cada dia mais. E isso é legal.

YB: Você tem sentido a evolução da modalidade?

DR: Com certeza. Está muito legal, porque as pessoas têm interesse em conhecer o atletismo e o arremesso de peso. Recebemos muitos vídeos de brincadeira, de pessoas arremessando algumas coisa e marca a gente. Isso acontece porque as pessoas querem conhecer mais a modalidade. Perguntam como assistir e acompanhar os resultados. Acho que vamos ter muitas pessoas arremessando peso.

YE: Voltando ao passado, como foi o seu início no arremesso de peso?

DR: O atletismo veio para dentro da escola. A prefeitura ia nas escolas com professores e pegavam talentos. Meu irmão começou a praticar e achei legal. Então ele começou a viajar. Durante um ano foi para várias competições, principalmente no litoral. E para nós do interior, é difícil ir para o litoral. Então, achei tudo muito legal. E foi o momento em que tinha idade, falei: “quero tentar fazer isso”. Fiz a seletiva e me chamaram para fazer o teste.

O atletismo de Concórdia sempre foi muito forte. Já tivemos medalhista em Troféu Brasil. Sempre foi muito forte lá. Sempre teve tradição. Hoje eles abandonaram, mas a gente está revivendo isso.

YB: Como?

DR: Temos projetos como “Atletismo na Rua” e “Atletismo na Escola”. Eles servem para as pessoas conheceram mais o esporte, pegar gosto pelo atletismo, que é a base de todos os esportes. Em Bragança Paulista temos cinco polos. Com parte do dinheiro da vaquinha, estamos levando para Concórdia.

YB: E como tem sido o retorno?

DR: Estão gostando do projeto. É legal a criança chegar em casa e falar com os pais que participou. Dizer: ‘O Darlan esteve lá’, ou outro atleta. Vai despertando o interesse em todo para conhecer o esporte. E o retorno dos pais é positivo, pois precisa ter boa nota e bom comportamento para poder participar. Então a criança chega, estuda, cuida dos materiais para poder participar. Foi assim na minha época.

YB: Falamos de passado e presente. E o futuro? Tem alguma marca que, caso bata, sabe que tem chance de medalha?

DR: É muito relativo. Em 2019, arremessei 22m53. Essa marca era recorde olímpico e entraria para a história. Fiquei em quarto. Pode ser que 21m72 como em 2012 dê título olímpico. Falar de uma marca é muito difícil. É complicado falar ‘se arremessar 23m vou ser medalhista’”.

YB: Com todo esse apoio, você sonha em ter um estádio gritando seu nome?

DR: Isso já está acontecendo. Tem muito torcedor. Quando entrei em 2010, meu primeiro Troféu Brasil, tinham três pessoas na arquibancada. E os três eram treinadores. Hoje em dia você vê arquibancada cheia, vê o torcedor.

YB: Como tem sido o apoio da Confederação Brasileira de Atletismo?

DR: Eles assumiram agora, há cinco meses. Até a Olimpíada continuaram com a mesma gestão. Fizeram muita mudança, muitos acontecimentos. Temos melhorias, como estrutura das viagens. Estamos acompanhando. Será uma nova gestão como foi a promessa deles. Não critico as anteriores, cada um tem um jeito de trabalhar.

YB: Para finalizar, você se vê sendo um dirigente no futuro?

DR: Nunca pensei nisso, porque meu sonho é ir em busca da medalha. Iniciei minha empresa de transporte. Acho muito difícil assumir a Confederação no futuro.

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