Daniel Alves e outros atletas usam slogan de Bolsonaro em mensagens no 7 de setembro

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*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, BRASIL.06.08.2019. Apresentação do São Paulo FC do lateral direito Daniel Alves. (foto: Rubens Cavallari/Folhapress)
*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, BRASIL.06.08.2019. Apresentação do São Paulo FC do lateral direito Daniel Alves. (foto: Rubens Cavallari/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Atletas brasileiros se manifestaram pelas redes sociais nesta terça-feira (7), aniversário da Independência do Brasil, com mensagens que reproduzem o slogan do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em Brasília, Bolsonaro fez discurso de ameaças golpistas e é alvo de manifestações a favor e contra o seu governo ao redor do país.

Entre os esportistas que se posicionaram está Daniel Alves, 38, lateral do São Paulo e da seleção, que postou foto com a bandeira nacional e a camisa amarela da equipe brasileira. O texto, publicado pelo jogador no Instagram, começa com o slogan "Brasil acima de tudo. Deus acima de todos", utilizado pelos bolsonaristas desde a sua campanha eleitoral em 2018.

"Dia da nossa independência e desejo-lhes que vocês peguem esse dia, para independizar também. Se independizar das opressões, das manipulações e das influências egocêntricas", escreveu Daniel Alves na rede social.

Nos comentários, ele ganhou apoio de Lucas Moura, meia-atacante do Tottenham (ING). Em sua conta, Lucas apenas compartilhou a imagem da bandeira do Brasil desenhada sobre um leão junto das hashtags #OrdemeProgresso, #Liberdade e #IndependênciadoBrasil.

O volante Felipe Melo, fervoroso apoiador de Bolsorano, também fez a sua postagem com a camisa amarela da seleção neste 7 de setembro.

Ex-jogadores como Amoroso (São Paulo e Guarani), Giovanni (Santos e Barcelona) e Dagoberto (Athletico e São Paulo) também se manifestaram nas redes. O último, bicampeão brasileiro pelo clube do Morumbi, repetiu Daniel Alves e também publicou uma imagem com o slogan bolsonarista "Brasil acima de tudo. Deus acima de todos".

Dagoberto, porém, tentou se descolar de qualquer apoio ao presidente com sua postagem. "Ninguém aqui está falando de política mas sim de um país melhor e justo pra todos", escreveu.

Os atletas de vôlei, o oposto Wallace e o central Maurício Souza publicaram, nos stories do Instagram, vídeos em que passeavam de carro ao lado dos apoiadores de Bolsonaro. "Essa é a vontade do povo, não tem boca, não", gritava o central da seleção, que esteve nas Olimpíadas de Tóquio.

Logo após a campanha decepcionante do Brasil nos Jogos Olímpicos -perdeu o bronze para a Argentina-, Maurício foi visitar o presidente e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), em Brasília.

O central postou em suas redes sociais algumas imagens do encontro, que aconteceu no Palácio do Planalto, e foi elogiado inclusive pelo companheiro de seleção, Wallace Souza.

Maurício e Wallace apareceram em uma foto da equipe brasileira formando um 17, número do então candidato Jair Bolsonaro, durante a corrida presidencial de 2018.

Já o atacante Paulinho, do Bayer Leverkusen, ironizou as manifestações deste domingo.

"Imagina tu sair de casa para defender gasolina a R$ 7, dólar acima de R$ 5, gás de cozinha acima R$ 100, 15 milhões de desempregados, superfaturamento na compra de vacinas e milhares de mortes por ineficiência de um governo?".

Quem também fez críticas às manifestações do Dia da Independência foi Elias, ex-volante de Corinthians e Flamengo, que se disse envergonhado nos stories do Instagram.

"Dia 7,00 de setembro. Dia da alienação! Um pouco envergonhado com alguns aqui. Mas não surpreso", postou o jogador de 36 anos.

A atleta do vôlei de praia Carol Solberg, que gritou "fora, Bolsonaro" no microfone do canal SporTV após uma partida no ano passado, voltou a pedir a saída do presidente nesta terça. "Muito triste esse 7 de setembro. Usar essa data para celebrar ódio, violência, armas, mentiras e total desrespeito à democracia", escreveu Carol.

Em razão do protesto naquela partida em 2020, ela foi denunciada ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e recebeu uma multa de R$ 1.000, convertida em advertência.

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