Da Ligue 1 ao estrelato: Marcel Desailly

Com 1.86m de altura e 80kg, Marcel ‘A Rocha’ Desailly é mais do que um jogador forte fisicamente. Mas sua força, dureza e natureza inflexível fizeram parte de uma das melhores defesas da Europa, levando seu apelido a um nível ainda maior.

"'The Rock' foi incrível", disse o ex-companheiro de equipe, Gustavo Poyet. "Ele foi um vencedor, e o admirávamos no Chelsea".

"Ele era uma besta para ter de jogar contra", disse o ex-Liverpool e atacante da Inglaterra, Michael Owen. "Tão rápido quanto qualquer um, tão forte como qualquer um, virtualmente impossível de jogar contra".

O homem que jogou atrás dele em Marselha e também campeão da Copa do Mundo, Fabien Barthez, concordou: "Marcel era menos um líder e mais um guerreiro. Desailly era uma rocha".

L1 to superstardom Marseille lineup

Nascido em Accra, a capital de Gana, Desailly ganhou seu sobrenome quando sua mãe se casou com um diplomata francês e mudou-se para a França em 1972, aos quatro anos.

Seu pai esperava que ele fosse para a universidade, mas o jovem se apaixonou pelo futebol na escola e seguiu seu meio-irmão Seth Adonkor para para a equipe de jovens de Nantes. Lá ele se encaixou na defesa central ao lado de um jovem chamado Didier Deschamps. Chegou ao profissional aos 17 anos e fez sua estreia profissional aos 18.

Sua confiança e poder foi notada e ele foi rapidamente se deparou com uma escolha: Monaco ou Marselha? Ambos queriam levá-lo para longe de Nantes no final da temporada 1991-92.

"Quase assinei com o Monaco porque era um clube mais estável", disse o agora ex-jogador de 48 anos. "Minha família era a favor do Monaco. Em Marselha tudo é mais louco e há muito mais pressão. Mas isso é o que me atraiu. Preciso da pressão, de um grande desafio".

"Assinar pelo Olympique de Marselha foi um sonho se tornando realidade. Tudo o que aconteceu comigo depois foi mágico. Às vezes ainda tenho dificuldade de explicar tudo a mim mesmo hoje!", afirmou ele.

No vestiário do OM, Desailly esteve ao lado de Barthez, Rudi Voller, Alen Boksic, Basile Boli e Deschamps. Sua ética de trabalho e qualidade o ajudaram a estabelecer-se rapidamente na equipe.

L1 to superstardom MAR v MIL

O OM liderou a Ligue 1 no final da temporada, ganhando um título que acabaria por ser rescindido após o controverso presidente Bernard Tapie ter sido envolvido em um escândalo de armação de jogos, mas a equipe também chegou à primeira final da Champions League, contra o Milan.

O Milan tinha a realeza do futebol. Franco Baresi, Paolo Maldini, Frank Rijkaard e Marco van Basten. O time era uma constelação de estrelas e a equipe Desailly era uma zebra.

"A vitória de 1993 foi uma ocasião especial", disse Desailly. "Foi a primeira vez que um clube francês venceu a competição. A primeira vez para um clube que é um bocado louco, com os torcedores que são um pouco loucos, até de mais, mas de uma maneira positiva".

"E fomos lá e ganhamos em um momento delicado para o clube, um momento delicado para o nosso presidente, Bernard Tapie, por isso era algo especial. Foi único".

Após nova punição, o time de Marselha foi proibido de defender seu título europeu - e o Milan já tinha identificado um de seus jogadores possíveis reforços.

L1 to superstardom Desailly MILAN

Desailly juntou-se à equipe italiana e regressou à segunda final consecutiva da UCL, onde marcou o quarto gol do Milan no 4 a 0 sobre o Barcelona.

Depois de mais de 130 jogos na Serie A, Desailly passou o verão (europeu) com sua seleção nacional, com Barthez e capitão de Deschamps, vencendo a Copa do Mundo antes de se juntar ao Chelsea por seis temporadas, como capitão de clube. Em 2000, acrescentaria uma Eurocopa ao seu currículo.

Mas é o Olympique de Marselha que mantém um lugar especial em seu coração.

"Você sempre se lembra da primeira vez", confirmou ele. "Foi uma grande sensação, particularmente porque ninguém esperava que a equipe de Marselha ganhasse", concluiu o zagueiro, uma lenda da Ligue 1.